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F1 - Senna

Senna estreava na F1 há 30 anos; relembre profecia de Galvão

25 Mar 2014 - 14h49Por Terra

Na tarde de 25 de março de 1984, Ayrton Senna realizava o sonho de participar pela primeira vez de uma corrida de Fórmula 1, no extinto Autódromo de Jacarepaguá, mas o então promissor piloto da Toleman abandonaria apenas voltas depois da largada por um problema no turbo do frágil motor Hart. 

Antes de brilhar por Lotus e McLaren, Senna, então com apenas 24 anos, estreava pela modesta Toleman (depois Benneton, Renault e agora Lotus). A escuderia foi criada em 1981, mas os primeiros resultados do time demoraram a aparecer.

Nas três primeiras temporadas, o novato britânico Derek Warwick – principal piloto do time – sofreu para encontrar evolução no carro. No entanto, depois de 37 corridas em branco, a equipe de Ted Toleman e Alex Hawkridge chegou lá, graças ao quarto lugar de Warwick no Grande Prêmio da Holanda. O piloto ainda somaria pontos nas três próximas provas do calendário (Itália, Europa e África do Sul). Assim, ganhou a chance de pilotar pela Renault a partir de 1984.

Não precisa ser um especialista em Fórmula 1 para saber que a saída de Warwick colaborou para um capítulo da história da categoria, em especial para o Brasil. Afinal, a dança das cadeiras na Toleman provocou a estreia do jovem piloto Ayrton Senna da Silva, que havia sido campeão da Fórmula 3 britânica no ano anterior.

Sem Derek Warwick (que foi para a Renault) e Bruno Giacomelli, Toleman mudou sua dupla de titulares após 1983; equipe apostou em Ayrton Senna, campeão da Fórmula 3 britânica (foto) naquele ano Foto: Getty Images Sem Derek Warwick (que foi para a Renault) e Bruno Giacomelli, Toleman mudou sua dupla de titulares após 1983; equipe apostou em Ayrton Senna, campeão da Fórmula 3 britânica (foto) naquele ano Foto: Getty Images

A Toleman apareceu de forma circunstancial na carreira de Senna, que tinha botado na cabeça que estrearia na Fórmula 1 em 1984. Desde as categorias de acesso, o brasileiro já estava na mira (e nos testes) de diversas equipes com mais potencial, sem conseguir assinar contrato por motivos diversos: a Williams e a McLaren não tinham vagas, a Lotus foi impedida por um patrocinador britânico (que exigiu a permanência de Nigel Mansell) e a Brabham não ficou satisfeita com o desempenho nas avaliações.

“(Senna) pilotou pela primeira vez um carro da categoria em 1983, quando testou a Williams FW07, campeã com Keke Rosberg. O teste deixou boa impressão, mas sua primeira equipe na categoria seria a Toleman, pela qual estreou em 1984”, descreve o site oficial do piloto, que cita a Toleman TG183B de 1984 como “um carro abaixo dos principais nomes da Fórmula 1”.

Senna então acertou com a Toleman, que trocou Derek Warwick e Bruno Giacomelli pelo brasileiro e pelo venezuelano Johnny Cecotto, campeão mundial nas motos que havia estreado na F1 em 1983 pela Theodore. Os dois chegaram com um carro relativamente promissor à primeira etapa da temporada, o Grande Prêmio do Brasil, disputado no Autódromo de Jacarepaguá, Rio de Janeiro.

A expectativa de Ayrton para a etapa de estreia era grande, mas de certa forma, realista. “No que diz respeito ao carro, o Toleman é um carro forte, resistente, mas atualmente, é um modelo de certa forma ultrapassado em termos de velocidade. Isso vai refletir em uma classificação. Na tomada de tempo, as possibilidades de a gente partir em uma posição de melhor destaque são muito difíceis”, disse Senna antes da prova em entrevista concedida aos microfones da rádio Jovem Pan.

No sábado, dia 24 de março de 1984, Senna foi para o treino de classificação. A pole position ficou com o italiano Elio de Angelis, da Lotus. Michele Alboreto (Ferrari) veio em segundo, com Derek Warwick em terceiro. Alain Prost (McLaren), Nigel Mansell (Lotus) e Niki Lauda (McLaren) completaram as três primeiras filas. Atual campeão, Nelson Piquet, com a Brabham, vinha em sétimo, dez posições à frente de Senna. O brasileiro da Toleman largaria ao lado do companheiro Cecotto, 18º (1s775 mais lento que o futuro tricampeão).

