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CLOROQUINA: Pacientes reumáticos que fazem uso de cloroquina não estão imunes ao coronavírus

CLOROQUINA: Pacientes reumáticos que fazem uso de cloroquina não estão imunes ao coronavírus

11 Ago 2020 - 15h39Por Cristina Nunes - Dourados Agora

A Sociedade Brasileira de Reumatologia alertou que pacientes com diagnóstico de doenças reumáticas consideradas autoimunes, ou inflamatórias crônicas, e/ou aqueles em uso de medicamentos imunossupressores ou imunobiológicos, podem apresentar potencialmente, predisposição para formas mais graves da infecção". Embora não estejam ‘oficialmente’ inclusos no grupo de risco, devido ao fato dos estudos sobre o vírus serem recentes, pessoas diagnosticadas com artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, espondilite anquilosante, artrite psoriásica, esclerose sistêmica, doença inflamatória intestinal, síndrome de Sjögren, arterite de células gigantes, granulomatose com poliangiíte, granulomatose eosinofílica com poliangiíte, arterite de Takayasu, doença de Behçet, dentre outras, devem redobrar os cuidados nessa época de pandemia.

Outro fator de destaque entre os pacientes reumáticos é o uso de medicamentos como cloroquina e hidroxina, utilizados pela maioria no tratamento de reumatismo. Em entrevista ao PROGRESSO, a reumatologista Dra. Mariana Picolli, que atende em Dourados, destacou que eles não estão imunes ao vírus pelo fato de fazerem uso desses fármacos, que atualmente tem sido defendidos como medicamentos com potencial para tratamento de pacientes infectados pelo coronavírus e até mesmo como prevenção, inclusive já são distribuídos em várias cidades no kit covid-19.

Além disso, pacientes reumáticos também fazem uso de medicamentos que baixam a imunidade e devem ficar atentos nessa época de pandemia, nesses casos a médica afirma que a suspensão temporária da medicação deve ser considerada, porém os casos devem ser analisados individualmente.

Confira, o que diz a médica especialista:

Qual a atuação da cloroquina em pacientes reumáticos? Em quais casos doenças ela é receitada? Existem efeitos ‘colaterais’?

O difosfato de cloroquina e a hidroxicloroquina são medicamentos antimaláricos que fazem parte do arsenal terapêutico do reumatologista há anos e são amplamente utilizadas. Sendo drogas imunomoduladoras e antiinflamatórias, estão indicadas no tratamento da artrite reumatóide, do lúpus eritematoso sistêmico, da síndrome de Sjögren e da síndrome do anticorpo antifosfolípide

Como esperado, toda droga apresenta um potencial de efeitos colaterais. Os mais temidos são os oftalmológicos e merecem, por parte dos médicos que utilizam cronicamente deste medicamento, um processo de acompanhamento especial. São contraindicadas em alterações retinianas e de campo visual. Entretanto, estes não são únicos. Existem estudos envolvendo repercussões no aparelho cardiovascular e tem sido descritas principalmente na forma de cardiomiotoxicidade e de bloqueios atrioventriculares. Estas drogas sendo quimicamente similares à quinidina apresentam o mesmo potencial que esta de provocar alterações no intervalo QT do eletrocardiograma. Esta possibilidade, embora citada esparsamente na literatura, não é considerada pelos maiores usuários deste grupo de medicamentos.

Pacientes reumáticos que já fazem uso da cloroquina devem continuar usando na pandemia?

Sim. De acordo com recomendação da sociedade brasileira de reumatologia, se a doença estiver sob controle, não devem interromper o tratamento em andamento, seja com hidroxicloroquina ou cloroquina. Paciente reumatológicos com infecção presumida ou diagnóstico de COVID-19 e que já fazem uso da medicação, também deve continuar o uso.

Medicamentos que baixam a imunidade, utilizados por pacientes reumáticos, podem continuar sendo usados na pandemia?

Depende se o paciente apresentou contato com o vírus. Pacientes reumatológicos na ausência de infecção ou exposição ao SARS-COV2 não devem interromper o tratamento em andamento, inclusive neste grupo de pacientes e com doenças inflamatórias sistêmicas ou com ameaça a órgãos vitais (como por exemplo nefrite lúpica ou vasculites),as doses de imunossupressores não devem ser reduzidas e corticoides podem até ser iniciados.

Já quando paciente tem infecção presumida ou possui diagnostico de covid-19 a interrupção temporária dos medicamentos imunomoduladores e terapias biológicas deve ser considerada, sendo analisado cada caso individualmente. A suspensão deve ser mantida até que seja possível um teste negativo ou após 2 semanas sem sintomas.

Pacientes reumáticos que já tomarem cloroquina estão imunes ao vírus? O remédio não os deixam imunes. Portanto, deve-se ter os cuidados e manter as medidas preventivas gerais, como distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos.

A cloroquina está sendo muito procurada pela população. Como fica a situação dos reumáticos que precisam do medicamento? Como podem fazer para comprar?

Agora a medicação é comprada com receituário controlado e é necessário entrar em contato com seu reumatologista para providenciar as receitas. Se por acaso houver falta da medicação, deverá ser discutido com seu médico a possibilidade de remédio substituto.

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