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Wagner Cordeiro escreve sobre as Eleições de 1989 no Brasil

19 Nov 2009 - 11h10

ELEIÇÕES 1989: UM MARCO DA REDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIRA11 

 

                       

 

Wagner Cordeiro Chagas

 

            Neste final de 2009 completam-se 20 anos de uma das mais importantes eleições presidenciais da história brasileira, as eleições de 1989. Realizada nos momentos finais e conturbados do Governo Sarney (1985-1990), num contexto de inflação descontrolada, planos econômicos fracassados e novos direitos civis garantidos pela Constituição Federal de 1988, o pleito foi disputado por 22 candidatos.

 

Concorreram ao Palácio do Planalto: Fernando Collor de Mello (PRN), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Leonel Brizola (PDT), Mário Covas (PSDB), Paulo Maluf (PDS), Guilherme Afif (PL), Ulysses Guimarães (PMDB), Roberto Freire (PCB), Aureliano Chaves (PFL), Ronaldo Caiado (UDR), Afonso Camargo (PTB), Enéas Carneiro (PRONA), Alcides Marronzinho (PSP), Paulo Gontijo (PP), Zamir Teixeira (PCN), Lívia Maria (PN), Eudes Matar (PLP), Fernando Gabeira (PV), Celso Brant (PMN), Antônio Pedreira (PPB), Manuel Horta (PDC do B) e Armando Corrêa (PMB), que na reta final da campanha cedeu lugar a Silvio Santos, recém filiado a essa mesma legenda. Contudo, devido a descobertas de irregularidades no partido, o apresentador teve a candidatura cassada pelo TSE.

 

Dentre esses nomes, alguns são conhecidos nos meios políticos até os dias atuais, enquanto outros, raras vezes ouve-se falar. Famosos ou anônimos, o importante é que esses personagens permitiram algo que a população brasileira esperava há 29 anos: o direito de escolher entre vários nomes, o presidente da República Federativa do Brasil. Tal direito havia sido revogado por meio do Ato Institucional nº 2 decretado em 1967, em pleno regime de ditadura militar.

 

Esse pleito estreou uma das melhores maneiras do cidadão brasileiro conhecer as propostas de seus candidatos: os debates em cadeia nacional de televisão. No decorrer da campanha presidencial, as redes Bandeirantes - a pioneira dos debates presidenciais – Globo, SBT e Manchete possibilitaram o confronto de ideias entre aqueles presidenciáveis. Esses encontros caracterizaram-se por apresentarem discussões acaloradas entre as figuras políticas, o bate boca foi algo constante entre alguns adversários.

 

Outro meio de divulgação intensamente utilizado foram os jornais e revistas, basta lembrar-se das coberturas da Veja. Do início ao fim da campanha, a revista semanal sempre trazia uma reportagem especial sobre as eleições, enfatizando principalmente as candidaturas de Fernando Collor (1º lugar) e Lula (2º lugar), as quais despontaram após Brizola perder a posição de favorito nas pesquisas.

 

Apesar das diversas candidaturas, Collor e Lula polarizaram a corrida eleitoral. Conforme Bolívar Lamounier (2005), essas duas candidaturas apresentavam uma grande divergência ideológica, no que diz respeitos aos programas de governo.

 

Fernando Collor, candidato pelo inexpressivo Partido da Reconstrução Nacional (PRN), possuía em seu currículo a experiência de ser ex-governador de Alagoas, além de ser empresário do ramo das comunicações. Sua base de apoio era composta por diversos setores empresariais do país, em termos econômico estes defendiam um projeto neoliberal para o Brasil.

 

Lula, tendo como aparato o Partido dos Trabalhadores (PT) e um significativo número de militantes oriundos dos meios operários, universitários e de uma boa parcela de intelectuais marxistas, estava ligado aos setores populares da nação. Seu histórico político era preenchido com a experiência de ex-líder sindical na região do ABC paulista e o mandato de deputado federal constituinte exercido pelo estado de São Paulo. Em relação as suas propostas de governo, identificava-se a forte intervenção do Estado nos setores básicos da economia nacional.

 

A acirrada disputa entre os dois candidatos confirmou-se no primeiro turno realizado no dia 15 de novembro. Sem alcançar números suficientes, a eleição caminhou para o segundo turno, onde com 37% dos votos válidos, Collor elegeu-se presidente da República, o primeiro eleito pelo voto popular desde a última eleição presidencial ocorrida em 1960.

 

20 anos se passaram. Hoje, Lula, após uma transformação ideológica em seus programas, exerce o mais importante cargo da República. Collor, por sua vez, é senador pelo PTB alagoano e se posiciona como forte aliado do atual governo. Ao longo desse período, realizaram-se 4 eleições livres (1994, 1998, 2002 e 2006) para a presidência da República.

 

Não há dúvida de que o sistema eleitoral brasileiro necessita, urgentemente, passar por reformas, pois os pleitos ocorridos nesses anos ainda contêm marcas do abuso do poder econômico e as tentativas de intimidação do eleitor por partes de alguns detentores do poder político. A democracia que se vive encontra-se em processo de aperfeiçoamento, e é fundamental que se defenda e valorize esse direito conquistado às custas de vidas humanas. Democracia sempre, Brasil!   

 


Professor de História em Fátima do Sul-MS, licenciado pela UFGD e fatimasulense da gema. E-mail: wc-chagas@bol.com.br

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