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Brasil

Zeca do PT será sócio de José Dirceu em consultoria

29 Mar 2007 - 10h15
O ex-governador Zeca do PT recusou os empregos oferecidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para se dedicar à iniciativa privada na área de consultoria empresarial. Ele confirmou, por intermédio do deputado estadual Paulo Duarte (PT), que fará parceria em alguns projetos com o ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado, José Dirceu.

Orcírio decidiu permanecer em silêncio por mais dois ou três meses, apesar dos ataques do atual governador, André Puccinelli (PMDB). Depois de oito anos de forte exposição na mídia, o petista quer se afastar temporariamente dos holofotes. Para não deixar as acusações sem resposta, pediu para Duarte fazer sua defesa quando for atacado.

Duarte contou que o ex-governador recusou a proposta de Lula, de assumir a Secretaria Executiva do Mercosul, porque não deseja sair do País. Após conversar com a esposa, Gilda dos Santos, ele também declinou dos convites para cargos no Banco do Brasil, na Sudeco (Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste), que deve ser recriada pelo Governo Lula, ou em outras instituições federais. Os motivos alegados seriam de ordem pessoal.

Empreendimento – A consultoria que Zeca pretende abrir atuaria principalmente na área de biodiesel, atendendo a empresas que querem investir em Mato Grosso do Sul e em outras regiões brasileiras. Ele atuaria com Dirceu atendendo a empresas que querem investir no Estado e para as quais o ex-ministro presta consultoria.

Para o ex-governador, a parceria com José Dirceu não prejudicará sua imagem. "Ele entende que de forma alguma (essa parceria) vá macular a imagem dele e muito menos considera a imagem de Dirceu maculada", disse Duarte, quando questionado se a união poderia prejudicar os planos políticos de Zeca, devido ao suposto envolvimento do ex-ministro no esquema do mensalão. "Na verdade, até hoje não ficou provado absolutamente nada em relação ao ex-ministro e ele entende que se fosse uma pessoa que tivesse imagem maculada não teria tantas pessoas procurando o Zé Dirceu, até empresas multinacionais o procuram para fazer esse trabalho de consultoria", acrescentou.

O parlamentar informou também que Zeca pretende contratar ex-integrantes de seu Governo para o empreendimento, mas não adiantou os nomes. Segundo Duarte, quinta-feira Orcírio viaja ao Rio de Janeiro para fazer contato com alguns empresários.

Segundo o deputado, o ex-governador não engavetou a proposta de abrir uma fundação para tratar de questões relativas à integração da América Latina. Além disso, após os seis meses de silêncio a que se propôs, pretende voltar à política e iniciar as articulações no próprio PT, inclusive para viabilizar sua possível candidatura ao Senado em 2010.

Senado – Zeca voltou a afastar a possibilidade de concorrer à Prefeitura de Campo Grande e reafirmou a intenção de disputar o Senado. "É uma pretensão dele que ele fala que depende inclusive do próprio partido, da aprovação do PT", disse Duarte. O deputado não acredita que a pretensão possa abrir crise interna no partido, caso o senador Delcídio do Amaral tente a reeleição. "É uma perspectiva, agora, falta muito tempo, eleição é em 2010, muita água vai rolar debaixo da ponte. Mas é uma sinalização de que ele não esteja encerrando a carreira política", afirmou o parlamentar.

Críticas de Puccinelli – Zeca considera "natural" que o governador André Puccinelli reclame da administração petista. "O único governador que não reclamou do seu antecessor foi Tomé de Souza", disse o ex-governador, por intermédio de Duarte, referindo-se ao primeiro governador-geral do Brasil (1549-1553).

Ele reafirmou em que a situação que o peemedebista encontrou o Estado é melhor do que quando assumiu em 1999, quando a receita era de aproximadamente R$ 45 milhões, havia salários atrasados e dívidas a curto prazo. Ele voltou a enfatizar que concluiu o mandato com a folha de pagamento do funcionalismo em dia e uma receita de ICMS de quase R$ 300 milhões.

Veto a Moka – Duarte negou que Zeca vetou seu primo, o deputado federal Waldemir Moka (PMDB), para o Ministério da Agricultura. O deputado também disse que o ex-governador não levou fitas ao presidente com declarações do peemedebista contra Lula. Ele lembrou que o Planalto tem todas as informações sobre os candidatos a ministro e não precisa de veto ou intervenção do PT estadual.

 

 

 

Correio do Estado

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