O Setor de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil de Dourados esclareceu, em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (19), os detalhes por trás do assassinato de Leandro Cáceres Quintana, de 22 anos.
Segundo o delegado Lucas Albe, o crime, ocorrido na última sexta-feira (16), foi motivado por uma desavença antiga, mas a vítima fatal não era o alvo pretendido pelo atirador.
O autor do disparo, um rapaz, de 26 anos, foi preso no sábado (17). De acordo com as investigações, o assasino era amigo de Leandro e frequentava a barbearia da família da vítima. No entanto, na data do crime, houve um desentendimento no local entre o autor e uma terceira pessoa.

Vingança familiar e erro de pontaria
O delegado explicou que a motivação do conflito envolve o irmão do assassino, que está preso desde o ano passado acusado de matar o primo dessa terceira pessoa. Durante a discussão em frente à barbearia, o acusado sacou um revólver e atirou.
“A intenção inicial era atingir o homem com quem ele discutia. No entanto, houve um erro na execução. O disparo saiu na direção errada e atingiu Leandro, que estava ao lado, no peito. Ele matou o próprio amigo por um erro de conduta”, afirmou o delegado Lucas Albe.
Enquadramento criminal
Mesmo sem a intenção direta de matar Leandro, ele foi autuado por homicídio doloso na modalidade de dolo eventual. No entendimento do Direito Penal, ao efetuar um disparo em via pública contra alguém, o autor assume o risco de atingir terceiros.
“A vítima real (Leandro) acaba ocupando o lugar da vítima virtual (o alvo pretendido) para fins de punição”, explicou o delegado.
Facção Criminosa
A polícia revelou ainda que o acusado é integrante de uma facção criminosa. Esse fato explica a dificuldade na localização da arma do crime, que ainda não foi apreendida. Segundo o delegado, em organizações criminosas, as armas circulam rapidamente após delitos para evitar o flagrante.
O assasino não colaborou com informações sobre o paradeiro do revólver, possivelmente temendo represálias da própria facção caso entregasse o armamento à polícia.
A prisão de acusado ocorreu menos de 24 horas após o crime, em uma ação conjunta entre o SIG e a Guarda Municipal de Dourados (GMD). O delegado atribuiu a rapidez na elucidação do primeiro homicídio de 2026 ao regime de prontidão das equipes e à integração entre as forças de segurança e o apoio da população via denúncias.
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Foto: Osvado Duarte / Dourados News