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Venezuelana expõe filho autista em semáforo e diz que não trabalha pra não perder auxílio do INSS

Mulher, que não quis passar nome verdadeiro, afirma que poderia trabalhar, mas não vai arriscar perder benefício do governo federal

24 Ago 2020 - 13h59Por Repórter MT

Elas sabem dos riscos que os filhos correm e não negam. Sabem que o Ministério Público já ameaçou retirar as crianças de seus cuidados, mas insistem em ficar nas ruas de Cuiabá, pedindo esmola. A desculpa nem é a falta de emprego, mas as crianças. Dizem que não têm com quem deixar os filhos e, por isso, submetem os pequenos ao calor de 40 graus de Cuiabá, aos riscos da rua.

Na manhã desta segunda-feira (24), na rotatória do bairro Santa Rosa, eram duas mulheres com as crianças. Uma delas, que não quis passar o nome verdadeiro, alega que as filhas que vivem na Venezuela não podem saber que está pedindo nos semáforos com o filho de 8 anos. O menino tem autismo e sofre de epilepsia. Ela reclama da falta de ajuda do poder público e da demora em conseguir benefício do INSS. Admite que poderia trabalhar com carteira assinada, como já fez após vir para Cuiabá, mas afirma que não quer para não ter o risco de perder o benefício do filho, sem data para sair.

Com 52 anos, Carla, nome sugerido por ela mesma para ser usado na reportagem, conta que era enfermeira na Venezuela. As duas filhas que ficaram lá têm 25 e 30 anos. Uma é engenheira civil e a outra odontóloga. Estão trabalhando, mas a mãe afirma que o que ganham dá “meio para sobreviver” e, por isso, não podem ajudá-la com o filho mais novo. Sobre o pai da criança, a mulher não fala, mas afirma que não vive com ela e não está em Cuiabá.

Afirma que o motivo principal que a trouxe a Mato Grosso foi que uma amiga, que já estava aqui, disse que ela conseguiria os remédios para o filho por meio do governo. Lá, Carla disse que comprava os remédios, mas começaram a ficar muito caro e a sumir das farmácias.

Em Cuiabá há um ano e três meses, conta que veio para morar com a amiga e nem chegou a passar pela Pastoral do Migrante. Primeiro, a amiga ficou cuidando do filho e ela chegou a trabalhar de costureira, mas não durou muito. Logo a amiga foi trabalhar e ela ficou com a responsabilidade de cuidar do menino.

Desde que chegou, consegue os remédios para o filho e para ela, que trata depressão, na policlínica do Coxipó. Ela mora lá perto, no Residencial Coxipó, mas de terça à sexta-feira pode ser encontrada no canteiro da avenida Antártica, na rotatória do bairro Santa Rosa.

Carla diz que primeiro ficava na região do Coxipó, mas como lá são muitos venezuelanos na mesma situação, pedindo nos semáforos, acabou trocando de ponto. Na grama ela estende um pano e abre um guarda-sol, onde o menino fica sentado, ou pelo menos a mãe tenta fazer ele ficar.

No tempo que a venezuelana conversava com a #reportagem, por várias vezes foi auxiliada pela equipe para não deixar o menino sair de perto. Num determinado momento, por questão de segundos, a mãe conseguiu impedir que ele ingerisse os comprimidos que estavam em um recipiente plástico.

Inquieto, no calor insuportável de Cuiabá próximo ao meio-dia, a criança fica sem opção. Sobre o risco de perder a guarda do filho, a venezuelana critica e opina que o Ministério Público tem que ver a condição de cada pessoa. “Se o recurso não sai (INSS), eu não posso sair daqui. Se levarem meu filho, vão ter que levar eu também. Eu quero trabalhar, mas não posso ter carteira assinada senão corro o risco de não conseguir o benefício do INSS”.

Ela afirma que se este ano o benefício não sair, vai ter que arrumar um emprego e que já tem até uma pessoa que se ofereceu para ajudá-la. Mas primeiro ela quer ter certeza que não vai conseguir o benefício do governo federal.

Carla também reclama que a prefeitura de Cuiabá não ajuda os venezuelanos. Diz que se cadastrou há um ano e nunca recebeu uma cesta básica sequer. Também afirma que não recebeu ajuda para o filho ir para a escola, para poder trabalhar.

Questionada se sabe dos riscos que o filho corre na rua, diz que sim e afirma que por isso “cuida”.

Carla ainda afirma que quer voltar para a Venezuela quando o país melhorar, sem Maduro (presidente Nicola Maduro)

Enquanto isso, não demonstra preocupação. Além de conseguir os remédios na policlínica, afirma que não precisa comprar comida, nem roupa ou brinquedos, pois ganha tudo no semáfaro.

Mas ainda reclama de alguns cuiabanos, que jogam a moeda ao invés de entregar em sua mão. Diz que moeda jogada no chão não pega, “pois não é cachorro”. “E os cachorros são bem tratados aqui né?”, completa.

Junto com Carla estava um jovem, que também é venezuelano. Também não se identificou, mas disse que tinha conhecido Carla há poucos dias e estava procurando um emprego. 

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