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Presos querem mensalão

IstoÉ: plano de presidiários para extorquir Marcos Valério é descoberto

1 Fev 2014 - 10h23Por Isto É

Na penitenciária da Papuda, Marcos Valério é o condenado número 4 da Ação Penal 470. Mas os dias do operador do mensalão no sistema prisional do Distrito Federal estão perto do fim. Valério já tem matrícula, cela e o uniforme vermelho da penitenciária Nelson Hungria reservados e aguarda apenas um despacho do Supremo Tribunal Federal (STF) para cumprir o primeiro de seus 40 anos de pena em Minas Gerais. Mesmo sem pisar no pátio do presídio de Contagem, Valério já alterou o esquema de segurança da penitenciária. Há quatro anos, quando receberam o ex-goleiro Bruno como o preso mais ilustre da instituição, o Comando de Operações Especiais (Cope) criou um sistema de monitoramento de conversas dos presos para detectar possíveis ameaças ao jogador. E foi esse sistema que, logo depois do anúncio do pedido de transferência de Valério para o presídio mineiro, descobriu que líderes da facção Comando Mineiro de Operações (Comop) estavam combinando um plano para arrancar dinheiro do operador do esquema. “Sabem que o Valério tem dinheiro, posses e poder. Por isso se articularam”, disse um agente penitenciário à ISTOÉ.

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ELE AINDA PODE SE DAR BEM
Tentativa de extorsão a Marcos Valério pode fazer com que ele seja transferido
para local que nem sequer conta com agentes penitenciários

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A trama foi confirmada pelo coordenador do Comando de Operações Especiais do presídio. “Com o intuito de coibir isso, redobramos a vigilância para monitorar individualmente esse preso com poder aquisitivo. Não queremos trazer um fato político para dentro da nossa unidade”, disse Adeilton Souza Rocha, que também preside o sindicato dos agentes penitenciários de Minas Gerais. Para evitar maiores transtornos, a penitenciária de Contagem já providenciou a transferência dos líderes do movimento para outro pavilhão. Segundo Adeilton Rocha, Valério também terá de passar o primeiro mês isolado e “em observação”. “Ele pode ser trocado de cela ou de unidade, se necessário”, afirmou.

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QUESTIONAMENTO
Presidente em exercício do STF, Ricardo Lewandowski
quer saber se há vagas em Contagem

Durante os quatro meses em que ficou preso na penitenciária do Tremembé, em São Paulo, em 2009, Marcos Valério relatou a amigos que sofreu violências físicas e psicológicas de facção criminosa. No presídio de Contagem, no entanto, há quem desconfie da tramoia. É que, graças a essa articulação de presos, Valério pode vir a receber um grande privilégio: garantir a transferência para uma das quatro unidades das associações de Assistência e Amparo ao Condenado (Apac). Essas associações têm política de atendimento humanizado ao preso e nem sequer contam com agentes penitenciários para evitar fugas. As visitas são feitas sem que os familiares passem por revistas. “No fim das contas, ele quer mesmo ir para a Apac e, se requerer, ganha o direito em poucos dias”, atesta o deputado estadual Durval Ângelo (PT), da Comissão de Direitos Humanos que fiscalizou os presídios mineiros. Antes, porém, o operador do mensalão terá de receber a autorização do STF para desembarcar no presídio de Nelson Hungria. Na terça-feira 28, o presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, pediu que o juíz da Vara de Execuções Criminais de Contagem (MG) informe se há vaga na penitenciária. A procuradoria da República já deu parecer favorável. No entanto, administradores da penitenciária da Papuda ouvidos por ISTOÉ afirmam que não entenderam o pedido de transferência do condenado, pois a instituição do DF “tem pavilhões sobrando” e não registra uma rebelião há mais de dez anos. A defesa de Valério alega que as viagens de Belo Horizonte para Brasília estão onerosas para a família do preso e que sua mãe não pode viajar.

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Fotos: Fabiano Rocha/Extra/Agência O Globo; Pedro Gontijo/O Tempo/Folhapress; STF

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