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OBESIDADE INFANTIL

MS mantém estabilidade nos índices de obesidade infantil e reforça ações de prevenção

SES destaca a importância da vigilância nutricional, da alimentação saudável e da atividade física para garantir o desenvolvimento adequado das crianças

5 Jun 2026 - 11h43Por Redação Fátima News

O Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, lembrado na quarta-feira (3), chama a atenção para um problema que impacta a saúde e o desenvolvimento de crianças em todo o país. Associada a fatores como alimentação inadequada, redução da atividade física e aumento dos comportamentos sedentários, a obesidade infantil eleva o risco de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, além de comprometer a qualidade de vida. Diante desse desafio, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce como estratégias fundamentais para garantir o crescimento e o desenvolvimento saudáveis das crianças.

O primeiro passo para identificar e prevenir a obesidade infantil é o acompanhamento regular do crescimento e do desenvolvimento nas unidades básicas de saúde. Por meio de uma avaliação antropométrica simples, com a aferição de peso e altura, os profissionais conseguem identificar o estado nutricional da criança e monitorar possíveis alterações ao longo do tempo.

Pequenas escolhas diárias ajudam a construir uma infância mais saudável.

Essas informações são registradas na Caderneta da Criança e permitem acompanhar a curva de crescimento, ferramenta fundamental para detectar precocemente situações de sobrepeso e obesidade. Quando identificadas alterações, as equipes de saúde podem iniciar orientações e intervenções adequadas para cada caso.

De acordo com o gerente de Alimentação e Nutrição da SES, Anderson Holsbach, o acompanhamento contínuo é essencial para a promoção da saúde infantil.

“A família tem papel fundamental nesse processo. Ao levar regularmente a criança à unidade de saúde, é possível monitorar seu crescimento e desenvolvimento e identificar precocemente qualquer alteração no estado nutricional. Quanto mais cedo ocorre essa identificação, maiores são as possibilidades de promover mudanças que favoreçam a saúde da criança”, explica.

Entre os fatores que contribuem para o aumento da obesidade infantil estão as transformações no estilo de vida observadas nas últimas décadas. Se antes as brincadeiras ao ar livre e a prática espontânea de atividades físicas faziam parte da rotina das crianças, atualmente o tempo dedicado às telas ocupa parcela significativa do dia.

Somado a isso, o acesso facilitado aos alimentos ultraprocessados tem influenciado diretamente os hábitos alimentares. Produtos como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e bebidas açucaradas apresentam alta densidade calórica e baixo valor nutricional, favorecendo o ganho excessivo de peso.

“Vivemos em um ambiente que muitas vezes dificulta escolhas saudáveis. Temos o aumento do acesso aos alimentos ultraprocessados, o encarecimento dos alimentos in natura e minimamente processados, além de comportamentos cada vez mais sedentários. São fatores que compõem o chamado ambiente obesogênico, que favorece o desenvolvimento da obesidade”, destaca Holsbach.

O conceito de ambiente obesogênico engloba ainda fenômenos como os desertos alimentares — locais com pouca oferta de alimentos saudáveis —, os pântanos alimentares, caracterizados pela grande disponibilidade de produtos ultraprocessados, e a redução de espaços urbanos destinados à prática de atividades físicas.

A prevenção, entretanto, começa nos primeiros anos de vida. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos recomenda que não seja ofertado açúcar nessa faixa etária. Além disso, o aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado, de forma complementar, até os dois anos ou mais, é reconhecido como importante fator de proteção contra a obesidade infantil.

Segundo Anderson Holsbach, os hábitos desenvolvidos dentro de casa têm influência direta sobre as escolhas alimentares das crianças.

“A criança aprende observando. Quando a família consome frutas, verduras e legumes regularmente, prepara as refeições em casa e valoriza os alimentos in natura, ela contribui para a formação de hábitos mais saudáveis. Incluir as crianças no preparo dos alimentos também fortalece essa relação positiva com a alimentação”, afirma.

Dados do SISVAN (Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional), referentes às crianças acompanhadas pela Atenção Primária à Saúde em Mato Grosso do Sul, mostram que os índices de obesidade entre crianças de 0 a 5 anos permaneceram estáveis entre 2021 e 2025, com média de 4,92% no período. Em 2021, o percentual foi de 5,90%; em 2022, 4,75%; em 2023, 4,67%; em 2024, 4,50%; e em 2025, 4,77%.

Entre as crianças de 5 a 10 anos, também foi observada estabilidade, com discreta redução no percentual de obesidade, que passou de 9,49% em 2021 para 9,04% em 2025. A obesidade grave na mesma faixa etária também apresentou queda, passando de 5,76% para 5,37% no período.

Embora os números indiquem estabilidade, a SES ressalta que o monitoramento permanente continua sendo fundamental para evitar o avanço da doença e promover melhores condições de saúde para a população infantil.

Como parte dessa estratégia, a obesidade infantil integra os temas prioritários trabalhados pela Secretaria no âmbito do PSE (Programa Saúde na Escola), especialmente nos eixos de promoção da alimentação saudável e incentivo à atividade física. A SES também atua por meio da CAISAN (Câmara Intersetorial de Segurança Alimentar e Nutricional), estabelecendo metas voltadas à promoção da alimentação adequada e saudável e ao fortalecimento da segurança alimentar e nutricional.

Brincar, correr e se movimentar fazem parte de uma infância saudável e ajudam na prevenção da obesidade infantil.

Além disso, a Secretaria desenvolve ações de Educação Permanente em Saúde para profissionais dos municípios, fortalece as atividades de Vigilância Alimentar e Nutricional e apoia a implementação da EAAB (Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil), contribuindo para a construção de hábitos mais saudáveis desde a infância.

Kamilla Ratier, Comunicação SES
Fotos: Reprodução Gov BR

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