Gazeta Esportiva | 21 de maio de 2011 - 08:13

Brasileirão põe a fórmula dos pontos corridos mais uma vez à prova

O Campeonato Brasileiro começa neste sábado (21) com mais um desafio à lógica predominante em competições por pontos corridos, que costumam premiar os times que valorizam itens como organização e planejamento.

Dos 20 participantes, 11 já trocaram de técnico desde o início do ano. Alguns times já tiveram três treinadores no ano, como o Bahia, que já demitiu Rogério Lourenço e Vágner Benazzi e hoje tem René Simões no banco de reservas.

Um dos principais candidatos ao título, o Santos, também já teve três técnicos: começou o ano com Adilson Batista (que hoje está no Atlético-PR), teve o interino Marcelo Martelotte por cerca de um mês e agora é comandado por Muricy Ramalho. Além desses dois, mudaram de treinador em 2011: Atlético-GO, Atlético-PR, Avaí, Botafogo, Ceará, Figueirense, Fluminense, Internacional e Vasco.

Isso, porém, não foi problema nos últimos dois anos. O Flamengo, em 2009, demitiu Cuca no meio da campanha, quando o time não figurava nem mesmo entre os cinco primeiros colocados, e foi campeão com Andrade, que começou como interino e acabou efetivado após algumas rodadas.

Em 2010, Muricy Ramalho comandou toda a campanha do Fluminense, mas havia assumido o cargo apenas algumas semanas antes – coincidentemente, também entrou no lugar que era de Cuca, que havia sido demitido por causa da má campanha no Campeonato Carioca. E, neste ano, Muricy pediu demissão alegando falta de estrutura no clube, que teria até ratos nos banheiros.

Desde que o formato por pontos corridos foi adotado, em 2003, também foram campeões com trocas de técnico o Santos, em 2004, que começou com Leão e terminou com Vanderlei Luxemburgo, e o Corinthians, no ano seguinte, treinado por Daniel Passarela, Marcio Bittencourt e, nas últimas rodadas, Antonio Lopes. 

A “receita do sucesso” não resultado em títulos desde 2008, quando o São Paulo conseguiu seu terceiro título seguido em três temporadas completas sob o comando de Muricy Ramalho. Antes disso, Vanderlei Luxemburgo havia sido bem-sucedido com o Cruzeiro de 2003, que comandava desde agosto do ano anterior e já tinha sido campeão, meses antes, do Mineiro e da Copa do Brasil.

Segundo plano

Outro ponto polêmico que marca o começo do Brasileiro é o fato de 5 dos 20 participantes começarem o campeonato em marcha lenta porque estão envolvidos com a reta final de outras competições. São eles Avaí, Ceará, Coritiba e Vasco, que brigam pelo título da Copa do Brasil, além do Santos, semifinalista da Libertadores. 

Os cinco técnicos já avisaram que a prioridade é total para essas competições, e todos devem escalar pelo menos alguns reservas em seus jogos de estreia, neste fim de semana. Assim, é provável que o campeonato só tenha os 20 times completamente focados nele na segunda quinzena de junho.

Depois disso, o problema vai ser a Copa América, que começa em 1º de julho e deve desfalcar vários clubes, inclusive aqueles que contam com estrangeiros, como o Botafogo do uruguaio Loco Abreu e o Palmeiras do chileno Valdivia. E ainda há a janela de transferências, que desmonta e remonta times no meio do campeonato. Com tudo isso, pode-se dizer que, mais que um campeonato de times organizados, o Brasileirão está mais para um duelo de sobreviventes.