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MORTE CEREBRAL

Mulher morreu após ter reação alérgica ao pintar o cabelo

Segundo ela, Karine teve uma crise grave em dezembro do ano passado e precisou de atendimento. Médica alergista afirma que caso é incomum, mas pode ocorrer. Polícia Civil investiga morte.

15 Fev 2021 - 11h20Por G1

A mulher que teve uma reação alérgica grave e morreu após pintar o cabelo em Catalão, no sudeste de Goiás, já havia passado mal ao aplicar tinta nos fios anteriormente, segundo uma amiga. Karine de Oliveira Souza, de 34 anos, teve morte cerebral três dias depois de fazer o procedimento.

Karine foi internada na última quarta-feira (10), na Santa Casa de Catalão, logo após passar mal e ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros no salão de beleza em que pintava o cabelo. A morte cerebral confirmada foi confirmada no sábado (13).

A auxiliar administrativa Thais da Costa Tomé, de 30 anos, conta que, em dezembro do ano passado, Karine, que era asmática, teve uma forte reação alérgica ao pintar o cabelo em casa e precisou ser levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade.

“Ela ficou muito ruim, muito ruim mesmo. Ela deu uma crise de asma, fechou glote, teve que usar adrenalina, corticoide, foi bem sério mesmo”, conta Thais.

Cerca de um mês depois, Karine comentou com Thais, sua amiga há 9 anos, que havia encontrado uma tinta antialérgica importada e que iria testá-la. “Ficamos 1h30 de chamada de vídeo enquanto ela pintava o cabelo em casa e, graças a Deus, não deu nada nesse dia”, diz.

Foi essa tinta que Karine decidiu levar para o salão de beleza no último dia 10, segundo Thais. De acordo com a amiga, ela não chegou a comentar com a cabeleireira e dona do salão que já teve alergia à tinta de cabelo.

"Ela não comentou com a cabeleireira sobre o episódio de dezembro. A cabeleireira não sabia que ela já teve reação alérgica antes. Ela não teve nenhuma culpa”, afirma Thais.

De acordo com Thais, Karine passou mal instantaneamente. “Quando terminou de passar a tinta na raiz, ela já pediu para a cabeleireira lavar, porque estava com coceira nas mãos e no couro cabeludo. Mesmo lavando o cabelo rapidamente, ela já desacordou. Foi muito rápido, foi um choque anafilático”, relata Thais.

Thais e Karine, que morreu após ter uma reação alérgica grave ao pintar o cabelo em Catalão  Foto: Thais da Costa/Arquivo pessoal

Thais e Karine, que morreu após ter uma reação alérgica grave ao pintar o cabelo em Catalão — Foto: Thais da Costa/Arquivo pessoal

Reação alérgica grave

De acordo com a médica alergista Lorena de Castro Diniz, apesar de não ser comum, é possível que uma alergia a um determinado produto químico provoque um choque anafilático: “A reação mais comum é a dermatite de contato, que costuma desenvolver até 48h após a aplicação do produto, mas eventos anafiláticos podem ocorrer imediatamente".

"Toda substância química é passível de reações, ainda mais se ela já tinha uma histórico de reação imediata ao produto”, afirma a médica.

Segundo a especialista, a asma é um fator que aumenta o risco de um choque anafilático. “É um fator de risco, porque a pessoa já tem o pulmão um pouco mais afetado. É um órgão nobre que pode ser uma doença que o paciente tem uma hiperresponsividade”, diz.

Ainda segundo a médica, o fato de um produto ser considerado hipoalergênico, como era a tinta usada por Karine, não significa que ele não irá provocar alergia na pessoa.

“A tinta para quem tem alergia precisa ter a ausência do componente químico que a paciente tem alergia. Não dá para generalizar sobre produto antialérgico, porque, muitas vezes, a composição dele tem o componente que causa alergia para aquela determinada pessoa”, explica.

Segundo a especialista, é fundamental que pessoas que são alérgicas a determinados componentes sempre leiam os rótulos dos produtos.

Além disso, Lorena afirma que o ideal seria que salões de beleza e quaisquer espaços onde são feitos tratamentos com algum tipo de química tivessem um treinamento adequado da equipe e medicamentos básicos para lidar com situações de reações alérgicas graves.

“Todo local que trabalha com produtos potencialmente alergênicos deveria ter pelo menos o básico para agir imediatamente nesses casos, como, por exemplo, uma caneta de adrenalina para aplicação, mas isso não é exigido”, comenta.

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Choque anafilático

De acordo com a médica alergista, o choque anafilático é uma reação alérgica muito grave caracterizado pela lesão de dois ou mais sistemas do corpo humano. No caso de Karine, a especialista acredita, de acordo com os sintomas descrevidos, que a auxiliar administrativa teve três sistemas afetados simultaneamente.

“O sistema respiratório, pela dificuldade de respiração, o sistema cardiovascular, pela falta de circulação sanguínea que pode ter gerado o formigamento das mãos, e o sistema cutâneo, pela coceira na pele”, explica.

Órgãos não puderam ser doados

Inicialmente, a Santa Casa de Catalão, onde a paciente estava internada, disse que os órgãos de Karine seriam doados. No entanto, a assessoria do hospital informou, às 8h41 desta segunda-feira (15), que não foi possível realizar a doação.

“A equipe [de captação de órgãos] veio, porém, [a doação] não foi feita. Por questões técnicas, não foi possível fazer a doação, não teve condições”, disse.

O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Catalão para ser liberado pelo irmão de Karine. Local e horário de velório e enterro ainda não foram definidos, de acordo com Thais.

Investigação

A morte de Karine é investigada pela Polícia Civil. De acordo com a delegada Luiza Veneranda, responsável pela investigação, o inquérito foi instaurado na semana passada e, na manhã desta segunda-feira, a proprietária do salão de beleza foi ouvida na delegacia.

Ainda segundo a delegada, foi feito contato com o médico que acompanhava o caso de Karine e requisitado exame cadavérico ao IML para esclarecer a causa da morte.

Veja outras notícias da região no G1 Goiás.

Karine de Oliveira morreu após uma reação alérgica à tinta de cabelo, em Catalão, Goiás  Foto: Thais da Costa/Arquivo pessoal

Karine de Oliveira morreu após uma reação alérgica à tinta de cabelo, em Catalão, Goiás — Foto: Thais da Costa/Arquivo pessoal

 

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