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5G - TECNOLOGIA

As cidades brasileiras estão prontas para o 5G?

16 Nov 2021 - 08h28

Desde o começo de 2021, o 5G tem sido uma grande promessa do governo brasileiro. Com perspectivas de lançá-lo nos maiores centros urbanos do Brasil a partir de julho de 2022, as expectativas só fazem crescer desde a ampla divulgação da primeira videochamada com a tecnologia no país, ocorrida em abril.

Mas, para além da exaltação das maravilhas dessa rede móvel, a sua real aplicação no território nacional se encontra ainda como um sonho distante: apenas uma parcela ínfima das cidades brasileiras tem condições técnicas de implantar e disponibilizar o 5G aos seus habitantes.

Fora isso, uma porção ainda menor da população tem conhecimento sobre as implicações práticas do uso do 5G no cotidiano e em sua privacidade. Neste artigo, essas e outras questões serão discutidas.

Apenas 7 capitais estão prontas para o 5G

De acordo com um relatório da empresa Conexis, apenas 7 das 27 capitais brasileiras (Boa Vista, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Palmas, Porto Alegre e Porto Velho) estão aptas a receber atualmente a rede 5G. O motivo? A falta de adaptação administrativa para seguir a chamada Lei Geral de Antenas (LGA), uma norma responsável por simplificar as regras de instalação da infraestrutura necessária ao 5G.

Para exemplificar o funcionamento da lei: uma das suas disposições prevê que as prefeituras devem responder a pedidos de licença em até 60 dias. Caso esse prazo não seja respeitado, a solicitação é dada como aprovada e as companhias podem instalar as antenas, bastando que sigam os requisitos técnicos.

A não adesão à LGA, portanto, gera enorme burocracia e desacelera (ou mesmo trava completamente) o processo de implementação da tecnologia no país, levando a prejuízos tanto econômicos quanto sociais.

Milhões de brasileiros não têm acesso nem ao 4G

Os problemas, contudo, não param por aí. Embora a promessa do governo seja de que o 5G seja oficialmente lançado em todas as capitais a partir da metade de 2022, a realidade está muitos passos atrás.

Segundo um estudo de 2020 pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), mais de 20 milhões de brasileiros ainda estão presos ao 3G, tecnologia duas gerações atrás do 5G. Para se ter noção da gravidade disso, a geração imediatamente sucessora, chamada 4G, está disponível no país desde 2013.

Para piorar, entre os usuários da tecnologia mais antiga, encontram-se não apenas consumidores que usam aparelhos celulares mais simples ou ultrapassados, mas também moradores de regiões que ainda não têm nem sequer cobertura para o 4G. De acordo com a Anatel, mais de 220 cidades brasileiras tinham acesso apenas ao 3G, em 2020.

5G e privacidade

A rede 5G traz consigo uma verdadeira revolução tecnológica, a qual possibilitará que toda sorte de dispositivos inteligentes se interconecte (processo conhecido como “Internet das Coisas”). Mas, se por um lado a novidade é positiva por tornar a vida mais fácil e conveniente; por outro, há também muitos potenciais riscos, em particular quanto à privacidade, que preocupam os especialistas.

Ter todos os dispositivos da sua casa conectados à internet, afinal, é um enorme convite para hackers se apropriarem de informações pessoais. Imagine perder o controle das câmeras de seu sistema de segurança ou dispositivos. Se dados simples, como seu endereço IP, já podem ser problemáticos por fornecer sua localização aos invasores, a implicação de um vazamento massivo diretamente do seu lar é incalculável.

“Mas então como fazer para proteger meus dados e meu IP?”

Várias estratégias podem ser adotadas para remediar os possíveis perigos da rede 5G e sua super conectividade.

  • Controle do que está online. O usuário deve gerenciar cuidadosamente quais dispositivos ele terá conectado à internet. Muitos aparelhos não precisam de uma conexão ativa para desempenhar suas funções principais, então não há porque mantê-los na rede.
  • Use uma VPN. Com uma rede virtual privada (VPN), é possível criptografar todo o seu tráfego de dados, permitindo que você oculte seu IP e evite que as informações compartilhadas dentro da rede sejam interceptadas por terceiros. É uma excelente maneira de proteger suas atividades online.
  • Tenha senhas fortes para sua rede e suas contas. Uma das maiores fragilidades em sistemas digitais é a fraqueza das senhas comumente usadas. Privilegie códigos complexos e diferentes para cada conta.
  • Mantenha todos os seus aparelhos atualizados. As versões mais recentes de todos os sistemas trazem reparos de segurança e as últimas medidas de defesa para sua proteção. Por isso, nunca seja negligente com suas atualizações – o preço pode ser caro.

Concluindo

Apesar de toda a animação com a possível implantação do 5G no Brasil, muitos desafios ainda devem ser superados para isso. O principal deles diz respeito a questões técnicas. Atualmente, a maioria esmagadora das cidades do país, incluindo as principais capitais, não está apta nem técnica nem administrativamente para receber a tecnologia. E o processo para resolver isso, ao contrário da rede 5G, parece que vai ser lento.

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