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FOGO NO PANTANAL

El Niño eleva risco de fogo no Pantanal, e MS assegura resposta estratégica com bases avançadas, aer

5 Fev 2026 - 08h00Por Natalia Yahn, Comunicação Governo de MS

A influência do fenômeno climático El Niño em Mato Grosso do Sul neste ano vai intensificar a possibilidade de ocorrências de incêndios florestais nos biomas do Estado, como o Cerrado, a Mata Atlântica e, especialmente, o Pantanal. O El Niño interfere no regime de chuvas e no padrão de temperatura e de ventos, elevando consideravelmente o risco de fogo na região.

Em Mato Grosso do Sul o fenômeno atua de forma direta, deixando as temperaturas mais quentes - situação que em 2026 tem previsão de ocorrer durante o inverno - e provoca também irregularidades de chuva. Diante de tal cenário, o Estado já conta com uma estrutura de resposta ágil, que envolve tecnologia, mobilização com aeronaves e por terra nas bases avançadas, além de um planejamento com ações estratégicas de prevenção e combate aos focos.

A meteorologista Valesca Fernandes, do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul), explica que em todo o Estado, a situação deve se agravar nos próximos meses, após período de chuvas abaixo do esperado até janeiro. Mesmo com mudança do cenário desde o início de fevereiro, quando alguns municípios já superaram a média de chuva esperada para todo o mês, a situação ainda é de alerta.

Os dados são consolidados a partir do monitoramento de 48 municípios, com informações da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).

"Em relação ao El Niño, a época é de condições de neutralidade para o trimestre de fevereiro, março e abril. Porém, no segundo semestre, há um indício de retorno do fenômeno e que pode favorecer a ocorrência de temperaturas acima da média e as ondas de calor", explica Valesca, que completa.

"Essa situação casa exatamente durante o período seco, que seria quando a gente tem a umidade muito baixa. As condições das altas temperaturas, ondas de calor, baixo valor de umidade relativa do ar, todo esse cenário pode intensificar o aumento para a ocorrência de incêndios florestais".

O aumento dos eventos severos é uma das principais características causadas pelo El Niño, que interferiu na ocorrência das temperaturas mais quentes já registradas, entre 2023 e 2025. A previsão, de acordo com o Cemtec, é de que o El Niño deve se desenvolver entre o fim do outono e o início do inverno, mas o aquecimento das temperaturas está previsto a partir de março.

De forma geral, o El Niño também vai influenciar o próximo período úmido, que deve ser de chuvas irregulares e insuficientes, abaixo da média histórica.

Capacidade de resposta

 

Diante do cenário, o Governo de Mato Grosso do Sul tem previamento preparado ações de prevenção e combate aos incêndios florestais, para resposta ágil e eficiente em todos os biomas. O trabalho do Corpo de Bombeiros é realizado por terra e ar, com utilização de aeronaves para combate às chamas em locais de difícil acesso e transporte de equipes.

A atuação também conta com uso de tecnologia, sendo os drones e as análises de georreferenciamento importantes aliadas para tornar o trabalho de controle e extinção do fogo mais efetivo.

Na Operação Pantanal 2025, houve registro de redução expressiva no número de focos de calor e área queimada pelo fogo. A área queimada foi de pouco mais de 202,6 mil hectares em Mato Grosso do Sul, volume inferior ao registrado em 2024, quando mais de 2,3 milhões de hectares foram consumidos pelas chamas. Em ambas as situações, a atuação do Governo do Estado foi essencial para controle e extinção do fogo, com trabalho preventivo.

A redução histórica resulta de um conjunto de fatores, incluindo a maior conscientização da população, o fortalecimento da atuação interinstitucional, a eficácia na resposta rápida aos focos de incêndios, além da qualificação técnica das equipes, com quase 1 mil brigadistas formados no ano passado, além de condições climáticas ligeiramente mais favoráveis, mesmo diante do déficit hídrico persistente.

A atuação do Corpo de Bombeiros Militar na fase de preparação, com manejos preventivos do fogo, capacitações de bombeiros militares e formação de brigadistas, além do trabalho essencial realizado desde 2024 com instalação de bases avançadas no Pantanal, desempenharam papel essencial no tempo de resposta das equipes.

Base avançada dos Bombeiros no Amolar contribui para atuação eficiente nos combates aos incêndios

Já na fase operacional, os Bombeiros monitoraram 924 eventos de fogo detectados por satélite e combateram diretamente 88 deles, resultando em 1.105 ações de combate. No total, 1.298 militares foram mobilizados, com apoio de 60 viaturas para atender 4.391 ocorrências registradas, a maioria em regiões urbanas ou periurbanas.

"É importante ressaltar que, ao longo de todo o ano, o Corpo de Bombeiros manteve um padrão consistente de qualidade no trabalho. Com as equipes em campo, nos ciclos da operação, em diversos casos conseguimos combater os focos de incêndio antes mesmo de serem registrados pelos sistemas de monitoramento via satélite", explicou o subdiretor de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira.

Natalia Yahn, Comunicação Governo de MS
Foto de capa: Álvaro Rezende/Secom/Arquivo
Galeria 1: Bruno Rezende/Secom/Arquivo
Galeria 2: Álvaro Rezende/Secom/Arquivo

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