Brasileiro largou em 17º lugar, mas confiante no desempenho da Toleman para a prova de domingo Foto: Arquivo JB Brasileiro largou em 17º lugar, mas confiante no desempenho da Toleman para a prova de domingo Foto: Arquivo JB

Mesmo confirmando suas expectativas de conquistar uma posição apagada no grid de largada, Senna esperava um carro com regularidade na prova do dia seguinte. “Durante a corrida, devido ao baixo consumo do meu motor Hart e da resistência do meu carro, as possibilidades de a gente ir ganhando posições volta a volta são muito grandes. Eventualmente, ao final de uma hora e meia ou duas horas (de corrida), conseguir uma colocação até surpreendente”, disse, na mesma entrevista à rádio Jovem Pan. “O importante é manter a calma e dar o máximo de si dentro daquela uma hora e meia ou duas horas, e encarar o resultado, seja ele qual for - bom, muito bom ou negativo - como uma nova fase na minha carreira, onde eu vou ter que adquirir muita experiência”, completou.

O grid de largada para o Grande Prêmio do Brasil de 1984:

Posição Piloto País Equipe Tempo
1 Elio de Angelis ITA Lotus Renault 1min28s392
2 Michele Alboreto ITA Ferrari 1min28s898
3 Derek Warwick GBR Renault 1min29s025
4 Alain Prost FRA McLaren TAG 1min29s330
5 Nigel Mansell GBR Lotus Renault 1min29s364
6 Niki Lauda AUT McLaren TAG 1min29s854
7 Nelson Piquet BRA Brabham BMW 1min30s149
8 Patrick Tambay FRA Renault 1min30s554
9 Keke Rosberg FIN Williams Honda 1min30s611
10 René Arnoux FRA Ferrari 1min30s695
11 Riccardo Patrese ITA Alfa Romeo 1min30s973
12 Eddie Cheever EUA Alfa Romeo 1min31s282
13 Jacques Laffite FRA Williams Honda 1min31s548
14 Andrea de Cesaris ITA Ligier Renault 1min32s895
15 Manfred Winkelhock ALE ATS BMW 1min32s997
16 Teo Fabi ITA Brabham BMW 1min33s227
17 Ayrton Senna BRA Toleman Hart 1min33s525
18 Johnny Cecotto VEN Toleman Hart 1min35s300
19 Martin Brundle GBR Tyrrel Ford 1min36s081
20 François Hesnault FRA Ligier Renault 1min36s238
21 Thierry Boutsen BEL Arrows Ford 1min36s312
22 Piercarlo Ghinzani ITA Osella Alfa Romeo 1min36s434
23 Stefan Bellof ALE Tyrrel Ford 1min36s609
24 Mauro Baldi ITA Spirit Hart 1min36s816
25 Marc Surer SUI Arrows Ford 1min37s204
26 Philippe Alliot FRA RAM Hart 1min37s709
27 Jonathan Palmer GBR RAM Hart 1min37s919

A corrida: Senna "esquecido" e Tema da Vitória para estrangeiro

O domingo de sol forte começou mal para a equipe Ligier, que apresentou problemas no carro de Andrea de Cesaris – o italiano teve que largar dos boxes. As atenções na transmissão da Rede Globo, já capitaneadas por Galvão Bueno, se concentravam em nomes como Piquet, De Angelis e Alboreto. Dada a largada para a volta de apresentação, a Lotus de De Angelis saiu lentamente, sendo superada pela Ferrari de Alboreto e pelas McLaren de Prost e Lauda. No fim da reta dos boxes, antes da Curva Molykote, o piloto da Lotus já havia recebido de volta sua pole position.

A largada, porém, não poderia ter sido pior para Nelson Piquet, que não saiu do lugar. “Piquet parou! Piquet ficou parado! Piquet errou na saída e ficou parado!”, exclamava Galvão Bueno poucos segundo após a luz verde ser acionada. Companheiro de Senna, Johnny Cecotto também não largou e teve seu carro empurrado. Ayrton bem que tentou se proteger, mas perdeu a posição de largada para o também estreante Martin Brundle, que fez uma boa saída com a Tyrrell e pulou do 19º para o 17º lugar.

Piquet enfim conseguiu largar, já quando o pelotão de carros estava longe. “É importante checar junto à direção da prova o que acontece com Nelson Piquet que ficou parado no grid”, destacava Galvão Bueno, enquanto Alboreto tomava o primeiro lugar de De Angelis ainda na primeira volta. O italiano da Lotus perdeu ainda o segundo lugar para Warwick. Mansell e Lauda ainda superaram o carro preto e dourado, que completou a primeira volta em quinto.

