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SONHO INTERROMPIDO

Há um mês de casar 'Bala Perdida' acaba com sonho de estudante de direito

'Ele estava ansioso com a festa', diz irmão de morto na Praça Seca a um mês do casamento

28 Jul 2020 - 18h41Por Extra

Caio de Jesus Barbosa, de 24 anos, estava animado com os preparativos para seu casamento. O matrimônio estava marcado para o próximo mês de setembro, mas a agenda do estudante de Direito já estava cheia de compromissos relacionados com a festa. Nesta terça-feira, aconteceria a sessão de fotos para o álbum. Para sair bonito nos retratos, Caio foi ao barbeiro na noite de segunda-feira. Ao voltar para casa, por volta das 20h, um tiro em meio à guerra entre tráfico e milícia pelo controle da Praça Seca, na Zona Oeste do Rio, interrompeu os sonhos do jovem.

— O Caio estava ansioso com o casamento, mas estava feliz também. Queria ficar bonito no álbum. Por isso, foi num barbeiro amigo nosso. Cortou o cabelo, fez a barba. Na volta, deu carona pro barbeiro, deixou ele em casa e depois estava a caminho de casa, na Praça Seca. Mas já estava acontecendo um tiroteio. E um tiro acertou as costas dele — conta Diego Barbosa, de 30 anos, irmão mais velho de Caio.

No momento em que o jovem voltava para casa — ele morava com os pais num condomínio num dos acessos no Morro da Barão —, traficantes tentavam, pela segunda vez no mês, invadir a Praça Seca, que é dominada por uma milícia. O tiroteio começou por volta das 19h e policiais militares e civis chegaram à região pouco depois para fazer um cerco. Segundo a PM, os agentes fizeram disparos no local pouco antes de Caio ser atingido.

Caio era evangélico e cantava na igrejaCaio era evangélico e cantava na igreja Foto: Reprodução

— Durante o cerco que fizemos, fomos recebidos por disparos dos marginais. Houve um revide por parte dos policiais militares. E essa pessoa teria descido do alto da comunidade num veículo escuro, em alta velocidade, com farol alto aceso e, quando chegou próximo aos policiais militares e civis, o veículo se chocou num poste ou muro ou algo parecido. As equipes socorreram essa pessoa e a levaram para o hospital. Mas ela estava ferida por disparo de arma de fogo e não resistiu — afirmou o coronel Mauro Fliess, porta-voz da PM. A Delegacia de Homicídios (DH) investiga o caso.

Caio era evangélico, cantava na igreja e estava no último período da faculdade de Direito. Após terminar o curso, o jovem queria prestar concurso: ele tinha o sonho de ser delegado. Segundo filho de quatro irmãos, ele trabalhava como motorista de aplicativo durante a pandemia para ajudar a família. Seus pais e irmãos estavam em casa quando souberam que Caio foi baleado e foram ao local onde estava o carro: quando chegaram, o jovem já havia sido levado para o hospital.

Caio foi baleado nas costasCaio foi baleado nas costas

— No fim de semana, na igreja, ele falou, durante o culto, sobre luto, perda. Não imaginávamos que poucos dias depois, estaríamos chorando a perda dele. A família esta arrasada — conta Diego.

O enterro de Caio será na manhã desta quarta-feira no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap.

A Secretaria de Estado de Vitimados (Sevit) ofereceu atendimento social e psicológico para a família de Caio. Segundo nota enviada pelo órgão, "a equipe psicossocial vai acompanhar o caso, auxiliando os parentes do jovem no que for necessário".

Idosa baleada

Uma idosa de 80 anos também foi atingida no tiroteio dentro de sua casa e está hospitalizada. Ela estava no sofá da sala de seu apartamento, na Rua Pinto Teles 495, assistindo à TV, por volta das 19h, quando foi atingida por uma bala de fuzil, que entrou por uma perna e se alojou na virilha. A mulher - uma parente pediu para que não a identificasse - foi socorrida e está internada no CTI de um hospital particular.

Projéteis de fuzil encontrados ao longo de anos em prédio onde idosa de 80 anos foi baleada na Praça SecaProjéteis de fuzil encontrados ao longo de anos em prédio onde idosa de 80 anos foi baleada na Praça Seca Foto: Reprodução TV Globo

No início deste mês, criminosos da maior facção do tráfico no Rio já tinham tentando retomar comunidades da Praça Seca, dominada desde 2017 pela milícia. Participaram do ataque bandidos dos complexos do Lins e da Penha, ambos na Zona Norte. Na ocasião, apesar dos ataques, os traficantes não conseguiram retomar o território.

Traficantes começaram a planehar a retomada da Praça Seca antes mesmo da pandemia do novo coronavírus. Policiais civis e militares que investigam o crime na região já sabem que o primeiro passo dado pela quadrilha para preparar o ataque foi a tomada dos morros do Dezoito e do Saçu, em Quintino, na Zona Norte, em março deste ano. As duas favelas são vizinhas à Praça Seca e foram usadas como ponto de apoio para a invasão.

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