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irmã sósia da presidenciável

Irmã de Marina Silva é "caçada" por repórteres pela semelhança física com a candidata

A ex-seringueira tem sido "caçada" por repórteres brasileiros e estrangeiros

10 Set 2014 - 10h09Por Terra

A ex-seringueira Maria Lúcia Silva do Nascimento, 55, casada, mãe de quatro filhos e avó de seis netos, nas últimas duas semanas tem sido "caçada" na zona rural e nas ruas de Rio Branco (AC) por repórteres brasileiros e estrangeiros do Wall Street Journal, Globo, Folha de S. Paulo, Le Monde, Der Spiegel, O Estado de S. Paulo, Globo News, TV Record e Veja.

Irmã e sósia da candidata à Presidência pelo PSB, Maria Lúcia costuma ser confundida com Marina Silva por onde passa. É comum receber abraços e pedidos de autógrafos. O embaraço aumenta quando nega, com a mesma voz aguda de Marina, que não é Marina.

Além de Marina, Maria Lúcia é irmã de Deuzimar, Maria Aurilene, Maria de Jesus, Maria Elisete, Maria do Socorro e Arleir, o único homem da família. Ela mora há dez anos no Taquari, um bairro pobre de Rio branco, com alto índice de violência, que costuma ser atingido por alagamentos durante as cheias do Rio Acre.

Diferente da irmã presidenciável, Lúcia foi apenas alfabetizada. Trabalha como dona de casa e congrega na Assembléia de Deus, assim como Deuzimar, a irmã mais velha, que frequenta a mesma igreja há mais de 30 anos, bem antes da conversão de Marina. Outras três irmãs são da igreja Deus é Amor. Os dois homens da família, o pai Pedro Augusto da Silva, 87, e seu filho Arleir, se declaram cristãos e de vez em quando frequentam igrejas evangélicas ou católicas.

Familiares, amigos, aliados e adversários políticos de Marina Silva são procurados diariamente pela imprensa brasileira e estrangeira, mas a família tem evitado os repórteres por recomendação da assessoria de Marina.

No final da tarde desta terça-feira (9), na varanda de sua modesta casa, Maria Lúcia concedeu entrevista exclusiva ao Blog da Amazônia com a condição de não falar sobre temas polêmicos da campanha eleitoral da qual a irmã participa. Abaixo, a entrevista:

Qual a lembrança mais remota que você tem de Marina?

A Marina foi criada por nossa avó, mas a gente morava muito pertinho. Nossas casas, na colocação Breu Velho, no seringal Bagaço, ficava a uns cem metros uma da outra. A gente passava o dia trabalhando e brincando. No final da tarde, ela ia pra casa de nossa avó. Então se despedia e a gente dizia: “Tchau, Marinô”.

Marinô?

Era como a gente chamava ela quando éramos pequenas. Era Marina e Marinô. “Tchau, Marinô”, a gente dizia no final do dia. E ela ia pra casa de nossa avó e nós pra nossa casa.

Marina com a família em setembro de 2010

 

Você lembra do dia que ela saiu do seringal com um saco de pano nas costas, com poucas roupas dentro, para ir trabalhar como doméstica em Rio Branco?

Lembro muito bem. Aquele foi um dia muito triste pra nossa família. Nós ficamos chorando, todos preocupados porque ela era uma menina, muito jovem. Tinha uns 15 anos, incompletos.

Dona Júlia, a avó de vocês, foi determinante na vida de Marina?

Sim, sim. Ela era analfabeta, mas muito inteligente, sábia. Ela, assim como meu pai, nasceram em Messejana, no Ceará. Meu pai veio primeiro e depois foi lá buscar ela. E meu pai casou no Acre com minha mãe. Ela também era cearense. Minha avó ensinava Marina a rezar, a ser uma pessoa humilde, e ela sempre foi uma pessoal realmente muito humilde.

E por que Marina morava com sua avó e não com seus pais?

Não sei o motivo dela ter escolhido morar com avó Júlia. Quando Marina veio morar em Rio Branco, a gente já não morava na colocação Breu Velho. Fomos morar em Belém do Pará e quando voltamos fomos morar na colocação São Gonçalo. Meu pai deixou a casa na colocação Breu Velho aos cuidados de uns parentes e quando voltamos ele decidiu que a gente ia morar em outro lugar, lá mesmo, no seringal Bagaço. Até hoje, duas irmãs ainda moram no mesmo seringal. Quando saímos da colocação São Gonçalo, meu pai abriu outra colocação na BR-364. Depois disso, foi quando Marina veio morar em Rio Branco para trabalhar como doméstica.

