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Novo coronavírus tem segundas novas ondas de reinfecção e acendem sinal de alerta

Novo coronavírus tem segundas novas ondas de reinfecção e acendem sinal de alerta

6 Ago 2020 - 19h58Por Correio Brasiliense

Após a retomada do crescimento observado em junho, a análise de casos semanais de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) dá sinais de que o Brasil inicia uma leve queda de novas infecções pela covid-19, indica o novo Boletim InfoGripe, produzido pela Fiocruz. A boa notícia, no entanto, deve ser interpretada com cautela, já que a situação do país se comporta de maneira heterogênea e há indícios de segundas ondas e reinfecções, fatores que podem mudar a dinâmica de enfrentamento da pandemia. 

Divulgado nesta quinta-feira (6/8), o novo relatório avalia, por estado, o comportamento do novo coronavírus com o fechamento dos dados da semana epidemiológica 31. Os pesquisadores utilizam os dados de hospitalização referente a SRAG, já que, 96,7% dos casos e 99,1% dos óbitos referente ao conjunto de doenças são relativos à covid-19. Apesar de sinal de leve queda, os valores semanais de registros no país extrapolam bastante o nível considerado muito alto.  

"Nessa nova análise notamos o início de uma freada, mais o acumulado chegou a atingir números superiores aos de semanas anteriores e ficou pouco abaixo da semana epidemiológica 30. Isso indica que a epidemia da covid ainda está em processo de oscilação, ao avaliar o nível Brasil. Quando a gente vai para as regiões, notamos uma grande heterogeneidade nos estados. Até mesmo dentro dos estados temos situações muito distintas na comparação de macrorregiões", afirma o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.

São Paulo, por exemplo, é um dos estados com maior número de subdivisões em macrorregionais de saúde, onde há uma grande variabilidade em termos de tendência. "Isso deixa claro que vivemos um processo lento, infelizmente, e que o fato de começar a cair não garante tranquilidade", alerta Gomes, avaliando que o recorte é mais uma demonstração do processo de interiorização da covid. 

No Rio de Janeiro, a situação também é heterogênea. Enquanto a macrorregião que inclui a capital apresenta sinais de crescimento, as outras duas apontam caminhos distintos: uma com queda e outra com estabilização. Já em Pernambuco, na macrorregião metropolitana o movimento é de queda, enquanto nas outras três macrorregiões a tendência ainda é de crescimento. Ao destrinchar os dados e mostrar as diferenças, os números revelam a necessidade de ações coordenadas entre municípios de uma mesma macrorregião. 

Por estado
Em relação às unidades da Federação que apresentavam manutenção do sinal de crescimento ou platô, observou-se possível início de queda no Tocantins, Sergipe, Paraná e Santa Catarina. Na Bahia, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, embora haja indícios de possível início de queda, estes sinais ainda estão fracos. Nas respectivas capitais, Salvador, Campo Grande e Belo Horizonte apresentam queda, enquanto Porto Alegre mostra estabilização. Brasília ainda apresenta sinal de crescimento.

Quanto às unidades da Federação que apresentavam sinal de possível retomada do crescimento após período de queda, o Maranhão mostra sinal de estabilização, embora a capital São Luís mantenha possível retomada do crescimento. O mesmo ocorre com o Pará e a capital, Belém. Já o Tocantins mantém sinal de queda, enquanto a capital  ainda oscila, com sinal de possível estabilização. 

As altas taxas de transmissão, para o especialista, se traduzem em facilidade para que o vírus volte a manifestar-se em locais que já observam a tendência de queda, com a formação de segunda onda de infecções. “É o que a gente tem observado: tendências de microrregiões que estava em  queda e que voltaram a crescer, porque não chegaram a um nível baixo suficiente de contágio para que conseguisse estancar a cadeia de transmissão e o efeito dominó de infecção". 

Outro fator que tem provocado as recaídas são os efeitos prolongados da doença, um ponto desconhecido a meses atrás. "A gente tem visto cada vez mais casos de pessoas infectadas em algum momento, que tiveram um primeiro quadro e, depois de ter se recuperado, voltam a apresentar sinais de dificuldade respiratória, sintomas, necessitando de novos atendimentos". Por isso, Gomes frisa a necessidade de pautar as ações pensando no pior cenário, já que o futuro, ao se considerar uma doença nova, é ainda mais incerto. "Na pior das hipóteses, ao antever o pior, a gente tem condições de atendimento com o mais preparo, ainda que além do necessário.  Na abordagem inversa, o custo desse erro são vidas."

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