Uma tragédia chocou o município de Bandeirantes, a 58 quilômetros de Campo Grande, na tarde deste domingo (12). Andreia Ferreira, de 40 anos, foi morta a tiros pelo marido, identificado como Carlos Alberto da Silva, de 38. O crime ocorreu dentro da residência do casal, na frente da filha adolescente da vítima. Após cometer o feminicídio, o autor fugiu e continua sendo procurado pelas autoridades policiais.
De acordo com informações preliminares, o casal havia participado de um terço religioso durante a tarde. Em seguida, ambos retornaram para casa, onde começaram a discutir. Durante a briga, Andreia teria danificado o carro do marido com pedras. Momentos depois, o suspeito pediu que a enteada e o namorado dela entrassem na residência. Foi nesse momento que a mulher foi assassinada a tiros.
A Polícia Civil foi acionada e compareceu ao local, dando início às investigações e às buscas pelo autor do crime. Conforme os registros, Andreia já havia procurado as autoridades anteriormente para denunciar o marido por episódios de violência doméstica, nos anos de 2023 e 2024.
O caso representa o 30º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2025 e o segundo em apenas três dias. Na última sexta-feira (10), Erivelte Barbosa Lima de Souza, de 48 anos, foi morta a facadas pelo companheiro em Paranaíba. O suspeito foi preso logo após o crime.
A escalada da violência contra a mulher no estado tem preocupado as autoridades e organizações de defesa dos direitos femininos. Com 30 mulheres mortas neste ano, os números refletem a urgência de políticas públicas mais eficazes para proteger as vítimas e punir os agressores.
Mulheres vítimas de feminicídio em 2025 em Mato Grosso do Sul
- Karina Corim (Caarapó) – 4 de fevereiro
- Vanessa Ricarte (Campo Grande) – 12 de fevereiro
- Juliana Domingues (Dourados) – 18 de fevereiro
- Mirielle dos Santos (Água Clara) – 22 de fevereiro
- Emiliana Mendes (Juti) – 24 de fevereiro
- Gisele Cristina Oliskowiski (Campo Grande) – 1º de março
- Alessandra da Silva Arruda (Nioaque) – 29 de março
- Ivone Barbosa (Sidrolândia) – 17 de abril
- Thácia Paula (Cassilândia) – 11 de maio
- Simone da Silva (Itaquiraí) – 14 de maio
- Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaí) – 23 de maio
- Graciane de Sousa Silva (Angélica) – 25 de maio
- Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio
- Sophie Eugenia Borges (Campo Grande) – 28 de maio
- Eliana Guanes (Corumbá) – 6 de junho
- Doralice da Silva (Maracaju) – 20 de junho
- Rose (Costa Rica) – 27 de junho
- Michely Rios Midon Orue (Glória de Dourados) – 3 de julho
- Juliete Vieira (Naviraí) – 25 de julho
- Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo) – 31 de julho
- Salvadora Pereira (Corumbá) – 2 de agosto
- Letícia Ananias de Jesus (Cassilândia) – 8 de agosto
- Dahiana Ferreira Bobadilla (Bela Vista) – 8 de agosto
- Érica Regina Mota (Bataguassu) – 27 de agosto
- Dayane Garcia (Nova Alvorada do Sul) – 3 de setembro
- Iracema Rosa da Silva (Dois Irmãos do Buriti) – 8 de setembro
- Ana Taniely Gonzaga de Lima – 13 de setembro
- Gisele da Silva Cylis Saochine (Campo Grande) – 2 de outubro
- Erivelte Barbosa Lima de Souza (Paranaíba) – 10 de outubro
- Andreia Ferreira (Bandeirantes) – 12 de outubro
Onde buscar ajuda em casos de violência contra a mulher
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira funciona 24 horas por dia, inclusive nos fins de semana, na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá. O espaço oferece atendimento policial, jurídico, social e psicológico, além de alojamento temporário, brinquedoteca e a atuação da Patrulha Maria da Penha e da Guarda Municipal. O telefone é 153.
Também estão disponíveis os números 180 (Central de Atendimento à Mulher) e 190 (emergência policial). O número 180 é gratuito, funciona 24 horas e garante o anonimato da pessoa que faz a denúncia.
O programa Promuse também realiza atendimentos e pode ser contatado pelo WhatsApp ou ligação no número (67) 99180-0542.
No interior do estado, as Delegacias de Atendimento à Mulher (DAMs) estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
Casos de negligência ou irregularidade na atuação policial podem ser denunciados à Corregedoria da Polícia Civil de MS, pelo telefone (67) 3314-1896, ou ao GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do Ministério Público, pelos números (67) 3316-2836, 3316-2837 e 9321-3931.
A violência contra a mulher é um problema social grave e contínuo, que exige atenção, empatia e ação por parte de toda a sociedade. Denunciar é o primeiro passo para salvar vidas.
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