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INACREDITÁVEL

Cadeirante mudo assalta joalheria com arma nos pés; assista ao vídeo

Jovem com deficiência entregou bilhete para avisar que era roubo e apontou réplica de pistola para comerciante, na tarde desta segunda-feira, no Centro de Canela

26 Mai 2020 - 07h50Por NH

“Inacreditável” era a palavra usada por vítimas e policiais após assalto a uma joalheria na tarde desta segunda-feira em Canela. O crime foi tentado por um cadeirante surdo-mudo de 19 anos, por volta das 15h30, na Rua Júlio de Castilhos. Sem movimentos dos braços em razão de paralisia cerebral, ele usou os pés para entregar um bilhete com o aviso de roubo. Também com os pés, apontou uma pistola para o comerciante. Um funcionário viu e chamou a Brigada Militar, que prendeu o jovem. A arma era uma réplica. O bilhete tinha sido escrito por ele com os pés.

Sem imaginar a intenção o jovem com deficiência, uma cliente e o próprio lojista chegaram a entregar dinheiro para ele. “O rapaz veio com a cadeira elétrica e ficou no canto. Uma cliente colocou 5 reais no bolso dele antes de ir embora. A gente pensou que ele queria doações. Eu também fiquei com pena e dei dinheiro”, conta o lojista.

O plano

O cadeirante estava esperando os clientes saírem para executar o plano. Foram aproximadamente dez minutos. Quando o último foi embora, ele alcançou uma folha de caderno ao comerciante. “Passa tudo. Não chama atenssão (sic)” era o recado, com erro ortográfico e caligrafia irregular. “Achei que era brincadeira. Depois ele puxou a arma com os pés. Aquela pistola parecia de verdade. Um rapaz ali atrás viu e logo ligou para o 190.” Outra pessoa, que teria entrado no momento, pareceu não se assustar.

Avisada, a Brigada foi preparada para possível confronto. A descrição era de um cadeirante armado. Sem detalhes do tipo de limitação de movimentos e da mudez. Quando os policiais chegaram, o simulacro estava no chão. O deficiente foi levado à delegacia.

Delegado liberou jovem e abriu inquérito

O suspeito prestou depoimento na presença de um familiar, que auxiliou na compreensão do relato, e foi liberado. O delegado de Canela, Vladimir Medeiros, abriu inquérito. “As circunstâncias do fato devem ser aprofundadas, o que somente através de uma investigação é possível”, comenta Medeiros. Ele frisa que, pelos elementos levados à delegacia, seria um crime impossível de ser consumado. “Especialmente se considerada a condição física do investigado, inclusive em razão da impossibilidade de fuga”, observa. A Polícia analisará imagens das câmeras internas e externas da joalheria. O investigado, que não tem antecedentes criminais, teria agido sozinho. Nas redes sociais, com orgulho por meio de frases e imagens, ele se diz membro da facção Os Manos. 

Irmão gêmeo está recolhido por homicídio

A história ganha novos contornos surreais pela família do cadeirante, que é de Canela e frequentava escola na área central até o ano passado. Ele tem um irmão gêmeo, sem deficiência física, que está preso por um assassinato e uma tentativa de homicídio. Cumpre pena no presídio de Canela.

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