Longe da transmissão ou da narração, Senna fazia uma corrida de recuperação em relação a sua largada, mais ou menos como havia previsto. Na segunda volta, o brasileiro da Toleman já brigava com o alemão Stefan Bellof (Tyrrell) pela 13ª posição. Piquet, por sua vez, vinha igualmente ganhando terreno na parte de trás, superando François Hesnault (Ligier), Philippe Alliot (RAM), Jonathan Palmer (RAM) e o próprio Cecotto.

Enquanto Alboreto completava a segunda volta na frente, Galvão Bueno anunciava informações dos bastidores. ”A comissão de corrida está reunida neste momento. Chega a informação que comissão de corrida está reunida neste momento, decidindo o que vai acontecer com Nelson Piquet – se vale ou não sua largada, se ele será penalizado com tempo ou com a própria desclassificação”, informou. Os dois primeiros colocados iam impondo um ritmo forte sobre os principais rivais.

Foi só ali pela terceira volta que a transmissão informou sobre o outro brasileiro na pista, o da Toleman. “Ayrton Senna ocupa a 14ª posição. Vai correndo no bloco intermediário, como era esperado”, comentou o narrador da Rede Globo. Em queda livre, De Angelis perdia a quinta posição para Patrick Tambay. Piquet vinha em franca ascensão, e teve sua largada aprovada por Sérgio Luís da Silva, chefe do grid do GP do Brasil. “Ele foi empurrado por pessoas que têm competência para empurrá-lo, que são os comissários de grid. Segundo o regulamento, nessa hora, só os comissários de grid podem empurrar um carro caso ele não largue”, justificou o dirigente.

Alboreto, Warwick, Lauda e Mansell ocupavam as quatro primeiras posições neste momento, embora fosse a Brabham de Nelson Piquet quem empolgasse Galvão Bueno. “Nelson Piquet ocupa a 16ª posição. Vem se recuperando muito, já recuperou dez posições Nelson Piquet”, narrou. Piercarlo Ghinsani (Osella) foi o primeiro piloto a ir para os boxes, na oitava volta, para trocar pneus – o italiano abandonaria a prova 15 voltas depois com problemas no câmbio. Em sétimo, Prost fez uma festejada ultrapassagem sobre René Arnoux para tomar do compatriota a sexta posição.

Enquanto Piquet se aproximava de Lafitte, Senna entrava nos boxes com sua Toleman para encerrar sua discreta participação na corrida do Rio. “Ayrton Senna diz que não dá”, avisou Galvão Bueno. “Ayrton Senna para nos boxes. Na décima volta ele parou, (e) fez um sinal característico para os mecânicos que não dava mais para ele”, completou. Sem muito alarde para a TV brasileira, acabava ali a estreia de Senna na Fórmula 1. O brasileiro da Toleman ocupava a 16ª posição, mas acabou com um problema no turbo de seu motor Hart.

Estreia de Ayrton Senna acabou durou poucas voltas; brasileiro abandonou com problema no turbo Foto: Getty Images Estreia de Ayrton Senna acabou durou poucas voltas; brasileiro abandonou com problema no turbo Foto: Getty Images

Sem completar a décima volta, Senna terminava ali sua primeira corrida na Fórmula 1. “O turbo compressor quebrou, parece. Alguma coisa aconteceu, porque o carro começou a vibrar bastante. Foi de uma hora para a outra”, comentou Ayrton Senna nos boxes à Rede Globo. Decepcionado? “Não estou decepcionado. Vou fazer o quê? (Se) quebrou, quebrou. Fica para a próxima”, completou, sem lamentar.

A prova, a partir daí, viu uma série de abandonos. Michele Alboreto quebrou na 15ª volta, enquanto Nelson Piquet abandonou na 32ª. Niki Lauda e Derek Warwick também encerraram suas participações prematuramente. Assim, a vitória ficou para Alain Prost, à frente de Keke Rosberg e Elio de Angelis. Eddie Cheever, Patrick Tambay (que abandonou na última volta) e Thierry Boutsen completaram as seis primeiras posições – a zona de pontuação da época. Fato bastante lembrado: o Tema da Vitória, que marcou as vitórias do Brasil na Fórmula 1, ainda tinha um ano nas transmissões da Rede Globo e acabou tocado para a McLaren de Prost.

Se a estreia de Senna na F1 não empolgou, a “profecia” de Galvão Bueno durante a corrida acabou se cumprindo. “Teremos seguramente muitas alegrias com Ayrton Senna no desenvolver dessa temporada”, comentou o locutor após o abandono do brasileiro. Já nas duas corridas seguintes, África do Sul e Bélgica, ele repetiu o sexto lugar, somando dois pontos. Três provas depois, no chuvoso GP de Mônaco, foi segundo colocado e começou a atrair holofotes das equipes grandes. Daí em diante, a história é bastante conhecida.

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