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Bombeiros e PM tentaram por mais de uma hora evitar morte no Inferninho

Negociação durou cerca de uma hora e meia e mobilizou equipes especializadas do Corpo de Bombeiros

18 Dez 2025 - 10h00Por Bruna Marques e Clara Farias

No fim da manhã desta quarta-feira (17), o tempo pareceu suspenso no Inferninho, na saída para Rochedo, em Campo Grande. Equipes chegaram, a área foi isolada, o diálogo começou. Do outro lado do precipício, um homem de 31 anos. Do lado de cá, profissionais treinados para tentar impedir que o pior acontecesse.

“É nossa profissão, você quer fazer o melhor com o objetivo sempre de conseguir evitar, mas infelizmente não foi possível. Tentamos dialogar, mas não foi possível convencê-lo e evitar que ele se jogasse da cachoeira”, relatou o tenente bombeiro José Carlos Herculano, do Corpo de Bombeiros Militar.

Segundo ele, cada ocorrência impõe seus próprios limites. “Não tem uma regra sobre taxa de salvamento, varia muito da pessoa, da vítima. As pessoas que já estão decididas a fazer é difícil você reverter a situação, mas a gente, com todos os casos, faz o nosso melhor para tentar resgatar e trazer vida. Esse é o nosso objetivo”.

Enquanto isso, a rotina técnica seguia seu curso. “A gente foca no nosso trabalho, a gente isolou a área pra ninguém ter acesso e darmos continuidade nas negociações”, completou o tenente.

A primeira equipe a chegar foi da Polícia Militar. O sargento Gilmar Antônio de Souza explicou o papel inicial. “Eu, no caso, não tenho curso de especialização de negociador, a gente é chamado de primeiro interventor. Chegou na ocorrência a situação de crise, eu tenho que acionar quem é especializado”.

O chamado foi feito via Copom (Centro de Operações da Polícia Militar). “A gente acionou a equipe, compareceu aqui um bombeiro que é especializado na negociação, deu continuidade à negociação, porém, sem sucesso. Ele estava decidido e depois de mais ou menos uma hora e meia ele se jogou na frente da equipe”.

Antes disso, ainda houve pedidos e negativas difíceis. O homem quis que a irmã se aproximasse da borda para conversar. A avaliação foi de risco, e o pedido não foi atendido. Os familiares, que haviam chegado no início, foram afastados quando a equipe especializada assumiu.

“Nós fizemos a nossa parte, seguimos o protocolo certinho”, disse o sargento. “Chegou no local, é o primeiro interventor, inicia uma negociação, aciona a equipe especializada. A especializada chegou, vai dar andamento à negociação. Mas, infelizmente, a gente faz o que é possível, o que é necessário fazer. Nessa situação que ele estava decidido, infelizmente, esse desfecho trágico, triste pra todo mundo”.

O peso das dívidas - As informações levantadas no local indicam que o motorista de aplicativo havia enviado mensagens à família por volta das 5h, avisando que iria até o Inferninho e informando onde havia deixado a chave de casa.

Morador do Jardim Vida Nova, ele enfrentava dificuldades financeiras, entre elas uma dívida de cerca de R$ 3 mil referente ao aluguel do carro que utilizava para trabalhar. O proprietário do veículo, segundo familiares, havia dito que poderia esperar e que ele ficasse tranquilo.

Durante as negociações, o homem mencionou outras dívidas, inclusive com agiotas, e relatou uso de drogas. Também consumia bebida alcoólica desde cedo e estava com uma garrafa de cachaça em mãos enquanto conversava com as equipes.

Caminhão com guindaste hidráulico utilizado para retirar o corpo da vítima do precipício (Foto: Clara Farias)

Apesar de cerca de uma hora e meia de tentativas, às 11h40 ocorreu a queda. Aproximadamente cinco viaturas do Corpo de Bombeiros permaneceram no local. O corpo foi retirado do precipício com o auxílio de um munck, caminhão com guindaste hidráulico. Equipes da perícia e da Polícia Civil foram acionadas. Quando a reportagem chegou, os familiares já não estavam mais ali. 

Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelos telefones 141 e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.

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