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Brasil

Valter defende apoio programático do PMDB a Lula

24 Nov 2006 - 16h58

Com fôlego de estreante e experiência de veterano. Foi assim que o advogado Valter Pereira (PMDB) assumiu esta semana o lugar do senador Ramez Tebet (PMDB), que faleceu na sexta-feira passada (17) devido a complicações em decorrência de um câncer.

Com a missão de substituir o “camisa 10” da bancada federal de Mato Grosso do Sul, o campo-grandense de 62 anos, dos quais 33 dedicados à política, se mostra entusiasmado com o novo desafio e não quer ser mais um no Congresso Nacional. “Eu quero começar a discutir algumas questões do Estado”, diz.

Entre elas, Pereira destaca o desenvolvimento sustentável. “Existem problemas sérios de natureza ambiental que não estão sendo devidamente focalizados. Você não pode, a pretexto do crescimento econômico, atropelar a questão ambiental”, analisa.

Outra questão que pretende colocar em discussão no Congresso é a reforma agrária. Para Pereira, o País está assistindo à proliferação das “favelas rurais”. “Não basta dar a terra. Assim, o sujeito vira um favelado rural. Muitos acabam vendendo a terra e voltando para os assentamentos, para receber a cesta básica. Sempre defendi a Reforma Agrária, mas tem que ser um projeto de governo, um projeto de Estado, para transformar aquele que é um párea em um produtor”, afirma.

A reforma política, na avaliação de Pereira, também estará em pauta logo no início do próximo ano. O senador critica as legendas de aluguel, que abrigam parlamentares durante a campanha eleitoral e são logo depois trocadas por outras mais convenientes aos interesses individuais dos eleitos, e condiciona o apoio institucional do PMDB ao Governo Lula, em prol de uma “agenda de desenvolvimento para o País”, ao cumprimento do Pacto Federativo. Nessa perspectiva, Pereira considera natural os peemedebistas terem cargos no Planalto. “Por que você não pode ficar só no discurso. Você tem um projeto e uma agenda mínima que precisa ser operacionalizada. E para operacionalizá-la você precisa de quem tenha esse tipo de compromisso”, afirma.

Segundo ele, o “namoro” em Brasília, quando virar casamento, pode, inclusive, ter desdobramentos no Estado. “Eu acho que as relações do PMDB com o PT no País, uma vez modificadas, podem repercutir aqui. Não sei como nem quando, mas podem. Acho que pode haver um abrandamento das relações”, diz.

Único senador do PMDB de Mato Grosso do Sul, Pereira descarta comandar a bancada federal do Estado em 2007 e diz acreditar que esse papel caberá, de fato, ao governador eleito André Puccinelli. Ele, que cumprirá mandato até 2010, também permanecerá no cargo de secretário-geral do PMDB regional. Antes de ser senador, foi vereador (1973-1975), deputado estadual (por dois mandatos, 1975-1979 e 1983-1987) e federal (por três mandatos, 1979-1983, 1987-1991 e 1991-1995). Pereira foi ainda secretário estadual de Educação e presidente da Enersul (Empresa Energética de Mato Grosso do Sul).

Depois de quase 33 anos de vida pública, o senhor assume o mandato de senador no lugar do senador Ramez Tebet (PMDB), a quem o senhor chamou de “camisa 10”. Como está sendo esse momento sob o ponto de vista pessoal? Existe um misto de emoção, principalmente em função da perda do amigo, como também de esperança, porque você vira a página da história, mas a história continua. É um desafio muito grande substituir o Ramez, porque foi um político que conquistou a maior projeção entre todos aqueles que ocuparam cargos públicos. Isso é uma responsabilidade muito grande, um desafio, e eu vou procurar estar a altura desse desafio e dessa responsabilidade.

Os deputados federais Waldemir Moka e Nelson Trad, além do senador Ramez, sempre se posicionaram como oposição ao governo federal no Congresso. Como será a atuação do senhor? A conduta do senador Ramez Tebet eu acho que é a que se encaixa mais na nova modalidade de se fazer política. Ao mesmo tempo em que conseguia imprimir uma firmeza muito grande nas convicções que defendia, na defesa da ética, dos interesses do Estado, ele conseguia também promover algumas ações voltadas para obter o consenso, a concórdia. Então, essa conduta eu acho que é mais apropriada para atender as expectativas da sociedade. A sociedade hoje não comunga mais com o sectarismo. Ela prefere que haja uma atitude independente e mais racional, não da crítica gratuita nem fortuita, mas da crítica construtiva, ou seja, da crítica que tem razão de ser.

