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'Volte bem para casa': menina revela história por trás de desenho na bag do pai

Após desenho na bag de motoentregador comover a internet, família conta como a criança usa papéis, cadernos e até as paredes de casa para expressar emoções

Por Midiamax
(2 min de leitura)
Menina se expressa por meio de desenhos. (Leonardo de França, Jornal Midiamax)

Na semana passada, o desenho estampado na bag de um motoentregador, que passava pela Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, comoveu a internet. Uma mensagem simples chamava atenção de quem cruzava o caminho do trabalhador: “Cuidado com meu papai”.

Ao Jornal Midiamax, a família da menina, a pequena Cecilia Alves Delmondes Lescano, de 9 anos, conta que, por trás do recado, há uma menina que expressa suas emoções pela arte, pela imaginação e por desenhos.

A ideia, segundo ela, nasceu de um desejo muito claro: que outros condutores tivessem mais cuidado com o pai, o trabalhador Juca Lescano, enquanto ele estivesse trabalhando nas ruas. Foi ela quem pediu para que o desenho fosse colocado na bag usada pelo pai durante as entregas.

“Pensei que os outros condutores [iriam] ver e teriam cuidado. Eu quero que ele volte para a casa, volte bem”, explica ela.

Desenho que expressa o ‘Eu te amo’

Antes de sair para trabalhar, o pai também recebe um lembrete que se tornou parte da rotina entre os dois. “Quando ele sai, digo ‘Eu te amo’”, revela a menina.

Mas a preocupação expressada na bag é apenas uma pequena parte de um universo que, para ela, quase sempre começa com um lápis e uma folha de papel.

Pelas paredes da casa, em papéis e cadernos, a imaginação ganha formas. Há desenhos do pai, da mãe, do irmão, dos animais de estimação e de flores. A criança também costuma escrever cartas e fazer ilustrações para familiares, inclusive para os tios que moram no Rio de Janeiro.

“Eu gosto de desenhar, mas o que eu quero mesmo é ser dentista. Eu desenho para brincar e para [expressar] o que estou pensando. Quando estou feliz, desenho uma coisa feliz. Cada emoção que estou, desenho”, conta.

Presente e cartas

Ela também desenha para amigos e outros familiares. Para a menina, os traços acabam se transformando em uma espécie de retrato dos próprios sentimentos. Inclusive, ela guarda os desenhos e as cartas em uma caixa. Pela casa, há diversos cadernos de desenho e lápis de cor espalhados.

A família percebe essa relação e, por isso, decidiu transformar a casa em um espaço onde a criatividade tem liberdade para ocupar até mesmo as paredes.

“Aqui em casa, a gente não proíbe ela de desenhar, incentiva, ajuda quando pede. A gente também desenha juntos. Deixamos por um tempo o desenho na parede, mas depois apagamos para ela pintar de novo. É um momento dela e como a gente consegue ver ela se expressar, entender como está se sentindo. A parede é uma forma dela se expressar. A gente vai lá e pergunta o porquê do desenho”, conclui Juca.

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