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Projeto de lei quer acabar com balas e chicletes na hora do troco em MS

Se balas e chicletes podem servir como dinheiro na hora do troco, por que não usá-los na hora de pagar as compras?

3 Mar 2014 - 07h40Por Campo Grande News

Se balas e chicletes podem servir como dinheiro na hora do troco, por que não usá-los na hora de pagar as compras? O raciocínio parece lógico, mas sabemos que não é bem assim que funciona. Alegando falta de moedas, muitos estabelecimentos insistem em devolver o troco com uma balinha.

Porém, um projeto de autoria do deputado estadual Pedro Kemp (PT), se aprovado, prevê que a devolução do troco seja feita de forma integral ao consumidor. Quem descumprir a medida poderá pagar multa de R$ 1, 8 mil (100 Uferms).

A proposta proíbe a “substituição” do troco por outros itens, como brindes, balas e outros produtos.

Trocar o dinheiro pelos docinhos tira muita gente do sério. Tem cliente que se recusa a aceitar, mas a maioria acaba pegando para não ficar sem nada. "Eu pego, senão eu vou ficar sem o dinheiro e sem bala", explicou o taxista Walton Prado, 25 anos.

De acordo com o Projeto de Lei, se o comerciante não tiver moedas ou cédulas, ele terá que “arredondar” o valor em benefício do cliente. 

O troco indesejado levou uma senhora de 80 anos a inverter os papéis. Carioca, Lucia Maria usou o bom humor para mostrar o descontentamento.

“Fiz uma compra no mercado perto da minha casa. Na hora de pagar, eu dei o dinheiro, como deve ser. E na hora do troco, a mulher do caixa nem me perguntou se eu aceitava a bala, e simplesmente me várias balas como troco”.

Mas ela não deixou por menos. Aceitou as balas, saiu do mercado e voltou ao estabelecimento na mesma hora. Comprou outro produto, entrou na fila e na hora de pagar a surpresa.

“Eu coloquei em cima do balcão o dinheiro e as balas. Ela me olhou assustada. E aí, eu disse: você não acabou de me dar isso de troco, então, é dinheiro”, contou com bom humor.

“A intenção não era arranjar encrenca, mas mostrar para ela que bala não é dinheiro”.

 
O troco solidário é uma boa saída, como disse o aposentado.O troco solidário é uma boa saída, como disse o aposentado.

O projeto será aplicado a pequenos valores, como R$ 0,01.

“Lojas e comércios que vendem produtos com preço picado não devolvem um centavo de troco para os clientes. Na maioria dos casos, um produto que custa R$ 1,99, por exemplo, acaba saindo por R$ 2, já que o troco não é devolvido”, afirmou Kemp.

Para não ter este tipo de problema, a dona de uma conveniência no bairro Tiradentes, em Campo Grande, Elizabeth Santos da Silva, 57 anos, arredonda os valores dos produtos. “Além disso, nós não deixamos faltar moeda no caixa. Isso pode dar um problema grande”, conta.

Na tentativa de justificar, os comerciantes aproveitam para fazer um alerta sobre a falta de moedas. Segundo eles, as moedas de 10 e 5 centavos estão sempre em falta. “A gente procura arrecadar moeda porque moeda de R$ 0,10 e de R$ 0,05 é muito difícil de ter”, disse o operador de caixa de uma padaria, também no Tiradentes, Dannys Ramires, 23 anos.

A gerente da conveniência de um posto confessa que o troco em bala ou chiclete é até comum, já que moedas de R$ 0,10 e R$ 0,05 são escassas. “Quando chega alguém aqui querendo trocar moedas por cédulas, eu abraço a causa porque aqui falta muita moeda”, Fabiana da Cruz, 32 anos.

Segundo ela, entre os clientes, a minoria reclama. “Mas se essa lei for aprovada, o povo vai matar operadores de caixa”, brincou ela.

Com a facilidade do cartão, o professor Bruno Antunes, 26 anos, garante que quase não enfrenta o “troco doce”. “Hoje, é raro eu comprar com dinheiro porque uso muito o cartão. Mas quando acontece de usar dinheiro e vir o troco em balas, eu não gosto muito, mas eu aceito”.

Com bom humor, como se não fosse preciso se chatear com tão pouco, o aposentado Itério Silveira, 82 anos, ressalta o troco solidário como uma boa saída. “É uma boa saída. Assim, estamos fazendo algo útil, uma filantropia. Eu deixo até R$ 2”, disse.

Além da generosidade, o aposentado lembra ainda que as balas ou chicletes “não são motivo para se aborrecer”, garante.

O projeto já foi enviado às Comissões da Assembleia Legislativa. Depois de apreciado, o projeto segue para votação. 

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