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Plano Diretor do Corredor Bioceânico avança e recebe 264 propostas de entidades nacionais e internac

10 Nov 2025 - 08h16Por Rosana Aparecida Monte Siqueira Teixeira

O Plano Diretor do Corredor Bioceânico (CBC) — conjunto de diretrizes e projetos que organizam e detalham a infraestrutura, a logística, a alfândega e outros aspectos da rota de integração rodoviária entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — está avançando. O diagnóstico realizado para orientar as ações de governança recebeu 264 propostas de soluções de entidades públicas e privadas, consultadas para desenvolver ações a serem adotadas pelos 8 governos subnacionais que compoem a Rota.

 

Os dados foram apresentados semana passada pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, durante palestra na 1ª Jornada de Estudos Estratégicos, realizada no auditório do Comando Militar do Oeste (CMO), em Campo Grande. Com o tema “O Corredor Bioceânico de Capricórnio e os impactos para o Centro-Oeste”, o evento reuniu autoridades civis e militares, pesquisadores e representantes do setor produtivo para discutir as transformações econômicas e geopolíticas que o projeto trará à região.

 

“O Corredor Bioceânico é uma transformação estrutural para Mato Grosso do Sul. Estamos no centro dessa rota e temos a oportunidade de consolidar o Estado como um hub logístico e comercial do Cone Sul. Esse é um projeto de desenvolvimento e de integração continental”, destacou Verruck.

 

Durante a palestra, o secretário ressaltou que a rota — que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile — representa um avanço na competitividade e na atração de investimentos, fortalecendo políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à diversificação econômica. Ele lembrou que o Governo do Estado tem direcionado esforços para alinhar infraestrutura, inovação e governança territorial à nova dinâmica que o Corredor trará.

 

Verruck também apontou os desafios para garantir a conectividade eficiente entre o Centro-Oeste brasileiro, o Chaco paraguaio, o noroeste argentino e o norte chileno, além de ampliar a atividade econômica e o comércio intra e extrarregional.

 

Ponte e infraestrutura

 

A Ponte Internacional da Rota Bioceânica já tem mais de 80% de suas obras concluídas e tem previsão de estar pronta até o final de 2026. Além das obras físicas, os processos e questões ligadas ao desenvolvimento da maior rota de integração logística da América Latina também avançam. “O objetivo do Plano de Ação é colocar todas as seções do Corredor no mesmo nível operacional”, explicou o secretário.

Entre os projetos em desenvolvimento estão os de infraestrutura rodoviária, que permitirão a conclusão de um percurso contínuo e fluido para o Corredor Bioceânico. Em paralelo, estão em andamento ações para melhoria das passagens de fronteira e a instalação de Centros de Coordenação de Fronteiras, fundamentais para a próxima etapa de implementação.

 

Projetos nas áreas de telecomunicações, digitalização e redes de energia também estão sendo estruturados, contribuindo para o aumento da eficiência e a redução dos custos operacionais.

 

A médio e longo prazo, o Corredor exigirá a criação de núcleos internos estratégicos, capazes de atender ao crescimento da demanda.

 

“Acreditamos que o desenvolvimento econômico local reforçará essa necessidade. É crucial analisar as oportunidades que prefeitos e governos podem gerar para impulsionar o desenvolvimento regional, especialmente no agronegócio e na logística”, acrescentou Verruck.

 

Turismo e integração

 

O secretário destacou ainda que o turismo será um dos setores mais beneficiados com a abertura da rota. Inspirado na famosa Rota 66 dos Estados Unidos, Verruck propôs a criação da ‘Rota 67’, que permitirá aos visitantes cruzar o continente de carro, unindo o Pantanal — maior área úmida do mundo — ao Deserto do Atacama, a maior área seca em altitude do planeta.

 

“Essa rota proporcionará uma experiência única, conectando biodiversidade, cultura e integração. Em breve será possível realizar essa viagem sem procedimentos alfandegários complexos, permitindo que os viajantes desfrutem da jornada em seus próprios veículos”, afirmou.

 

Construção coletiva da segurança

 

Outro ponto enfatizado pelo secretário foi a construção coletiva da segurança no contexto do Corredor. “Essa é uma das lógicas centrais. Se o Corredor carecer de elementos que garantam a construção coletiva e o desenvolvimento dessas regiões, a iniciativa corre o risco de se tornar isolada. É essencial que todos os agentes — inclusive os de segurança — participem das decisões e percebam os benefícios diretos da integração”, destacou Verruck.

Além de Verruck, participaram do evento o professor Sandro Teixeira Moita, do Instituto Meira Mattos (ECEME), com a palestra “Cultura Estratégica – Chave para entender a incerteza global”, e o pesquisador Lúcio Flávio Suakozawa, da Rede Universitária da Rota de Integração Latino-Americana (Unirila), que abordou a geopolítica da Rota Bioceânica.

 

A 1ª Jornada de Estudos Estratégicos foi promovida pelo Comando Militar do Oeste (CMO), com o objetivo de fortalecer o pensamento estratégico e promover o diálogo entre os meios acadêmico, militar e governamental sobre temas ligados à defesa, integração e desenvolvimento regional.

 

Ao final do evento, o secretário também foi agraciado com diloma e medalhas do Exército.

Rosana Siqueira, Comunicação Semadesc

Fotos: Mairinco de Pauda/Semadesc

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