MS Notícias | 21 de julho de 2010 - 11:32

MS registra mais de 5 mil casos confirmados de hepatite

Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos (Sinan) do Ministério da Saúde, Mato Grosso do Sul registrou mais de 5,4 mil casos confirmados de hepatites virais entre os anos de 2005 e 2009. De acordo com o Relatório de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde de MS, de janeiro a novembro de 2009, foram registrados 432 casos de hepatite B em MS, superando o número de casos de AIDS, no mesmo período que foi de 287. Apenas em Campo Grande, foram 133 ocorrências de hepatites notificadas.

Para falar sobre a “Hepatite Viral como problema de Saúde Pública no Brasil”, estará em Campo Grande, nesta quinta-feira (22), o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH), Dr. Raymundo Paraná. A palestra é direcionada a autoridades públicas e profissionais da área de Saúde do Estado e acontece às 19h30, no auditório do Centro de Especialidades Médicas (CEMED), da Universidade Anhanguera-Uniderp, que promove o evento em parceria com a SBH.

As hepatites virais são doenças provocadas por diferentes vírus hepatotrópicos (utilizam o fígado como sítio primário de replicação). As mais comuns são A, B, C, D e E. Conforme informações do Ministério da Saúde, as hepatites virais A e E são transmitidas pela via fecal-oral e estão relacionadas às condições de saneamento básico, higiene pessoal, qualidade da água e dos alimentos.

De outro modo, as hepatites virais B, C e D são transmitidas pelo sangue, esperma e secreção vaginal, via compartilhamento de objetos contaminados (lâminas de barbear e de depilar, escovas de dente, alicates de unha, materiais para colocação de piercing e para confecção de tatuagens, instrumentos para uso de drogas, acidentes com exposição a material biológico e procedimentos cirúrgicos, odontológicos e de hemodiálise, em que não se aplicam as normas adequadas de biossegurança.

Já a cirrose hepática é o estágio final da agressão ao fígado causada por qualquer agente, desde que seja uma agressão persistente. Como o fígado é um órgão silencioso, habitualmente quando agredido tolera sem expressar sintomas. Se a agressão ao fígado persistir por pelo menos duas ou três décadas, o órgão pode responder alterando a sua arquitetura, levando à insuficiência hepática e todas as suas complicações.

Capacitação – Além da palestra, a (SBH) e o Serviço de Gastro-hepatologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em parceira com a Anhanguera-Uniderp, realizam no próximo sábado (24), na capital de MS, Programa de Capacitação em Biópsia Hepática. O projeto é pioneiro e conta com o apoio do programa nacional de Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância à Saúde.

A capacitação acontece no câmpus de Ciências Agrárias da Anhanguera-Uniderp e atenderá 40 médicos que atuam no SUS de diversos estados brasileiros. “O nosso projeto é voltado para as regiões de maior carência em hepatologia, que são principalmente o Centro-Oeste e a Amazônia”, disse o presidente da Sociedade Dr. Raymundo Paraná.

Para o reitor, a oportunidade de sediar o Programa é de extrema importância, pois significa um crescimento para a região. “A Universidade sempre teve um compromisso muito grande com o desenvolvimento do Centro-Oeste e esse convênio com a SBH vai possibilitar justamente isso”, afirmou Marback. “Além disso, os profissionais capacitados aqui estarão aptos a serem multiplicadores do conhecimento e espalhá-lo por todo o Brasil”, completou o reitor.

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza, gratuitamente, tratamentos adequados para as hepatites virais e outras diversas doenças que acometem o fígado. Porém, o diagnóstico preciso dessas doenças ainda é um procedimento de difícil acesso para os brasileiros e há grande escassez de profissionais capacitados para realizar a biópsia hepática, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Consequentemente, milhares de pessoas deixam de receber os tratamentos.

Por isso, uma das prerrogativas básicas para realizar o curso era o vínculo dos participantes com ambulatórios do SUS. “Esperamos com isso ampliar a oferta deste serviço para os usuários do Sistema Único de Saúde em diversas regiões do país, democratizando o acesso dos pacientes portadores de doença hepática aos benefícios da terapêutica disponibilizados pelo SUS, que hoje é oferecido pelo Ministério da Saúde por meio do programa de tratamento com medicamentos de alto custo”, afirmou Raymundo Paraná.

No Programa de Capacitação em Biópsia Hepática estão envolvidos profissionais com reconhecida competência como Dr. Marcelo Portugal e Dra. Delvone Almeida, responsáveis pelo mutirão de biópsia hepática, realizado na Bahia em parceria entre UFBA, Ministério da saúde e Secretaria Estadual de Saúde da Bahia. Este projeto, pioneiro no Brasil, resolveu o problema da longa lista de espera para Biópsia Hepática que existia na Bahia até 2007, pois foram realizados mil procedimentos em dois anos. Participam ainda do Programa, o Dr. Luiz Freitas, patologista com expertise em doenças do fígado do Centro de Pesquisa Gonçalo Muniz da Fiocruz, BA.

O projeto conta com o apoio do Programa Nacional de Hepatites Virais do Departamento de DST/AIDS e Hepatites do Ministério da Saúde.

Especialização - Segundo o Presidente da SBH, Dr. Raymundo Paraná, a Sociedade tem ainda interesse em promover um pólo de assistência a pacientes portadores de doenças do fígado junto a Anhanguera-Uniderp, por meio da implantação de cursos de especialização em hepatologia com ambulatórios especializados para treinamento prático. “Este é um dos caminhos para melhorar o acesso dos pacientes do SUS a médicos com expertise em hepatologia, pois são profissionais escassos no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Por conta disso, esta parceria entre a SBH e a Universidade é estratégica, além de ser emblemática para a região Centro-Oeste. Outras parcerias estão em andamento com os estados do Acre e de Rondônia”, segundo Paraná.