Faleceu no final da manhã desta terça-feira (23), aos 87 anos, o ex-governador de Mato Grosso do Sul e ex-prefeito de Campo Grande, Marcelo Miranda Soares. O político e engenheiro estava internado há cerca de 20 dias no hospital da Unimed, na capital sul-mato-grossense, onde lutava contra problemas renais crônicos há anos e acabou contraindo uma pneumonia severa, agravada por complicações cardíacas.
A confirmação do falecimento foi feita por seu neto, João Henrique Catan, através das redes sociais. Em homenagem, Catan destacou a resiliência e os ensinamentos deixados pelo avô:
"Meu avô desliga-se deste plano ao seu estilo: não sem antes lutar, não desistiu! Até o último minuto encarou como penitência o que mais detestava: a espera! Como mineiro, não deixava de rir e fazer piada sobre sua condição de martírio em hemodiálise (“acho que eu preciso dar uma chegadinha ali na hemodiálise para me animar”).
Me ensinou que não existe o impossível, o inalcançável e inatingível àqueles que decidem enfrentar de frente seus problemas com estudo, perseverança e dedicação (“manda brasa, cara, vamos para cima, não dá bola para isso não”).
Sempre me preocupei em estar entre os primeiros para agradar a ele, porque via nele o suprassumo da capacidade e da inteligência - ele sempre me dizia que isso não era o mais importante, o que valia era terminar uma tarefa, concluir, chegar até o fim!
Felizes os homens que podem beijar seus avôs!"
Trajetória política
Nascido e formado em engenharia na cidade de Uberaba, em Minas Gerais, Marcelo Miranda adotou o Mato Grosso do Sul e construiu uma longa carreira dedicada ao desenvolvimento e à infraestrutura da região. Antes de entrar na vida pública, teve papel de destaque como engenheiro, atuando na construção da Usina Hidrelétrica de Jupiá, no Rio Paraná. Posteriormente, no Departamento de Estradas de Rodagem (DER), foi peça-chave em um grande plano rodoviário que entregou 4.500 quilômetros de estradas vicinais no estado.
Sua entrada na política ocorreu na década de 1970, após ser convidado por nomes como Pedro Pedrossian e Levy Dias para assumir a Prefeitura de Campo Grande. Em sua gestão municipal, o grande marco foi a criação do Projeto Cura, um programa de investimentos estruturais em diversas frentes que levou abastecimento de água potável, escolas e infraestrutura para diversos bairros da Capital.
O ápice de sua popularidade política se consolidou nas eleições de 1986, quando foi eleito governador do Estado, assumindo o mandato a partir de 1987. Seu governo enfrentou períodos de turbulência, mas manteve o foco em obras de integração estadual. Ao longo de sua trajetória eleitoral, Marcelo Miranda também foi senador da República e encerrou sua participação direta na máquina pública atuando como superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em Mato Grosso do Sul, entre os anos de 2003 e 2012.
Ainda não foram divulgadas informações oficiais sobre o horário e local do velório e sepultamento.
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