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Com apoio de profissionais voluntários,presídio devolve sorriso e esperança à detenta de Dourados

Um gesto de empatia e solidariedade devolveu a autoestima e a esperança para a interna J.A.S.B., que aos 22 anos voltou a sorrir.

13 Set 2020 - 09h24Por Portal do MS

Um gesto de empatia e solidariedade devolveu a autoestima e a esperança para a interna J.A.S.B., que aos 22 anos voltou a sorrir. Timidez e pouca conversa era a realidade da reeducanda que atualmente cumpre pena em regime semiaberto no presídio feminino de Dourados. A transformação veio após iniciativa da policial penal Denise Gomes da Silva Potrich, que se propôs a ajudá-la.

“Ela me chamou atenção pela beleza, postura e escolaridade que ela tinha, a única coisa que a impedia de conseguir realizar seus sonhos era a falta dos dentes. Senti que era uma pessoa com potencial para conseguir uma oportunidade no mercado de trabalho e a questão da estética ia contar muito e prontamente conversei com a minha dentista”, relembra Denise.

Com três meses de tratamento, foram realizadas restaurações, extração, limpeza e colocação de próteses superior e inferior. Todo o material foi custeado pela servidora, assim como o transporte até o consultório particular da dentista Evania Ribeiro Agostini, que entrou com o trabalho de forma totalmente voluntária.

A surpresa da reeducanda foi muito grande, que revela que não teria acesso a um tratamento desses quando conquistasse a liberdade. “Eu não achei que seria verdade isso, mas assim que iniciei o tratamento fiquei ansiosa para terminar e ver o resultado. Eu só tenho a agradecer por tudo que fizeram por mim”, garante.

Dez anos de vício em drogas marcou drasticamente a vida da jovem e acabou a levando para a prisão há cerca de três anos. “O que antes para mim era uma vergonha, hoje é motivo de muito orgulho. Estou bem melhor, tenho perspectivas de construir uma nova história e tenho certeza que minhas oportunidades vão aumentar”, conta.

O sonho de ser estilista voltou a reacender na interna a vontade de estudar; atualmente está aguardando o resultado da prova do Encceja, que realizou dentro da unidade penal, para concluir o Ensino Médio e poder entrar em uma universidade.

Por meio de convênio firmado pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Prefeitura Municipal de Dourados, a J.A.S.B. é uma das 15 reeducandas que realizam ocupação produtiva remunerada com a limpeza de espaços públicos e está em regime domiciliar, por decisão judicial após a chegada da pandemia.

A Agepen realiza diversos projetos e ações com ênfase na reinserção social dos apenados e apoia iniciativas que devolvam a dignidade e tornam o tratamento penal ainda mais humanizado. Os trabalhos são coordenados pela Diretoria de Assistência Penitenciária da autarquia.

Para a família de J.A.S.B. que mora no Paraná, também foi algo inesperado. Por meio de chamada de vídeo, a interna revelou seu novo visual após o término do procedimento. “Eles não acreditaram, foi muito emocionante; foi algo incrível que aconteceu comigo e que mudou minha vida, me devolveu a vontade de sorrir”, afirma.

De forma voluntária, a dra. Evania ajudou a devolver o sorriso à reeducanda.

Dentista há dez anos, Evania explica que a saúde bucal atinge diretamente a qualidade de vida e a saúde mental. “A ausência dos dentes te inibe de dar um sorriso, você se sente mais tímida, socialmente despreparada. Então foi algo para mim tão pequeno, mas que tenho certeza que fez toda a diferença na vida dela”, destaca.

A profissional revela que sempre tem o hábito de se colocar no lugar das pessoas, por isso não pensou duas vezes em ajudar a reeducanda. “Quando a conheci, vi uma jovem tão linda e cheia de vida e de repente podia estar com a autoestima abalada por conta de algo, que para mim seria tão simbólico e simples”, conclui.

Para a diretora da unidade penal, Lucilene de Fátima Mathias, iniciativas como essa devem servir de exemplo para que outras pessoas reflitam sobre a questão da ressocialização, a qual necessita de voluntários com um olhar mais humanístico. “Um trabalho como esse é muito importante, porque eleva a autoestima pessoal da interna e sua reinserção no mercado de trabalho; e a aparência influencia muito nesse aspecto”, ressalta.

Tatyane Santinoni, Agepen

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