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Sobram vagas para empregada doméstica em Dourados

10 Mai 2011 - 15h05Por Dourados Agora

Quem precisa de uma empregada doméstica está encontrando dificuldades para contratar uma boa profissional. Isto porque o número de pessoas dispostas a trabalhar com a limpeza doméstica é cada vez menor, segundo as próprias trabalhadoras do setor. Outro fator que tem desmotivado as profissionais é a baixa remuneração e, no caso das diaristas, a ausência de direitos trabalhistas como carteira assinada e 13º salário. Por causa disso, sobram vagas no mercado de trabalho e quem precisa contratar deve ter muita paciência. Somente na Agência Pública de Empregos de Dourados, são 35 vagas disponíveis, mas este número facilmente chega a 60.

O gerente da Agência de Empregos em Dourados, José Alberto Thiry, conta que a demanda de vagas de diarista e doméstica é muito maior do que a procura destas profissionais. Segundo ele, alguns fatores favorecem a baixa procura pelas vagas – como a migração para outros postos de trabalho e até mesmo a visão negativa da profissão. “Muita gente acha que o trabalho como doméstica é inferior, mas é um trabalho como qualquer outro”, diz ele. “Hoje, quem contrata não são as pessoas mais ricas, mas sim as próprias trabalhadoras que precisam de alguém que cuide de suas casas enquanto trabalham”, reitera.

Thiry comenta que, em busca de uma boa profissional, os empregadores oferecem remuneração de até R$ 1 mil, o que não reduz a dificuldade na contratação. “Mesmo com estes salários mais altos, muitas vezes não conseguem contratar”, diz ele.

A dificuldade na contratação é tanta que até mesmo as agências estão evitando este tipo de mediação. Uma agência privada de Dourados desistiu de intermediar a contratação de domésticas por causa da dificuldade e responsabilidade deste trabalho. “Existe uma deficiência de profissionais capacitados. Além disso, é complicado porque a pessoa trabalha quando não tem ninguém em casa. É muita responsabilidade”, comentou uma atendente.

Ângela Vieira conta que está tentando contratar uma boa diarista há pelo menos um ano. De lá para cá, pelo menos quatro pessoas já passaram pela sua residência, mas não houve acordo com nenhuma delas. “Algumas reclamam do salário, outras do serviço e algumas até parecem que não precisam de trabalho. A relação ficou inversa: quem precisa ‘correr atrás’ é o empregador, e não o funcionário”, reclama. Ela diz que conhece muitas outras pessoas quem enfrentam a mesma dificuldade. “Além de fazer o trabalho com capricho, também precisa ser de confiança porque passo o dia todo fora. Esta combinação está cada vez mais rara”, acrescenta.

EMPREGO

Com tantas vagas no mercado, sobram oportunidades para quem quer e precisa trabalhar. A doméstica Izabel Cristina Martins, 36, que trabalha no setor há mais de 15 anos, conta que nunca teve dificuldade para encontrar trabalho. “Coloquei anúncio no jornal na quarta-feira e dois dias depois já estava trabalhando”, comemora. Izabel conta que gosta do que faz e tem boas referências, o que facilita a contratação. A questão salarial, segundo ela, sempre é pontuada a cada nova contratação. “Muitas vezes o que as patroas oferecem é pouco, mas daí precisamos colocar nosso ponto de vista”, avalia. Izabel ganha um salário mínimo em meio (em torno de R$ 800) para trabalhar de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h. “É um dinheiro rápido e fácil de ganhar. Não é difícil encontrar trabalho”, comenta. A diarista diz que reconhece a dificuldade enfrentada pelas patroas. “Muitas empregadas não estão a fim de trabalhar e cada hora inventam uma desculpa. Muitas não estão interessadas no trabalho e as patroas acabam ficando desesperadas porque falta gente de responsabilidade”, diz ela.

Anália Maria da Silva, 58, que trabalha com faxina há mais de 30 anos, também reconhece a falta de profissionais no mercado. “Está cada vez mais difícil encontrar uma pessoa que não falte e que seja de confiança. Eu sempre gostei do que faço, mas sei que muita gente por aí reclama do serviço’, diz ela, que sempre trabalhou em residências mas há 11 anos está empregada em uma empresa.

SORTE

A oficial de Justiça Denise da Silva Almeida se considera uma pessoa de sorte porque nunca teve dificuldade para contratar boas domésticas. Há dez anos, ela tem como fiel escudeira a empregada Marlene Santana que, além de fazer todo o serviço em casa, tem uma dedicação especial aos filhos de Denise e tenta agradar a família de todas as formas. “Além do serviço diário, tem uma dedicação muito grande da parte dela e um reconhecimento de nossa parte”, diz ela, ao comentar que Marlene é uma figura fundamental na rotina doméstica. “Podemos dizer que ela já faz parte da família e acaba conhecendo a casa até mais do que a gente”, avalia. “Reconhecemos que o trabalho dela é muito importante para todos da casa. Quando ela está de férias, é uma tortura”, acrescenta. Pelo trabalho, Denise paga um salário mínimo além de direitos trabalhistas como recolhimento de INSS, férias gratificadas e 13º salário.

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