27 de outubro de 2004 - 13:25

Sem-terra não aceitam dividir Itamarati com assentados

Lideranças do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra), acampadas na área destinada para a implantação do assentamento Itamarati II, são contra o modelo de reforma agrária que prevê a coletivização da área com as famílias assentadas. Essa foi a proposta apresentada pelo superintendente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Luis Carlos Bonelli .
Pelo modelo do Incra, cada família receberia 3 hectares de terra e outras 6 em forma coletiva, totalizando 9 hectares, mas os acampados são contra o modelo pois, prejudicaria as famílias na produção e lucro final, segundo informações do Conesulnews.
Ontem, o superintendente do Incra esteve na sede da antiga fazenda Itamarati onde conversou separadamente com os acampados da CUT (Central Única dos Trabalhadores), da Federação dos Trabalhadores em Agricultura (Fetagri) e do Movimento dos Sem-Terra (MST).
Além de discordarem do projeto inicial de implantação do assentamento, as lideranças do MST foram contrários a alteração na programação de reuniões, cancelando o encontro de ontem e hoje com o movimento. Pela nova programação estabelecida, conforme Bonelli, em comum acordo com as lideranças que estiveram reunidas na semana passada em Campo Grande, a série de encontros visando debater o projeto estabelecendo o modelo de ´sócio-proprietário´ ou ´coletivização´ continuará.
A proposta do Incra de implantar o sistema de sócio-proprietário é visto com ressalvas pelos diferentes movimentações sociais acampados na Itamarati. Muitos defendem que o modelo seja idêntico ao implantado na Itamarati I, lançado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva. Os lotes são divididos em forma individual entre 5 a 8 hectáres aos assentados. Pelo novo modelo, cada família receberia 3 hectares e outros 6 a serem administrados coletivamente com outras famílias. O maior questionamento é justamente no tocante a divisão dos lucros obtidos da produção. Os encontros que começaram ontem na Itamarati pelo Incra, conforme Bonelli, visam justamente sanar as dúvidas em relação a vários itens do projeto.
 
 
 
Campo Grande News