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Um ano depois da tragédia, Haiti ainda espera por ajuda

12 Jan 2011 - 09h48Por VEJA

Um ano depois do terremoto que arrasou o Haiti, a população do país mais pobre das Américas segue esperando que a ajuda prometida por outras nações se reflita em uma melhora urgente de suas condições de vida. Depois do violento tremor registrado no dia 12 de janeiro de 2010 e suas réplicas, que deixaram mais de 200.000 mortos e 2 milhões de desabrigados, toneladas de alimentos e outras doações vindas de todo o mundo chegaram a Porto Príncipe. No dia 31 de março, em uma cúpula realizada em Nova York, o mundo se comprometeu a fornecer 5,3 bilhões de dólares em dois anos - valor considerado alto, mas insuficiente para concluir a reconstrução. Passados doze meses, o dinheiro já entregue é bem menor.

O Haiti sofreu perda de 60% de suas infra-estruturas do governo, danos em cerca de 200.000 residências e perda financeira no valor de 7,8 bilhões de dólares, equivalente a 120% de seu PIB em 2009. Por isso, o primeiro-ministro haitiano, Jean Max Bellerive, qualificou em novembro passado como "exígua" a contribuição prometida após a catástrofe. Boa parte desse montante segue sem chegar ao país um ano depois. Em julho do ano passado, quando se completou o período de seis primeiros meses desde o terremoto, o presidente haitiano, René Préval, afirmou que havia uma grande desproporção entre os fundos necessários para a reconstrução e os que já tinham sido recebidos. E os doadores reconhecem os problemas.

Os Estados Unidos, por exemplo, afirmam que, dos 2 bilhões de dólares aprovados para ajuda humanitária ao Haiti, 1,15 bilhão foi entregue, e a quantia restante está bloqueada no Congresso - a Casa ainda precisa dar sinal verde ao envio, por questões burocráticas. O Banco Mundial espera terminar de entregar 749 milhões de dólares no final de 2011; o FMI aprovou o perdão da dívida haitiana, de 268 milhões; e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) destinou 176 milhões ao Haiti durante 2010. A União Europeia informa que, do 1,235 bilhão de euros que ofereceu para a reconstrução haitiana, até agora concedeu apenas cerca de um terço. A Unasul prometia 100 milhões de dólares. Deu 75% disso por enquanto.

Em setembro de 2010, o chefe da missão para a estabilização no Haiti (Minustah), Edmond Mulet, disse no Conselho de Segurança da ONU que, descontado o perdão de dívidas, naquela época o Haiti havia recebido só 20% do prometido. Um protesto a que se juntou o padre Ángel García, presidente da ONG espanhola Mensageiros de La Paz, que disse à agência de notícias Efe que no Haiti "não se reconstruiu nada". De acordo com o ex-ministro haitiano Gérald Michel Mathurin, o governo local é "frouxo" e "não sabe coordenar". Além da corrupção, que segundo relatório de 2010 da ONG Transparência Internacional continua sendo um dos principais males do país, o Haiti sofre com uma crise política que nunca termina.

Vinte anos - Para piorar ainda mais a situação, a epidemia de cólera ocorrida em outubro, que já deixou mais de 3.400 mortos, criou novas necessidades. A ONU tenta arrecadar 164 milhões de dólares para combater a epidemia, embora só tenha recebido um quinto dessa quantia, segundo disse em dezembro o diretor-geral do Unicef, Anthony Lake. Este panorama faz com que se calcule que a "refundação" do Haiti levará cerca de 20 anos para se concretizar, de acordo com o ministro de Turismo, Patrick Delatour. Poucas reconstruções ocorreram nas zonas afetadas e em favor dos 1,5 milhão de desabrigados - que se somaram à grande quantidade de pessoas que já não tinham acesso a serviços básicos no país.

Segundo os últimos números, um ano depois da tragédia, cerca de 1,3 milhão dos desabrigados continuam vivendo em 1.300 acampamentos. Segundo o governo, faltam 5 bilhões para oferecer aos desabrigados instalações melhores que as tendas nas quais muitos deles vivem amontoados e expostos a problemas decorrentes de falta de higiene e segurança. Muitas ruas continuam obstruídas por boa parte dos mais de 20 milhões de metros cúbicos de escombros espanlhados pela capital. No lado econômico, milhares de pessoas ficaram sem fontes de subsistência em um contexto no qual 30% dos postos de trabalho disponíveis antes do tremor foram perdidos, o que agravou o já elevadíssimo índice de desemprego.

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