Uma investigação inicial, conduzida há uma década pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, foi arquivada por falta de provas, permitindo que um caso grave de abuso infantil permanecesse oculto. Somente agora, dez anos depois, o crime veio à tona, resultando na prisão de um casal e revelando o sofrimento prolongado de suas vítimas.
Em 2014, na cidade de Ponta Porã, a polícia iniciou uma apuração sobre a suspeita de abuso contra duas meninas, à época com 9 e 12 anos. O estupro foi levantado após a criança mais nova ser diagnosticada com sífilis. A doença, sexualmente transmissível, também foi encontrada no pai e na madrasta das vítimas.
No entanto, durante um depoimento com acompanhamento psicológico, as meninas, sob coação e intimidadas pelo agressor, apontaram um vizinho desconhecido como o autor dos crimes.
Sem evidências que ligassem os pais aos fatos, o caso foi arquivado sob a justificativa de "falta de provas de autoria". A conexão entre a doença sexual presente nos membros da família não foi considerada relevante na época.
A Verdade Resurge
O desfecho, no entanto, veio de forma inesperada. Uma denúncia anônima feita ao serviço Disque 180, dez anos após os crimes, reacendeu a investigação. O homem, de 46 anos, foi apontado como o autor dos abusos e suspeito de ter feito outras vítimas em diferentes cidades, como Campo Grande e Nova Alvorada do Sul, onde o casal residia atualmente.
Com a reabertura do caso, a Polícia Civil localizou as filhas, hoje com 20 e 23 anos. Uma delas, ao ser ouvida na delegacia, confirmou a terrível verdade: os abusos foram cometidos pelo próprio pai por anos, desde a infância. Ela revelou que o medo e a pressão a obrigaram a manter a versão falsa sobre o vizinho.
A segunda filha, em depoimento por videoconferência, também confirmou os abusos, que, segundo ela, começaram quando tinha apenas 7 anos e se estenderam até os 11 anos.
A Rede de Silêncio e a Prisão
As investigações não se limitaram ao casal. As vítimas confirmaram que a madrasta, de 39 anos, não apenas acobertava os crimes, mas também exercia coerção para que as meninas mantivessem o silêncio.
Relatos indicam que o agressor fez outras vítimas, incluindo enteadas e a própria filha da atual companheira, que estava ciente de tudo.
No último sábado (13), o casal foi localizado e preso em Nova Alvorada do Sul. Eles tiveram a prisão temporária decretada, e as investigações seguem em andamento para apurar se há mais vítimas e detalhes sobre os crimes. O desfecho, embora tardio, finalmente trouxe à tona os fatos de uma história que permaneceu oculta por anos.
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