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DOURADOS

Uragano faz dois meses e população defende novas eleições em Dourados

1 Nov 2010 - 05h40Por Diário MS
O escândalo de corrupção que levou para a cadeia todo o primeiro escalão da Prefeitura de Dourados e nove dos 12 vereadores completa dois meses hoje, dia 1º de novembro. Das 29 pessoas presas pela PF (Polícia Federal), durante a Operação Uragano, dez continuam presas o prefeito afastado Ari Artuzi (sem partido), o vice, Carlinhos Cantor (PR), a primeira-dama, Maria Freitas Artuzi, os ex-secretários Alziro Moreno, Tatiana Moreno, Ignez Boschetti e os vereadores Sidlei Alves (DEM), Humberto Teixeira Júnior (PDT), Edvaldo Moreira (PDT) e Cláudio Marcelo Hall, o “Marcelão”.
Mesmo depois de 60 dias, a situação continua muito viva no imaginário da sociedade douradense que, em sua ampla maioria, vê a realização de eleições diretas como a única forma de garantir de forma isenta a reconstrução político-administrativa do município. O pleito eleitoral é defendido por representantes da igreja, entidades filantrópicas, da classe empresarial e por populares.

CATÓLICOS
Para o bispo da Diocese de Dourados, dom Redovino Rizzardo, apesar de toda a perplexidade provocada pela Operação Uragano, o escândalo trouxe à tona a Dourados a necessidade de se “repensar” a forma de se fazer política no município. “Tem males que vêm para bem. Muitas lições estão sendo tiradas de toda essa situação”, comentou. O bispo acredita que a realização de novas eleições para escolha de prefeito e vice seria a maneira mais adequada dos douradenses corrigirem os erros do passado e iniciarem a reconstrução da credibilidade política. “Com tudo isso, a sociedade precisa assimilar o sentido de cidadania e Justiça, assumindo também sua parcela de culpa nesses tristes acontecimentos. Uma nova eleição seria a melhor forma de Dourados reestruturar seu modelo organizacional”, relatou.

EVANGÉLICOS
Já o bispo e presidente do Conped (Conselho dos Pastores Evangélicos de Dourados), Marcos Vitor, acredita que a sociedade ainda espera do Judiciário respostas mais concretas sobre os fatos que vieram à tona na Operação Uragano. “Ainda existe um cenário de expectativa na cidade. É preciso que a Justiça e os órgãos responsáveis tragam à tona tudo que aconteceu. Existem questões que precisam ser explicadas, como o fato do prefeito estar preso em Campo Grande, afastado de tudo e de todos. Esse cenário de incertezas faz com que ninguém confie em ninguém. É preciso uma ampla apuração dos fatos, no entanto, assegurando aos envolvidos o amplo direito de defesa. A lei precisa ser respeita em todos os quesitos”, falou.

EMPRESÁRIOS
A realização de novas eleições para a escolha de outro prefeito também é defendida pelo presidente da Aced (Associação Comercial e Empresarial de Dourados), Antônio Freire. Segundo ele, um novo pleito eleitoral daria legitimidade à nova estrutura político-administrativa que está sendo construída no município. “Hoje, nos deparamos com um cenário de apatia e depressão em nossa cidade. O escândalo político de certa forma provocou uma paralisia no setor empresarial, que deixou de investir e de ampliar suas atividades em virtude do cenário de incertezas que vivemos hoje. Acredito que a Justiça está fazendo a sua parte e que todos os envolvidos terão a punição que merece. No entanto, a necessidade de novas eleições é eminente. Esse modelo de sucessão que está sendo colocado não supre o desejo de Justiça e de reconstrução pregada pela sociedade. A realização de eleições certamente é melhor forma de corrigir os erros e iniciar uma nova fase”, disse Freire.

COMÉRCIO
O presidente da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) de Dourados, Jorge Luiz de Souza, é outro que acredita em “uma resposta a altura” do judiciário diante do cenário de descrença criado pelo maior escândalo político já visto na história de Dourados. Ele também vê a realização de eleições diretas como a melhor maneira de garantir a reorganização do poder público municipal. “Acredito que o judiciário tem todo o preparo necessário para tomar as providências necessárias em um caso como esse. Se a Justiça acha necessária a permanência dessas pessoas na cadeia devido a tudo que foi revelado nesses dois meses, temos que apoiar. No entanto, a convocação de novas eleições é de fundamental importância para que o poder público possa volta a ter voz e presença em Dourados. Hoje, ninguém decide nada, já que não sabe quem vai ocupar o cargo e por quanto tempo. Dourados precisa reagir e só uma nova eleição estimularia isso”, relatou.

ENTIDADES
Para o presidente do Rotary Clube Douradão, Whanderson Santos Rodrigues, a prisão de Artuzi, Cantor e de nove vereadores criou um clima de “incerteza” e também engessou a atividade econômica no município. “A economia de Dourados está com o pé atrás diante de tudo que vem ocorrendo. O empresariado precisa voltar a acreditar no potencial da cidade. Acredito que a realização de novas eleições, desde que seja feita dentro da legalidade, seria a resposta que toda a população espera”, relata.

POPULAÇÃO
Já entre a população, o sentimento diante da prisão do primeiro-escalão da prefeitura e de quase toda a Câmara de Vereadores é de perplexidade e revolta. “Não tem como aceitar uma situação vergonhosa como essa. Essas pessoas se apossaram do bem público e, ao se julgarem acima de todos, pisaram em cima da dignidade das pessoas. Hoje, depois de tudo que vimos, só peço que a Justiça faça a sua parte e que possamos ter novas eleições para escolher de forma correta nossos representantes”, declarou o estudante Anderson Machado Mendes, 18.
Já a professora Marceli Caetano, entende que a situação revelada pela PF precisa servir de exemplo para a classe política e a sociedade. “Apesar de tudo, lições estão sendo tiradas por todos. Pela população, que, ao se vender a práticas políticas esdrúxulas, escolhe pessoas totalmente despreparadas para nos representar e coloca em risco o bem estar de uma sociedade. Os políticos também aprendendo com tudo isso. Hoje, acredito que eles têm claro na mente que a sociedade exige uma postura ética, responsável e limpa de seus representantes”, disse.

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