Conjuntura | 19 de outubro de 2009 - 16:14

Aliança com PT em 2010 contraria setores históricos do PMDB no Estado

A eventual aliança que está sendo articulada nos bastidores com o PT, como deseja o presidente Lula, contraria setores históricos do PMDB em Mato Grosso do Sul.

A união também não agrada a ala radical petista, denominada xiita, que defende o confronto entre o ex-governador Zeca do PT e o governador André Puccinelli (PMDB) nas eleições do ano que vem.

Pelo menos é essa a leitura que faz o senador Valter Pereira, um dos mais experientes políticos do Estado e integrante do partido desde a época de MDB (Movimento Democrático Brasileiro).

Uma das alas peemedebistas favoráveis a manutenção da aliança com o PT em nível nacional é liderada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP), lembrado inclusive como provável candidato a vice na chapa a ser encabeçada pela ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

“Eu vejo que existe uma corrente forte que quer se aliar ao PT e outra também forte que prefere o PSDB. Na verdade, estou sentindo que a peleia em Brasília contraria os setores mais históricos do PMDB que desejam candidatura própria do partido”, avaliou Valter Pereira, em entrevista ao midiamax.

No plano estadual, o PMDB já teria fechado questão em torno da composição da chapa majoritária pela qual André Puccinelli disputará a reeleição, incluindo PSDB, DEM, PPS e PR. 

Pré-candidato a reeleição em 2010 num confronto interno (prévias) com o deputado federal Waldemir Moka, Valter Pereira alega que o seu partido sempre reserva surpresas.

Segundo ele, não é bom apostar nem na aliança com o PSDB e nem com o PT, partidos que, respectivamente, trabalham os nomes dos governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), ambos tucanos, e Dilma Rousseff. 

Para o senador, a decisão que hoje está na cabeça de alguns pode não ser a da maioria. “Antes de se fechar qualquer coisa é preciso convocar o congresso nacional do PMDB. Pois, se fizer qualquer tratativa antes disso, pode ser desautorizado depois na convenção”, acredita.

Conflitos  

Apesar da tentativa de aproximação entre os dois grupos políticos em Mato Grosso do Sul, setores tanto petistas quanto peemedebistas discordam de uma composição política. Até porque Zeca e André convivem é constantes conflitos.

O presidente regional do PT, deputado estadual Amarildo Cruz, alega que a decisão de lançar candidatura própria ao governo é consenso no partido desde o início do ano e que não houve contestação em instâncias superiores.

O senador Delcídio do Amaral, que andou em constantes conflitos internos com Zeca, é outro petista que considera inviável o caminho para um acordo com o PMDB.

O fato de Zeca está sendo investigado pelo MPE (Ministério Público Estadual) também é um dos motivos que afastam eventual composição  em 2010, uma vez que os peemedebistas temem desgaste político por entender que o eleitorado reprovaria uma união dessa natureza.