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AFOGAMENTO

Investigação descarta crime e morte de namorados "volta" para afogamento

Corpos foram encontrados uma semana após o desaparecimento, o que dificultou o exame pericial

24 Mar 2026 - 09h16Por Campo Grande News

Quase um ano depois da localização dos corpos de um casal de adolescentes em Sete Quedas, a 468 km de Campo Grande, o desfecho do caso foi afogamento, que tinha sido apontado inicialmente como motivo da morte de Ian Roberto Júnior Batista dos Santos, de 15 anos, e da namorada de 13 anos.

A apuração teve uma reviravolta em julho de 2025, quando a Polícia Civil passou a investigar suspeita de homicídio, após laudo da médica legista apontar perfurações nos corpos. Foi divulgado que o adolescente tinha corte no peito e a garota, na cabeça. Aparentemente, as lesões eram por faca.

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“Através de todos os elementos que foram colhidos acredita-se que a causa da morte se deu por afogamento. Infelizmente, a perícia não conseguiu concluir com precisão a causa, mas todas as diligências foram cumpridas”, afirma a delegada Ridrya Queiroz, titular da delegacia de Sete Quedas.

O inquérito foi remetido ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que solicitou uma oitiva e relatório sobre sinal de celular.


Conforme o delegado Alcides Bruno Braun, adjunto da Delegacia Regional de Polícia de Ponta Porã, o laudo descreve lesões por material perfurocontundente, que pode ser pedra ou pedaço de madeira. “São lesões que podem ser produzidas durante o arrastamento pela água”. Porém o laudo não apontou lesões por material perfurocortante, compatível com faca ou projétil.


Ian Roberto Júnior Batista dos Santos tinha 15 anos. (Foto: Arquivo Pessoal)
Os corpos foram encontrados uma semana depois do casal ter desaparecido, o que dificultou os exames periciais.

“Já estavam em avançado estado de decomposição. Mas nenhum dos laudos aponta qualquer perfuração no corpo, seja por projétil, por faca. As lesões são compatíveis com afogamento. Na data dos fatos, estava chovendo muito e, segundo os vizinhos, a água desce de uma vez e transborda. Os corpos foram encontrados em canais que ficaram da água da chuva”, afirma o delegado.

A lagoa fica na zona rural, num local ermo. Diante da inexistência de câmeras ou testemunhas, a polícia fez levantamento de ERB (Estações Rádio-Base) para verificar celulares que estavam na região. “Para ver se mais alguma pessoa estava com eles. Mas tudo indica que foi afogamento, uma fatalidade”.

Mãe de Ian, Marcilene Oliveira Batista, de 37 anos, moradora de Fátima do Sul-MS, que já havia questionado o andamento da investigação, reclama que se levou um ano para chegar à conclusão de afogamento.

Em busca de esclarecimentos, Marcilene contratou um advogado para ter acesso ao inquérito e procurou na internet a explicação das palavras mais técnicas que encontrava nos documentos da perícia. A mãe afirma que o relatório chega a mencionar que os dois corpos eram masculinos. “Tinha erro no laudo e nenhum dos investigadores viu em 10 meses. Olha o descaso”.

Marcilene Oliveira Batista e o filho Ian. (Foto: Arquivo pessoal)
Conforme o delegado, foi um erro de digitação. “No laudo, teve um erro de digitação. Mas eles descrevem perfeitamente um corpo do sexo feminino. Não é um erro no laudo e essa palavra trocada não trouxe prejuízo para a investigação. A gente entende o sofrimento de uma mãe”, diz o delegado.

 

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