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Polêmica EM ESCOLA

Apresentação escolar com hino nacional em ritmo de funk gera polêmica na web. Assista

Hino nacional versão funk, é tocado em apresentação de escola estadual

15 Set 2014 - 13h39Por Extra

Uma apresentação dos alunos da Escola Senador Humberto Lucena, em Cacimba de Dentro, interior da Paraíba, tem gerado polêmica nas redes sociais. Durante a abertura de um evento cultural da instituição, a turma fez uma coreografia de funk. O detalhe é que a parte instrumental da música era composta pelo hino nacional. Ao compartilhar o vídeo no Facebook, o professor Alan Oliveira, de 25 anos, tornou-se alvo de críticas, agressões verbais e até mesmo ameaças.

— São mensagens de racismo, coisas absurdas. Acionei o Ministério Público por conta de um comentário que dizia que os paraibanos são analfabetos. Meu advogado está cuidando disso. Inclusive, chamaram ele de corno, usaram palavras de baixo calão. É um absurdo, está muito difícil.

Foto: Reprodução/Facebook

 

Alan explica que a ideia de realizar uma apresentação com o hino partiu da coordenação da escola, inspirada em uma coreografia de 2013, com o forró. Na época, não houve nenhuma reclamação sobre o gênero musical associado à canção. Para ele, há preconceito relacionado ao funk.

— Tomou uma proporção absurda. Vi comentários dizendo que eu deveria ser metralhado. Pensei no funk porque os alunos amam o funk. Fiz para atrair os alunos, para que eles participassem. A coordenação da escola me deu carta branca porque conhece meu trabalho. Na cidade, só umas duas ou três pessoas foram contra. Críticas são normais, agora não pode acontecer o que estão fazendo comigo, fazer montagem do Bil Laden (terrorista) com a minha cara. Isso me entristece. Estou mais sereno porque tem muita gente do meu lado, estou vendo que não cometi um crime. Com certeza, é preconceito — lamentou Alan.

Montagens e comentários contra o professor Montagens e comentários contra o professor Foto: Reprodução/Facebook

 

No Facebook, o vídeo já foi compartilhado mais de 15 mil vezes. Entre os comentários, há até quem defenda a volta da ditadura militar no Brasil.

“Façam isso na Rússia, Japão, Estados Unidos e Alemanha, que vocês verão o que é "liberdade de expressão" eles vão ser livres em "expressar" a vontade de fuzilar vocês em praça pública”, escreveu um homem no perfil de Alan. “Pra dançar e rebolar a bunda aprende rapidinho, agora estudar que é bom nada”, comentou outro.

 

Volta da ditadura militar? Volta da ditadura militar? Foto: Reprodução/Facebook

 

Apesar das críticas, a apresentação dos alunos também tem recebido apoio nas redes sociais.

“Legal a iniciativa. Que a escola brasileira possa cada vez mais se sincronizar com o ambiente na qual ela está inserida, afinal de contas, é muito mais didático ensinar com meios pelos quais os alunos sintam-se mais à vontade e livre para se expressar. E cultura significa o estilo de vida de levamos, se é associando o hino ao ritmo de funk tem mais relação com a cultura local (e assim com estilo de vida das pessoas) que assim eles sejam ensinados. (...) Não gosto de funk, mas vejo o funk com mais um estilo popular brasileiro, e se o hino fosse tocando em ritmo de forró? ou talvez mpb? seria isso diferente? Enfim, que se possa associar o hino ao axé, funk, sertanejo e assim por diante”, afirmou um jovem.

“Não há crime”

Muitas pessoas tem argumentado que a atitude de apresentar o hino nacional em ritmo de funk seria desrespeitosa e até mesmo ilegal. Uma campanha para denunciar o vídeo à Polícia Federal foi iniciada, acusando Alan de ferir a Lei 5.700, que dispõe sobre a forma e apresentação dos símbolos nacionais.

Mas de acordo com o presidente da Comissão de Direito Constitucional da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ), Leonardo Vizeu, a interpretação está equivocada e a apresentação dos alunos não pode ser caracterizada como desrespeito ao hino nacional.

— Os símbolos nacionais só podem ser utilizados em cerimônias oficiais. No caso de eventos não oficiais, precisam ser apresentados de forma respeitosa. Mas o que seria desrespeito ao hino? Eu mesmo não gosto de funk, mas vi o vídeo e não tem ato de desrespeito nenhum. Se fosse em ritmo de forró, não falariam nada. O que vi ali é que dentro do gosto deles, fizeram uma homenagem ao hino. É um exercício de liberdade, que evoca a liberdade cultural também.

 

Segundo advogado, a lei não pode ser aplicada a este caso Segundo advogado, a lei não pode ser aplicada a este caso Foto: Reprodução/Facebook

 

O advogado afirmou ainda que os comentários se baseiam no preconceito contra o gênero musical e as mensagens de ódio devem ser analisadas com cuidado.

— O professor pode ficar despreocupado. Você pode não gosta de funk, mas ouvir funk ainda não é crime no país. Tocar o hino em ritmo de funk não difere em nada do que já foi feito no passado em outros ritmos. Preocupante é ver as pessoas veiculando mensagens de ódio nas redes sociais. Intolerância e falta de respeito com a opinião alheia. Querem o monopólio da verdade e do bom gosto para si. O sentimento de patriotismo é seletivo. A polêmica é resultado da carga de marginalização que o ritmo carrega — finalizou.

VEJA O VÍDEO

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