Os principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026 escaparam da tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo de Donald Trump. O cruzamento entre os dados do Comex Stat, do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e a lista final de exceções divulgada pelo governo norte-americano mostra que nove dos dez itens mais vendidos pelo Estado ao mercado americano ficaram fora do tarifaço.
Entre janeiro e junho, as exportações sul-mato-grossenses aos Estados Unidos somaram US$ 371,02 milhões. Somente os dez principais produtos responderam por US$ 368,37 milhões, o equivalente a 99,3% de toda a receita obtida pelo Estado naquele mercado.
Desse grupo, produtos que somaram US$ 358,57 milhões foram abrangidos pelas exceções. O valor representa 96,6% de tudo o que Mato Grosso do Sul exportou aos Estados Unidos no período.
A medida da USTR (Representação Comercial dos Estados Unidos) estabelece uma tarifa adicional de 25% sobre os produtos brasileiros, mas exclui mercadorias relacionadas em anexos específicos. A cobrança passa a valer para produtos que entrarem para consumo no país a partir de 22 de julho de 2026.
Veja, abaixo, a lista de exceções do governo norte-americano:
Carne, ferro-gusa e celulose ficam de fora
A carne bovina desossada congelada liderou as vendas de Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos no primeiro semestre, com US$ 190,37 milhões. O produto ficou isento da tarifa adicional.
Também escapou a carne bovina desossada fresca ou refrigerada, que gerou US$ 20,08 milhões. A lista americana contempla as diferentes subdivisões tarifárias da carne fresca e congelada classificadas nos grupos 0201 e 0202.
Com isso, as duas principais categorias de carne bovina exportadas pelo Estado e incluídas no ranking somaram US$ 210,45 milhões protegidos do novo adicional.
O ferro-gusa, segundo maior produto da pauta estadual para os Estados Unidos, também foi excluído. As exportações alcançaram US$ 74,24 milhões no semestre. A inclusão do ferro-gusa entre as exceções foi confirmada pela USTR após a análise das manifestações apresentadas durante o processo.
A celulose, com US$ 59,38 milhões, igualmente aparece entre os produtos protegidos. O código americano correspondente à mercadoria consta da relação de exceções apresentada no anexo.
Veja a situação dos dez principais produtos:
A carne salgada, seca ou defumada aparece no grupo 0210.20 da lista americana. Filés de tilápia, determinados couros bovinos, fécula de mandioca e tapioca também têm correspondências entre as exceções.
Sebo bovino permanece exposto
A principal exceção dentro do top 10 é o sebo bovino fundido, que rendeu US$ 9,81 milhões no primeiro semestre. A mercadoria não foi identificada na relação específica de produtos dispensados e, portanto, permanece sujeita ao adicional de 25%.
Embora a carne bovina tenha sido preservada, o resultado mostra que a cadeia frigorífica sul-mato-grossense não ficou completamente imune. O sebo é utilizado como insumo industrial, inclusive na produção de combustíveis, sabões e outros derivados.
Entre os produtos de menor valor que também permanecem potencialmente expostos estão couros bovinos preparados, concentrados de proteínas, álcool etílico, ovos sem casca, sementes forrageiras e alguns alimentos industrializados.
A USTR informou que manteve fora do tarifaço matérias-primas consideradas essenciais, produtos cuja cobrança poderia provocar problemas de abastecimento nos Estados Unidos e itens que não poderiam ser produzidos internamente em quantidade suficiente ou adquiridos de outros fornecedores em condições adequadas.
Considerada toda a pauta de Mato Grosso do Sul aos Estados Unidos, e não apenas os dez primeiros colocados, os produtos potencialmente sujeitos à cobrança somaram cerca de US$ 10,79 milhões no primeiro semestre.
NotíciasMS
O montante corresponde a aproximadamente 2,9% dos US$ 371,02 milhões exportados pelo Estado ao país. Já os itens protegidos representam perto de 97,1% da receita.
Arquitetura do tarifaço
O tarifaço de 25% anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, começou a ser desenhado em junho, quando o USTR (Representação Comercial dos Estados Unidos) concluiu uma investigação com base na Seção 301 da legislação comercial americana e recomendou a aplicação da sobretaxa sobre produtos brasileiros. Após analisar manifestações de empresas e entidades dos dois países, Trump confirmou nesta quarta-feira (15) a medida, que entra em vigor em 22 de julho, mas com uma extensa lista de exceções.
Antes da decisão, empresas como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens Energy pediram que a cobrança não fosse implementada. Também houve manifestações de entidades empresariais brasileiras e americanas durante uma audiência pública promovida pela USTR (Representação Comercial dos Estados Unidos).
A lista final de isenções acabou preservando diversos produtos estratégicos para o comércio entre os dois países, entre eles carne bovina, ferro-gusa, celulose e outros itens que concentram a maior parte das exportações de Mato Grosso do Sul para o mercado norte-americano.
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