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1ª VACINA

Professora de Fátima do Sul escreve sobre a resistência às vacinas ao longo da história

Em 1796 depois de anos de pesquisas e estudos, o médico inglês Edward Jenner, inoculou o vírus da varíola bovina em um menino saudável de 8 anos e algum tempo depois o expôs à varíola humana e o garoto não desenvolveu a doença.

12 Jan 2021 - 12h52Por Adélio Ferreira - Fátimanews

Todos nós tivemos nossas vidas impactadas no atípico 2020. A pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) chegou não só ameaçando nossas existências, mas mudando a forma de nos relacionarmos com as pessoas e com o mundo. Apesar da urgência pela vacina, há por parte de muitos uma hesitação quanto à prevenção, o que até certo ponto é compreensível, se considerarmos que o novo gera medo. Porém, observamos também discursos contrários à imunização motivados por questões políticas, o que acaba contribuindo para a resistência à vacina. A Covid-19 (doença causada pelo referido vírus) já matou quase 1,7 milhões de pessoas no mundo, destas 200 mil no Brasil; e a velocidade com que o vírus se propaga justifica a urgência pela vacina. Em meio a esse contexto assustador, basta olharmos para a História que veremos que a pandemia do novo coronavírus não é a primeira e certamente, já anunciam os cientistas, não será a última, o mesmo digo sobre a polêmica das vacinas.

            A palavra vacina vem do latim - vaccinae e significa “derivado da vaca”, em referência à forma como a primeira vacina foi desenvolvida. Em 1796 depois de anos de pesquisas e estudos, o médico inglês Edward Jenner, inoculou o vírus da varíola bovina em um menino saudável de 8 anos e algum tempo depois o expôs à varíola humana e o garoto não desenvolveu a doença. Estava criada a primeira vacina do mundo. Mesmo diante da eficácia, a vacina contra a varíola sofreu muitas resistências, pois ainda que fosse no século 18 a desinformação se espalhava e logo surgiram boatos de que quem tomasse a vacina iria desenvolver características bovinas, como ilustra a charge inglesa – A Pústula da Vaca. Embora a resistência tenha sido grande, a Ciência venceu e logo a vacina foi amplamente utilizada controlando os surtos de uma doença que até então matava aos milhares.

            No Brasil, no início do século 20 essa vacina desenvolvida pelos ingleses, ainda era desconhecida e a população sofria com surtos de varíola, febre amarela e peste bubônica. Em 1904 no contexto da urbanização da Cidade do Rio de Janeiro, o prefeito Pereira Passos juntamente com o médico sanitarista Oswaldo Cruz, impuseram a obrigatoriedade da vacina contra varíola para a população carioca. Resultado: uma revolta popular, com mortos, feridos e muitos presos. A vacina era extremamente eficaz e segura, como se mostrou ao longo dos anos, mas a falta de conscientização à população, juntamente com o autoritarismo do governo ao impor a obrigatoriedade da vacinação, gerou toda a resistência, que ficou conhecida na História como Revolta da Vacina.

            Durante a Primeira Guerra Mundial surtos de tifo ceifaram a vida de centenas de soldados; o mesmo ocorreu durante a Segunda Guerra. Foi nesse período que surgiu a vacina contra a doença. Paralela à ânsia da Alemanha pela vacina havia um discurso apoiado por Hitler que dizia que a mesma fazia parte da ciência judaica e que iria envenenar o “sangue puro” dos arianos, e muitos acreditando cegamente no “grande” líder, recusavam a imunização.

            Recentemente, com a pandemia da gripe H1N1 em 2009, foi desenvolvida e disponibilizada aos grupos de risco a vacina contra a mesma; e novamente, vimos os receios de parte da população. Desta vez fui testemunha ocular da História ao ouvir pessoas se negando a vacinar os seus bebês (acima de seis meses) e idosos resistindo sob os mais obscuros discursos. Alguns dos boatos propagados na época eram de que a vacina causava má formação fetal, no caso das grávidas, paralisia dos nervos, reação alérgica fatal e câncer. Provou-se mais uma vez o êxito da Ciência, pois somos testemunhas de que o tempo e a História se encarregaram de provar não só a eficácia, mas a segurança de mais essa vacina.

            Notamos que a hesitação diante da prevenção de doenças por meio das vacinas não é novidade, embora, em tempos atrás até certo ponto era compreensível os receios da população, pois a conscientização exigia intensa campanha, que levava tempo e nem sempre chegava a todos. Atualmente com as redes sociais, a informação está mais acessível, no entanto, é lamentável que muitos utilizem essa maravilhosa ferramenta para divulgar a desinformação. As fake news, dentre tantos outros estragos, têm se mostrado também uma ameaça à saúde pública, pois ao alimentar discursos antivacinas têm feito ressurgir doenças praticamente já erradicadas como, por exemplo, o sarampo.

            Assim como a História nos lembra de outras fatídicas pandemias e epidemias que assolaram a humanidade em outros tempos, ela também nos traz esperanças e possibilidades. È nesta esperança que temos que nos pautar; vencer o receio e acreditar na Ciência. Dessa forma, como Cristã, tenho fé que a eficácia e a segurança das vacinas contra a Covid e suas variantes vençam a resistência, causada em grande parte pelos discursos com interesses políticos e ideológicos. E que no fim, todos nos beneficiemos das descobertas científicas.  

*Ana Paula Menezes Cordeiro

*Professora mestra em História pela UFGD. Atual na Rede Estadual de Ensino em Fátima do Sul-MS 

           

 

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