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Em MS, 80% das academias fiscalizadas estão irregulares, diz Cref

4 Fev 2014 - 14h05Por Campo Grande News

Mais preocupado com o bolso do que com a saúde, quem faz academia em Campo Grande corre o risco de se expor a instrutores desqualificados para orientar o aluno durante a prática do exercício físico. Somente em 2013, a fiscalização do Cref-MS (Conselho Regional de Educação Física) constatou que mais de 80% das academias estavam irregulares, a maior parte delas por deixar o treino sob a supervisão de um profissional não graduado.

“Muitos são estagiários ou até mesmo um aluno antigo, que por ter prática é convidado a trabalhar como professor”, exemplifica a coordenadora da fiscalização do Cref-MS, Patricia Barbosa Rodrigues.

O número pode ser ainda maior, admite o Conselho, que não chegou a visitar todos os estabelecimentos de Mato Grosso do Sul: dos 371 estúdios e academias fiscalizados, 300 não passaram pelo crivo do Conselho. Hoje, 745 estão registrados - 448 na Capital, que concentra maior fatia do mercado.

Entre as demais irregularidades, estão o funcionamento sem alvará e falta de equipamentos de segurança, como extintores de incêndio, e os flagrantes não estão restritos a pequenos estabelecimentos, mas abrange também grandes academias, inclusive em regiões nobres da Capital, aponta Patricia.

 
Salete procurou por meses até encontrar um professor de Educação de Física (Foto: Cleber Gellio)Salete procurou por meses até encontrar um professor de Educação de Física (Foto: Cleber Gellio)

A justificativa está na falta de profissionais qualificados, que não acompanhou o surgimento de novas academias com o aumento da demanda por um estilo de vida saudável. “Há algum tempo que os acadêmicos se formam, mas parecem não ter interesse em seguir a profissão. Passei meses a procura de um professor para trabalhar aqui na academia, até contratar um funcionário”, afirma Salete Rosa, que há 11 anos administra a academia Arena, no bairro Bandeirantes. “Muitos se registram no Cref, mas não chegam a atuar”, reforça.

Pechincha - A postura de muitos alunos alimenta a atuação de locais clandestinos. “Ao pagar salário para um estagiário, é possível cobrar uma mensalidade mais barata dos que as que investem em bons profissionais, e assim atrair o público”, explica a fiscal.

“O aluno não está interessado em saber das referências da academia, não busca alvará, a licença para os professores atuarem. Eles querem é preço. E nós, que procuramos manter a manutenção em dia, nos prejudicamos, porque acaba sendo mais caro do que muitas por aí”, acrescenta Salete.

“Só quero alguém que uma vez por mês me passe a série de exercícios. De resto, não me importo em ficar sozinha, malho há três meses e até agora não tive problemas”, opina a estudante Camila Britto, 23 anos. “Escolhi minha academia por indicação de uma vizinha e porque era o preço mais em conta do bairro”, explica.

O Campo Grande News visitou outra academia onde, por R$ 45, é possível fazer musculação de segunda-feira à sábado, além de qualquer uma das modalidades oferecidas: Zumba fitness, Axé, Boxe, Muay thai e Jump.

Por outro lado, a instrutora,que também é proprietária, supervisiona sozinha o treino de todos os alunos. “Eles preferem fazer sozinhos, se sentem mais livres”, alega. “Já tentei contratar mais gente, mas quando aparecem alguém, eles pedem um salário absurdo, que não tenho como pagar”, afirma.

“Sempre desconfie se for barato demais. Uma academia precisa pagar a conta de luz, fazer a manutenção dos aparelhos e ainda pagar um salário que siga o piso dos profissionais de Educação Física para estar dentro da lei”, reforça Patricia.

O barato sai caro – Patricia ressalta que o que está em jogo é a saúde do aluno. “Uma avaliação física mal feita e exercícios inapropriados podem levar a atrofia dos músculos, e outros danos que podem ser irreparáveis”.

Ao flagrar a irregularidade, o Cref autua o estabelecimento e estabelece um prazo para que sejam feitas as adequações recomendadas. Após esse período, a academia que não cumprir é interditada. Para o profissional irregular, o prazo é dado para regularizar o registro profissional. Se houver reincidência, é possível até perder o registro e ficar impedido de atuar como professor.

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