Após trabalhar como doméstica, Marina foi para um convento, passou a estudar e a atuar nas Comunidade Eclesiais de Base, conheceu Chico Mendes, começou a militar no movimento sindical e veio a carreira política como vereadora, deputada estadual, senadora, ministra, candidata à Presidência. Isso tudo a afastou de vocês?

Não, de jeito nenhum. Afastou pelo fato de a gente não poder estar o tempo todo juntas. Nesses anos todos, todas as vezes que ela vem a Rio Branco a gente se reune na casa de meu pai ou na casa da Deuzimar, a nossa irmã mais velha, ou vamos pra casa dela. Mas contato com Marina nunca faltou. A gente telefona para ela, se a gente demora a ligar ela se encarrega de telefonar pra gente. A distância nunca fez a gente perder o contato.

 

Pedro Augusto da Silva, seu pai, mora no bairro Cidade Nova. É um bairro pobre de Rio Branco que costuma sofrer alagamentos. Você também mora aqui, no Taquari, que é outro bairro pobre, violento, também sujeito a alagamentos. Por causa disso, alguns pessoas dizem que Marina não ajuda a família com empregos no governo estadual ou na prefeitura. Vocês nunca pediram emprego na máquina pública?

Jamais. Só quem estudou foi a Marina. Nós não podemos ocupar um cargo público não sendo capacitados. Não poderíamos fazer isso, jamais. O que que nós ia fazer lá? Fazer o que, sem entender daquilo ali? Nós fazemos aquilo que nós entende. Isso não é feio para nós. Marina é uma pessoa presente nas nossas vidas. Seria uma crueldade colocar num cargo público alguém que não é capacitado só porque é parente dela. Marina estudou. Ela é preparada. Todos nós trabalhamos, tocamos nossa vidas com humildade. Nós somos uma família muito unida. Marina ajuda a todos sempre que é necessário, mas nenhum de nós é dependente dela. Trabalhamos, temos nossos maridos e filhos, que estudam e trabalham. Vamos imaginar o seguinte: digamos que o senhor é formado, tem o seu trabalho e ganha o seu dinheiro. Não é justo a sua família viver às suas custas. Nós somos uma família grande e cada um procura se manter com o fruto do seu trabalho.

Qual a maior virtude de Marina?

A determinação. A humildade também. Tem gente que pergunta se nós temos ideia de quem é a Marina. Nós temos ideia, sim. Para mim ela é como minhas outras irmãs. Não tem diferença. Nós somos assim. As pessoas de fora conhecem a Marina, mas não conhecem a família. Mas por conhecerem a Marina, por saberem quem é ela, dá pra conhecer um pouquinho como é a nossa família. Marina demonstra amor pelas pessoas, mas quanto mais humilde é a pessoa mais ela gosta de demonstrar carinho e respeito.

E qual é a sua expectativa como cidadã com a possibilidade de Marina se tornar presidente?

Espero que, em nome de Jesus, ela faça o possível para que as coisas fiquem melhor do que está.

 

Ao acompanhar a campanha você considera que ela tem sido muito hostilizada pelos adversários?

Não acho.  Acho normal. Já estamos acostumadas a ouvir certas coisas. Estou achando muito tranquilo. Ela está sendo muito aceita pelo povo. Fui fazer panfletagem na noite de sábado, no município de Senador Guiomard, e deu pra perceber o quanto as pessoas estão empolgadas com a candidatura dela.

Quando concorreu à Presidência, em 2010, Marina não foi a mais votada no Acre. Isso pode mudar em 2014?

A população está muito mais receptiva, mas acho melhor não arriscar um palpite. Prefiro esperar o resultado das urnas, embora eu ache que ela terá mais votos do que teve da outra vez.

Voltemos ao Bagaço: Marina gosta de costurar e aprendeu quando criança. Você lembra?

Minha avó gostava muito de costurar e Marina ficava sempre do lado dela fazendo roupinhas de bonecas. Ela costurava muito à mão. Minha mãe tinha máquina, mas minha avó preferia costurar à mão. Marina gostava de brincar muito de boneca. Minha avó fazia as bonecas de pano e a Marina fazia as roupinhas das bonecas. Quando participou do grupo de teatro ela gostava de fazer o figurino. Essas coisas ela aprendeu com minha avó no seringal. Até hoje ela gosta de costurar.  Marina gostava de brincar e trabalhar. A gente saia pra cortar seringa, voltava pra casa, almoçava, depois a gente descansava um pouquinho, e ia trabalhar no roçado. Claro que isso não era todos os dias. Mas a gente gostava daquilo, de trabalhar. Ir pro roçado era como uma brincadeira, uma diversão, uma correndo atrás da outra. Era uma animação. E era bem melhor e diferente do que agora. Não tinha luz elétrica, televisão, videogame, telefone. Talvez as crianças naquele tempo fossem mais felizes. Acho que eram.

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