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COPA DO MUNDO 2026

Muito antes da camisa amarela

Convocado para a Copa do Mundo de 2026, o campo-grandense Éderson participou do Clube de Desbravadores durante a infância. A experiência marcou sua trajetória e a de sua família

12 Jun 2026 - 13h59Por Jefferson Braun - ASM

Éderson (esquerda) segura uma panela durante as atividades do Clube de Desbravadores (Foto: Arquivo)

Quando milhões de pessoas acompanharem a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026, poucos imaginarão que um dos convocados carrega consigo lembranças de uma infância simples vivida nas ruas do Bairro Tiradentes, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Antes dos gramados europeus, das grandes competições e da camisa amarela, Éderson dos Santos era um garoto que dividia o tempo entre o futebol e as atividades do Clube de Desbravadores Falcão Peregrino.

A convocação do volante sul-mato-grossense para representar o Brasil no principal torneio do futebol mundial é o ponto mais alto de uma caminhada iniciada ainda na infância. Natural de Campo Grande, o jovem deu os primeiros passos no esporte em uma escolinha de futebol do bairro. O talento o levou a clubes importantes do país até alcançar destaque internacional, tornando-se um dos convocados para representar o país na Copa do Mundo de 2026.

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Mas, muito antes dos estádios lotados e da projeção nacional, havia um menino que encontrou no Clube de Desbravadores um ambiente de amizade, aprendizado e descobertas.

Foi através de famílias adventistas da vizinhança que ele conheceu o Clube de Desbravadores Falcão Peregrino. Segundo Diego Santana, ex-conselheiro do clube e uma das pessoas que acompanhou de perto aquela fase da vida do atleta, a família enfrentava dificuldades financeiras, mas isso nunca impediu sua participação nas atividades. Diego destaca o apoio incondicional da mãe de Éderson, que sempre se esforçou para garantir o necessário dentro de casa e incentivar os filhos em seus compromissos e sonhos.

"Ele era muito proativo e extremamente competitivo. Gostava bastante da ordem unida e sempre queria se destacar nas atividades. Era um menino determinado e muito focado", relembra.

Na adolescência, Éderson participou do Clube de Desbravadores Falcão Peregrino, onde desenvolveu amizades, disciplina e vivências que fizeram parte de sua trajetória (Foto: Arquivo)

Éderson (de boné para trás e mochila, ao fundo) durante uma atividade do Clube de Desbravadores Falcão Peregrino. Acampamentos, caminhadas e vivências em grupo marcaram sua passagem pelo clube durante a infância (Foto: Arquivo)

As visitas às famílias dos desbravadores faziam parte da rotina da liderança. Além de acompanhar o desenvolvimento dos adolescentes, os conselheiros buscavam conhecer a realidade de cada lar e oferecer apoio quando necessário. Entre as recordações guardadas por Santana está uma situação que, anos depois, ainda simboliza a persistência do garoto.

"Muitas vezes eu ia até a casa dele para ajudá-lo com os requisitos do cartão e das especialidades. Lembro especialmente de quando ele precisava decorar o Hino Nacional. Algumas vezes chegávamos lá e ele estava jogando futebol. Mas ele não desistiu. No final, aprendeu todo o hino e cumpriu o requisito. Essa dedicação já fazia parte dele", pontua.

Para Santana, as qualidades observadas na infância do rapaz continuam evidentes na vida adulta. "Resiliência, persistência e dedicação. Essas características já eram visíveis naquela época. Ele sempre procurava cumprir aquilo que era proposto e não desistia facilmente", reforça.

Éderson (primeiro garoto da esquerda para a direita) participa de uma atividade de ordem unida do Clube de Desbravadores (Foto: Arquivo)

Mais do que atividades ao ar livre, acampamentos e especialidades, o Clube de Desbravadores tem como proposta contribuir com o desenvolvimento físico, mental, social e espiritual de crianças e adolescentes. Para Santana, a passagem de Éderson pelo clube aconteceu justamente em uma fase importante de sua formação pessoal.

"O caráter está sendo construído nessa idade. O clube ensina responsabilidade, respeito, serviço ao próximo e confiança em Deus. São lições que acompanham a pessoa por toda a vida", afirma.

A convocação do antigo desbravador para a seleção brasileira é motivo de orgulho. "Ver o Éderson representar o Brasil gera muita alegria. Sabemos da caminhada que ele teve e dos desafios que enfrentou. Chegar à seleção é alcançar um sonho que milhões de jogadores possuem", ressalta Santana.

Imagem de divulgação da convocação oficial do ex-desbravador (Arte: Prefeitura de Campo Grande)

Em casa, os reflexos dessa formação também foram percebidos. A mãe do atleta, Edilene Lourenço, recorda que tanto Éderson quanto o irmão, Eduardo, foram desbravadores durante a infância e adolescência. "O clube ajudou muito na formação do caráter dos meus filhos, ensinando obediência, respeito e, principalmente, amor e temor a Deus", detalha.

Mesmo acompanhando a carreira do filho em um cenário completamente diferente daquele vivido nos primeiros anos de vida, ela acredita que muitos dos aprendizados daquele período continuam refletidos na forma como ele conduz a vida e a carreira. "Confiança em Deus, paciência, perseverança, dedicação, respeito, amor pela família e coragem são valores que vejo na vida dele", complementa.

A influência dos Desbravadores também alcançou toda a família. O contato com a igreja começou por meio da participação dos filhos no clube e, com o passar dos anos, fortaleceu uma jornada de fé que segue sendo escrita.

Edilene Lourenço, mãe de Éderson, ao centro, vestindo a beca batismal branca após seu batismo em 2024, ao lado de familiares (Foto: Arquivo)

Em 2024, Edilene foi batizada e tornou-se membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Atualmente, ela e as filhas Laís e Luiza participam ativamente das atividades. Luiza integra o Clube de Aventureiros, enquanto Laís segue no Clube de Desbravadores, dando continuidade a uma história iniciada anos atrás com os irmãos.

"Vivemos um momento de muita gratidão a Deus. Foi através do clube que conhecemos mais profundamente o amor de Deus. Aquela semente plantada durante a infância dos meus filhos continua produzindo frutos em nossa família", sublinha a mãe.

Enquanto o Brasil se prepara para acompanhar Éderson em mais um capítulo de sua trajetória no futebol, pessoas que fizeram parte de sua caminhada seguem celebrando conquistas que vão além dos gramados.

Hoje, o menino que um dia precisou decorar o Hino Nacional para cumprir um requisito dos Desbravadores tem a oportunidade de ouvi-lo ao representar o Brasil diante do mundo. A cena ajuda a resumir a trajetória de Éderson: uma história que começou em Campo Grande, passou pelo Clube de Desbravadores Falcão Peregrino e agora alcança o maior palco do futebol mundial.

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