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Todas as ambulâncias do Samu vão ter desfibriladores até setembro

19 Ago 2010 - 13h24Por R7

Até o fim de setembro, o Ministério da Saúde vai investir R$ 5,8 milhões para equipar todas as ambulâncias do serviço de emergência, o Samu, com desfibriladores. Atualmente, apenas 300 ambulâncias (20% do total) possuem esse aparelho, mas o do tipo convencional, que precisa ser operado por um médico especialista. Já os novos desfibriladores, que serão instalados nas demais 1.221 ambulâncias, são automáticos. A vantagem deles é poder ser operados por enfermeiros, motoristas socorristas e até mesmo por leigos.

 

O desfibrilador é usado para salvar pessoas que sofrem uma parada cardíaca. O aparelho emite um choque elétrico, que faz com que o coração volte a funcionar corretamente. Ele é essencial em situações de emergência porque, a cada minuto que um paciente fica sem ser reanimado, ele perde 7% das chances de ser salvo, segundo o cardiologista Enrique Pachon, do Hcor (Hospital do Coração, de São Paulo).

- Depois de 10 minutos, as chances caem 70%. Mas se você identifica imediatamente a arritmia e faz a desfibrilação precoce, as chances de salvar são maiores.

As 300 ambulâncias que já possuem desfibriladores são as unidades de atendimento avançado, conhecidas como UTIs móveis. Elas contam com o aparelho do tipo convencional, que exige a presença de um médico para interpretar o ritmo cardíaco do paciente e decidir se é necessário ou não fazer a reanimação. Além do médico, esses veículos contam com um enfermeiro e um motorista socorrista.

Já as demais 1.221 ambulâncias são as unidades de atendimento básico, que não possuem médicos na equipe. O desfibrilador automático, no entanto, dispensa essa necessidade. Ele é composto por duas pás que são aplicadas sobre a região do tórax do paciente. Quando ligado, ele registra o batimento cardíaco, faz o diagnóstico e orienta o profissional a apertar ou não o “botão de choque”.

Com essa tecnologia, tanto o enfermeiro como o motorista socorrista poderão conduzir esse procedimento. Antes, era preciso chegar a uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ou então a um hospital para realizar a reanimação, o que desperdiçava tempo e a vida do paciente. Pachon diz que o ganho com essa inovação é muito grande.

– Esses aparelhos têm um índice de confiabilidade alto. Pode ser manipulado por leigos, desde que haja algum treinamento. Apesar de ter demorado um pouco, ele chegou em boa hora e vem cobrir uma lacuna que precisava ser resolvida.

Segundo o coordenador geral de urgências e emergências do Ministério da Saúde, Clésio Mello de Castro, os benefícios para a população serão imediatos.

- Muitas vidas vão se salvar com uma desfibrilação precoce, com o diagnóstico e tratamento mais rápido. De imediato a gente já ganha.

Segundo o ministério, com as 300 UTIs móveis e as 1.221 ambulâncias de atendimento básico, a rede pública de saúde conta com 1.521 ambulâncias de emergência, circulando em 1.286 municípios e atendendo a 106 milhões de brasileiros. Além delas, Castro afirma que o governo também vai equipar com os desfibriladores automáticos as 400 motos de emergências (chamadas “motolâncias”, que atuam em grandes cidades) e as oito lanchas (conhecidas por “ambulanchas”, que atendem regiões ribeirinhas).

Instalação de aparelhos precisa se expandir

A instalação dos desfibriladores automáticos nas ambulâncias de emergência já era uma solicitação de muitos médicos, como os da Sobrac (Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas) e da Sobrati (Sociedade Brasileira de Terapia Intensiva).

Diante disso, Castro afirma que o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Emergência) é um plano que vem se aperfeiçoando ao longo do tempo.

- [Os investimos são feitos] conforme a tecnologia avança e fica mais barata, possibilitando a instalação em massa. O desfibrilador automático é um deles.

Para o médico Douglas Ferrari, presidente da Sobrati, esses aparelhos automáticos deveriam ser instalados não somente nas ambulâncias, mas, também, em todos os lugares com mais de mil pessoas, “como em agências bancárias, onde entram e saem mil pessoas em um único dia”.

- [Equipar as ambulâncias] já é um impacto considerável, porque nós vamos melhorar a sobrevida dos pacientes. Mas ainda estamos longe de uma situação ideal.

Já Castro alerta, no entanto, que o desfibrilador é apenas uma das ferramentas de uma “cadeia de sobrevivência”, que precisa funcionar em conjunto para aumentar as chances de salvar um paciente.

- [Salvar vidas] depende de a população acionar imediatamente o serviço, de a central fazer a mobilização rápida, dos profissionais, das UPAs e dos hospitais. O desfibrilador vai fomentar essa rede.

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