O presidente Lula conseguiu a adesão do PMDB e sai agora em busca do PSDB. Isso ajuda ou atrapalha o país? Quem fará o papel de oposição? Eu acho que na democracia é muito importante que haja oposição. Então alguém tem que fazer a oposição. A posição do PMDB registra um avanço. Anteriormente, o PMDB estava sendo visto como a expressão de duas ou três lideranças. O presidente da república buscava nessas lideranças o apoio de toda a agremiação, só que essas expressões do partido não representavam o que o partido pensa. Agora, houve um avanço nos dois lados. Houve um avanço do presidente Lula em estabelecer contatos institucionais com o PMDB. Foi lá e se reuniu com o comando do partido, através do seu próprio presidente e das lideranças maiores. E isso é um avanço.

O senhor acha que isso pode acabar com a dissidência no PMDB entre oposicionistas e governistas? Acho. O outro paradigma que foi estabelecido e que pode aliviar as tensões no PMDB é que o partido sentou para conversar com o presidente alicerçado numa agenda mínima, que tem como objetivo fundamental o crescimento econômico, a celebração de um novo Pacto Federativo, a correção de rumos da economia. Então isso é outra mudança. No PMDB, os setores mais ideológicos repugnavam basicamente aquele balcão de negócios. A linguagem mudou. Hoje, a negociação se traduz através de uma agenda para o país. Então, é claro que isso alivia as tensões. Alivia as tensões também o fato de o presidente da República estar permeável a esse tipo de entendimento.

Mas a ala governista do partido quer a participação no governo com cargos, inclusive com uma maior atuação nos ministérios. O que o senhor acha disso? Nós entendemos que a participação no governo depende basicamente de se definir esses paradigmas. O País vai crescer? Haverá um novo Pacto Federativo? A União está disposta a perder um pouco a hipertrofia do seu poder para partilhar com estados e municípios? Estas são as questões. Dependendo de como se dá esta questão, aí o PMDB parte para uma segunda etapa da discussão, que é a participação, que é a execução do projeto. Por que você não pode ficar só no discurso. Você tem um projeto e uma agenda mínima que precisa ser operacionalizada. E para operacionalizá-la você precisa de quem tenha esse tipo de compromisso.

Essa atuação no Governo não prejudica a independência dos parlamentares na hora de votar no Congresso? Eu acredito que não. O PMDB, a partir do momento em que pactuar essa agenda mínima e que lá na frente evoluir para uma participação, para uma execução desses objetivos, é claro que o partido passa a ter mais responsabilidade com o governo. Então, alguns remédios amargos que poderão ser necessários para tirar o País do atraso, o partido vai ter que compartilhar.

Dentro dessa perspectiva de uma “melhor relação” do presidente Lula com o Congresso Nacional, o senhor acredita ser possível votar as reformas política e tributária já em 2007? Eu acho que o presidente tem que dar prioridade à reforma política, porque ela é necessária até para a implementação da agenda do crescimento. Os partidos políticos têm que ter um perfil mais ajustado a essa modernidade. O partido não pode ser bando, sem objetivo, sem ideologia, sem rumo. O partido político tem que ter um perfil que se identifique com as aspirações da sociedade. Então, é preciso que se faça a reforma política, que se faça a reforma partidária, a fim de que o processo eleitoral seja mais representativo, a fim de que os partidos tenham maior disciplina, maior fidelidade. O que está acontecendo na política brasileira é que os indivíduos se valem de uma legenda para se eleger. Após conquistar o voto, aquilo que ele falou não vale mais e o partido que o abrigou também não vale mais. Então ele passa ser dono de uma representatividade que na verdade foi conquistada em cima de um discurso partidário. É cedo para fazer essa avaliação [Quanto à votação das reformas], porque somente no momento em que tomarem posse os novos parlamentares é que poderá se delinear esse horizonte. O entendimento institucional que está sendo costurado, e que deve evoluir para uma consolidação mesmo com o PMDB, é o primeiro passo.

O presidente também tem buscado o entendimento com o PSDB. O descontentamento dos governadores eleitos José Serra (PSDB/SP) e Aécio Neves (PSDB/MG), que criticaram a reunião da cúpula tucana com o presidente Lula, na casa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pode ser visto como indício de racha no partido e até mesmo da possível criação de uma nova sigla, como defende Serra? Olha, a partir do momento que experimentamos a cláusula de barreira, começou a reforma partidária. Na verdade, a reforma partidária não é um projeto que vai começar, mas que já foi deflagrado. A partir daí, essa proposta do Serra pode se viabilizar lá na frente e pode levar a outras acomodações, de outros agrupamentos partidários. Eu acho que agora, necessariamente, vai afunilar essa questão dos partidos.

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