Menu
FARMÁCIA_CENTROFARMA_FULL
terça, 29 de setembro de 2020
SADER_FULL
Busca
ÁGUAS DE BONITO
VITIMA DA COVID 19

Aos 38 anos, João Paulo foi levado pela covid-19, mas deixou missão cumprida em MS

Sem nenhuma comorbidade, técnico de enfermagem deixa legado de amor à família e ao próximo

5 Ago 2020 - 12h18Por Campo Grande News
Vinte anos de profissão, de casamento e apenas 38 de vida. João Paulo Rodrigues da Matta, por tudo que se ouve e se lê sobre ele, parece ter vivido bem mais que isso, o que comprova a intensidade de seu tempo na terra.
 
Parado pela covid-19 em 28 de julho, foram 17 dias de luta intensa para que o vírus não o vencesse, mas pelas palavras da própria esposa, João se foi porque “cumpriu sua missão”.
 
Técnico de enfermagem, João era conhecido e querido em Campo Grande. Há chuva de homenagens nas redes sociais, de amigos, colegas de trabalho e de fé. Especializado no atendimento a pacientes com câncer, ele lutava por uma enfermagem humanizada, como lembrou a esposa, Luciana Franco da Matta, 37 anos, professora.
 
Profissional dedicado, cresceu na área com muito esforço, conforme a esposa, e conseguiu alcançar seus objetivos fazendo o que amava: cuidar de pessoas.
 
“Ele atendia os pacientes em qualquer horário que ligassem, ele atendia. Tinha muito amor ao seu ofício, à sua profissão”, destaca Luciana.
 
Técnico de enfermagem, João era apaixonado por sua profissão. (Foto: Arquivo da Família)
Ela lembra que o marido se preparava para disputar uma vaga na Câmara de Vereadores nas eleições deste ano e que lutava por uma saúde mais humanizada. “Ele ia lutar por uma enfermagem mais humanizada”, destaca, afirmando que pelo seu exemplo, deixa um legado de amor à família e ao próximo.
 
E foi em família o surgimento do vírus. Entres os dias 11 e 12 de julho todos da casa – João, esposa, filha de 16 anos e filho de 12 – começaram a apresentar sintomas. João foi o primeiro a fazer o teste para saber se era coronavírus, o que foi confirmado no dia 14 de julho.
 
A partir daí, ele começou a tomar toda medição prevista em protocolo para os sintomas da doença, desde a hidroxicloroquina, até azitromicina, sulfato de zinco, ivermectina e a vitamina D3. Mas a doença avançou e em 17 de julho ele, já com falta de ar, foi parar no hospital, com saturação (oxigenação do sangue) em 89%, bem abaixo do 93%, considerado limite.
 
“Ele foi só agravando”, comentou Luciana, lembrando que os medicamentos, ao menos no caso de João, “não ajudaram em nada” e que ele apresentou “febre todos os dias”.
 
João foi ao hospital na noite de sexta, dia 17, “porque não aguentava mais” e segundo a esposa, o marido esperou para buscar atendimento médico, porque aguardava que as medicações fizessem algum efeito, já que a administração é por cinco dias.
 
No Hospital Unimed, ele de deparou com a falta de vaga e foi encaminhado para o Proncor, onde ficou recebendo oxigênio na enfermaria. Seis dias depois, em 23 de julho, precisou ser entubado, porque o quadro agravou.
 
“Ele não tinha nenhuma outra doença, era extremamente saudável, forte, tinha uma boa imunidade, nem dor de cabeça ele sentia e sempre praticava esportes”, afirmou Luciana, sem ter uma explicação técnica sobre a razão do organismo de João não ter resistido à covid-19. “Os exames de sangue dele estavam todos alterados”, comentou.
 
Para ela, não há como saber onde o marido foi infectado, até porque, por trabalhar com pacientes oncológicos, todos os cuidados que ele tinha eram redobrados. “O vírus é invisível, não faço ideia de como pegamos a doença”.
 
Despedida – Antes de ser entubado, João mandou uma mensagem à esposa, dizendo que a amava e que estava com saudades. A esposa então ligou para ele, mas como ele estava com máscara de oxigênio, não conseguia falar e emocionado, desligou a ligação. Luciana chora ao lembrar.
 
A família então, junto com amigos e parentes, fez um vídeo e enviou a ele. João assistiu pelo celular da enfermeira que o atendia e segundo a esposa, “ele ficou bem emocionado”.
 
A profissional então ligou para Luciana, para que ela fosse buscar a aliança, já que na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) ele não poderia ficar com o objeto. Pela enfermeira ele pediu que avisasse que “ia ficar tudo bem e que amava muito a gente (esposa e filhos)”, relembra Luciana, chorando.
 
Segundo ela, duas situações da vida do marido precisam ser registradas: o amor entre ele e ela e o reencontro com um irmão, que ele não conhecia.
 
“Nossa história de vida é linda. Casamos eu com 18 e ele com 19, crescemos juntos, 20 anos juntos, mais da metade da nossa vida foi um ao lado do outro. Tudo que conquistamos foi com muito amor e com muito esforço”, sustentou.
 
Sobre o reencontro com a irmã, Luciana diz que foi emocionante e era algo que por anos era sonhado pelo marido. “Ele conheceu o irmão dele depois de 37 anos. Uma cunhada que o achou em São Paulo. Quando ele conheceu o Felipe Augusto, fizemos festa e inclusive, a mãe deles não o conhecia”.
 
Por tudo isso, Luciana acredita que o marido morreu “satisfeito” com tudo que viveu e construiu. “Sou cristã. Acredito que pra tudo há um propósito. Se nós quatro pegamos, por que só ele piorou? É um propósito de Deus, ele cumpriu a missão dele aqui nessa terra”.

Deixe seu Comentário

Leia Também

LUTO NA MÚSICA
Produtor musical Arnaldo Saccomani morre aos 71 anos
VITIMAS DA COVID 19
Médico de MT morre com covid três dias após perder a mãe para a doença
VAMOS AJUDAR - COMPARTILHE
Jovem de MT morre na Espanha e família pede ajuda para trazer corpo
LUTO NA MEDICINA
Médico campo-grandense que trabalhava em Rondônia morre vítima de coronavírus
VITIMA DA COVID 19
Fátima do Sul registra a 8ª morte por Covid 19
VITIMA DA COVID 19
Presidente da igreja El Shaddai, pastor morre vítima do coronavírus
SAUDE DE LUTO
Covid levou Gilson aos 40, 6ª morte de profissional de enfermagem
TRAGÉDIA NA FAMILIA
Acidente mata pai e filho de 3 anos; 3 mulheres estão em estado grave
100 VELÓRIO
Família proibida de velar idosa descobre que causa da morte não foi covid em Campo Grande
ANIMAL NA PISTA
Jovem morre após colisão entre motocicleta e cavalo solto em rodovia de MS