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Dólar sobe para maior valor desde 23 de setembro com discurso de presidente do BC

O dólar tentou ensaiar queda pela manhã desta quinta-feira, mas o movimento não se sustentou e o real teve novo dia de enfraquecimento

18 Out 2019 - 12h48Por Estadão Conteúdo

O dólar tentou ensaiar queda pela manhã desta quinta-feira, mas o movimento não se sustentou e o real teve novo dia de enfraquecimento, novamente com um dos piores desempenho no mercado internacional de moedas. Profissionais do mercado de câmbio ressaltam que o acordo para a saída do Reino Unido da União Europeia contribuiu para o dólar cair no exterior, mas declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento fechado em Washington, sobre a possibilidade de intervenção no câmbio em caso de entrada “disruptiva” da moeda americana no Brasil acabou contribuindo para a valorização da moeda, que bateu máximas em meio às falas, a R$ 4,1809. No mercado à vista, o dólar fechou em alta de 0,38%, a R$ 4,1696, a maior cotação desde 23 de setembro.

A declaração de Campos Neto ocorreu na parte de perguntas e respostas em evento fechado do JPMorgan em Washington, onde o dirigente está para participar da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI). Quase no final do evento, perguntado pela plateia sobre intervenção do BC, Campos Neto disse que poderia comprar moeda caso houvesse entrada desordenada e disruptiva de recursos no País. Além de R$ 20 bilhões em ofertas de ações que podem vir a mercado, em operações de bancos como BMG e Banco do Brasil, o leilão da cessão onerosa deve movimentar R$ 106 bilhões em 6 de novembro.

O diretor de tesouraria de um banco destaca que a declaração de Campos Neto “foi infeliz”, pois acontece em momento de escassez de dólares no mercado à vista e de fluxo forte de saída de capital externo do Brasil. Ao mesmo tempo, o executivo avalia que o mercado exagerou na pressão de compra após a fala, pois no mesmo discurso o presidente do BC também deu razões para o dólar cair. Em determinado momento, o dirigente disse que a autoridade monetária poderia vender reservas para dar liquidez ao mercado, caso seja necessário.

“O mercado estava em dinâmica ruim hoje (quinta)”, disse esse diretor. Ele observa que se as declarações de Campos Neto viessem em um dia bom, com mercado disposto a vender moeda, talvez pudesse prevalecer a fala sobre o uso das reservas. Mas com a pressão maior no câmbio, que já vem desde a semana passada, por conta do diferencial de juros historicamente baixo e tendendo a cair ainda mais, o mercado acabou ficando mais estressado e comprou dólar.

Mais cedo, o dólar caiu a R$ 4,1276, na mínima do dia, acompanhando as demais moedas internacionais. O gerente de tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini, ressalta que o acordo para o Brexit trouxe alívio ao mercado e contribui para a forte alta do euro e da libra, ajudando a enfraquecer o dólar. Mas ainda permanecem dúvidas sobre os próximos passos do acordo, sobretudo das chances de ser aprovado no parlamento britânico.
 
 

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