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AMOR

'Adotei os 2 filhos da minha cunhada com vício em drogas'

Família perdeu casa em enchente, mas reservou o coração para o AMOR

11 Jan 2022 - 09h28Por Razões para Acreditar

A dona de casa Karla Salvador, de Castelo (ES), é mãe de 2 meninas, mas reservou um espaço no coração para adotar os dois sobrinhos, abandonados pela progenitora que vive em situação de rua.

Em meio às dificuldades financeiras e a tragédia que viveu após uma enchente, que destruiu sua casa, sua família se mantém resiliente e unida.

“Conheci meu marido, Romário, no ano 2000, quando eu tinha 14 anos e ele 23. Logo fomos morar juntos. Minha família foi contra já que ele, na época, se encontrava em uma situação periférica. Para seguir com esse amor encarei muito preconceito", contou a capixaba de 35 anos em relato à Revista Marie Claire.

Após quatro anos de casamento, eles tiveram sua primeira filha, Karolayne. “E depois de 12 anos, Carla, irmã do meu marido, engravidou. Ela se encontrava em situação de rua e era viciada em crack. Um dia, eu estava no consultório do dentista quando recebi uma ligação de Carla pedindo para eu ser sua acompanhante no hospital. Ela estava dando à luz. Corri para o hospital da nossa cidade, Castelo, no Espírito Santo, e quando cheguei ela tinha acabado de ter um menino”, revelou Karla.

A mulher do bebê recém-nascido não tinha preparado nada para a chegada do filho. “Nenhuma roupinha, fralda, chupeta. Nada. Meu marido e eu pegamos dinheiro emprestado e compramos um pequeno enxoval. Quando os dois tiverm alta foram para nossa casa e lá ficaram por 40 dias”.

Semanas depois, lamentavelmente, a cunhada de Carla deixou o bebê de lado. “Ela só queria ficar de bar em bar levando o bebê recém-nascido. Nós fomos contra isso e ela sumiu com o bebê. Ficamos muito preocupados, claro. Fomos atrás dela por toda cidade e não a encontramos. No Conselho Tutelar disseram que não podiam fazer nada”, contou a dona de casa.

Imagem: Revista Marie Claire

E lá foi ela passar em todas as bocas de fumo de Castelo procurando Carla e o bebê. “Até que, em uma delas, encontramos mãe e filho numa situação crítica. A criança estava enrolada em uma toalha toda suja. Ela estava drogada. Levamos o bebê para casa e corri para minha vizinha dar de mamar a ele. Demos um banho na criança e trocamos sua fralda e roupinha”, relembrou.

As coisas chegaram a um ponto crítico no dia seguinte. “Carla apareceu ainda toda ‘noiada’ querendo dar de mamar ao filho. Não a deixei entrar. Chamei o Conselho Tutelar e eles pediram para eu devolver o bebê para a mãe. Não concordei. Decidi lutar pelo menino. A mãe não tinha condições de cuidar do filho vivendo em bocas de fumo atrás de drogas”, disse Karla.

Nos meses seguintes, Romário e Karla lutaram pela guarda definitiva do bebê. Enquanto isso, a cunhada passou um bom tempo no lar do casal, sempre ido e vindo, com diversas recaídas. “Dois meses depois, a promotoria da cidade nos concedeu a guarda provisória do bebê. O batizamos de Pedro”, disse Karla.

Infelizmente, devido ao uso progressivo de drogas por parte da mãe biológica, Pedro teve sequelas e não desenvolveu a fala. “Ele tem rinite, sinusite, bronquite e asma. Ele também tem autismo. Pedro precisa fazer uma cirurgia para voltar a ter audição e só não operou ainda porque veio a pandemia e atrapalhou tudo, mas vou dar entrada novamente nos papéis para o meu menino conseguir operar e voltar a ouvir”, disse a mãe adotiva.

Nesse meio-tempo, a capixaba engravidou de novo e veio ao mundo a Karolyna. “Fiquei com dois bebês pequenos em casa e precisei deixar o meu emprego para cuidar em tempo integral dos dois. Hoje Pedro está com 5 anos e Karolyna, com 4″.

Para complicar tudo, em 2019, Romário e Karla perdeu completamente sua casa para uma grande enchente. Com sorte, eles não se feriram na tragédia. Quinze dias antes saímos para a casa da minha família para fazer uma pequena reforma na nossa. A enchente veio e carregou tudo, minha casa foi inteira rio abaixo. Nossa casa era simples, tinha somente três cômodos (um quarto, uma cozinha e um banheiro pequeno), mas era nossa”, lamentou.

Depois do ocorrido, a família precisou voltar a pagar aluguel para morar. “Perdi todos os móveis e eletrodomésticos. Tivemos que nos refazer aos poucos e comprar devagar cada item de casa. Mas, graças a Deus, não perdi a minha vida, nem do meu marido e dos nossos filhos”, disse Karla.

Imagem: Revista Marie Claire

Em maio do ano passado, veio uma boa notícia: a Justiça decidiu em favor da mãe adotiva no processo de acolhimento definitivo de Pedro. “Tive a sensação de alívio por ter meus filhos comigo, todos crescendo e sendo bem cuidados”, disse.

Menos de uma semana após a decisão, Carla, a cunhada, retornou à casa da dona de casa – agora, com uma menina nos braços. “‘Cunhada, minha neném está aqui passando mal, vê aí o que você faz’, ela me disse. Como recusar ajuda? Eu não podia. Peguei a criança e a levei para o hospital. Ela estava realmente passando muito mal e o Conselho Tutelar disse que podíamos ficar com ela”, relatou.

Uma vez mais, a família da capixaba foi contra, pois ela e o marido já estavam passando por muitas dificuldades para criar 3 crianças. Ainda assim, ela não pensou duas vezes. “Acolhi a menina e a levei do hospital direto para a minha casa. Já estava apegada, ela precisava do meu amor e cuidados de mãe. Demos a ela o nome Ketllin”.

Apesar da mãe biológica tentar manter certo contato com os filhos no início, ela logo sumiu de novo. “Ela anda tão alucinada que mal lembra que tem filhos”, lamentou Karla.

Enquanto isso, a luta da família Salvador continua para cuidar das 4 crianças. “Estou desempregada e sigo me virando como posso para dar o que comer aos meus filhos. Quando sobra tempo, faço uns bicos como faxineira. A luta é diária, mas sentir o amor dos quatro é algo sublime, não tem preço. Aqui tenho amor de sobra para todos eles. Eu amo os quatro igualmente”, enfatizou a mãe com coração infinito.

Ela pode contar com a ajuda de alguns conhecidos, que doam fraldas, roupas e cesta básica, uma vez que seu marido ganha um salário mínimo, e mal dá para cuidar de um filho, quanto mais de quatro.

“Soube que a minha cunhada está grávida de novo. Já recorri à Justiça para que possamos conseguir que ela faça uma laqueadura. Caso contrário, Carla seguirá tendo vários filhos por aí sem ter a mínima condição de criá-los. Ela sabe que os filhos estão bem cuidados comigo e sempre me agradece por cuidar deles. O menino, Pedro, a chama de tia. Ele acredita que a mãe dele sou eu”, disse Karla.

“Em breve devo ganhar mais um filho. Não tenho a menor condição de ter mais uma criança em casa, mas também não sei virar as costas para uma criança indefesa, mesmo sangue dos meus filhos, um ser humano que precisa do meu amor e dos meus cuidados para sobreviver e ter uma vida digna”, completou ela.

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