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Robert Scheidt comemora medalha de ouro em Atenas

23 Ago 2004 - 07h12
Robert Scheidt, 31, tornou-se neste domingo o maior atleta olímpico do Brasil em todos os tempos, ultrapassando o mítico Adhemar Ferreira da Silva. O iatista conquistou a medalha de ouro na classe laser nos Jogos Olímpicos de Atenas, a 13ª na história do país em Olimpíadas, e alcançou o lugar mais alto do pódio pela segunda vez na carreira --foi campeão também em Atlanta-1996.

Somando as duas conquistas à medalha de prata em Sydney-2000, Scheidt passa à frente de Adhemar, que até hoje era o único bicampeão olímpico do país, com os ouros no salto triplo nos Jogos de Helsinque-1952 e Melbourne-1956.

Franco favorito e maior vencedor da história da classe laser da vela, o brasileiro, heptacampeão mundial, chegou à regata final com nove pontos de vantagem na liderança e em situação bastante confortável --um nono lugar já o daria a conquista, independentemente dos resultados de outros competidores.

Com ventos fracos, a regata final, que estava marcada para as 7h (horário de Brasília) deste domingo, começou com 1h30 de atraso. Logo depois do início, foi suspensa. O horário limite para reinício era 9h55 (de Brasília, 15h55 local). Dez minutos antes de o prazo expirar, a prova recomeçou --se fosse cancelada, Scheidt seria campeão automaticamente.

A organização autorizou o início da prova com um vento de oito nós, dois a menos que o mínimo exigido.

Na água, o brasileiro esteve sempre à frente de seus principais concorrentes diretos, o austríaco Andreas Geritzer (prata) e o esloveno Vasilij Zbogar (bronze). Terminou em sexto lugar, como o austríaco em décimo e o esloveno em 13º. Na classificação final, Scheidt teve 55 pontos perdidos, contra 68 do segundo colocado e 76 do terceiro.

Scheidt conquistou o título pela regularidade. Ele venceu apenas a terceira regata e conseguiu três terceiros, um quarto, um sexto (neste domingo), um sétimo, dois oitavos, um 12º e um 19º lugares, este último descartado.

O resultado, além de redimir o atleta da perda do ouro em Sydney, quando chegou à ultima regata na liderança e foi superado pelo inglês Ben Ainslie, manteve Scheidt invicto em 2004.

O atleta disputou até aqui dez campeonatos e foi campeão em todos, incluindo o Mundial de Bodrum (Turquia), o sétimo em sua carreira --é o brasileiro com maior número de títulos mundiais entre todos os esportes.

Além de Scheidt, Torben Grael e Marcelo Ferreira, na classe star do iatismo, também podem conquistar o bicampeonato olímpico em Atenas. Grael, que além do ouro conquistado em Atlanta-96 ao lado de Ferreira possui também uma prata e dois bronzes (um com Ferreira), inclusive ultrapassaria Scheidt como o brasileiro mais vencedor da história.

Os jogadores Giovane e Maurício, da seleção de vôlei, também já têm um título olímpico na carreira e podem conquistar em Atenas o segundo ouro.

Sandra, que faz dupla com Ana Paula no vôlei de praia, foi eliminada neste domingo no confronto brasileiro com Adriana Behar e Shelda e perdeu a chance de ser a primeira mulher brasileira bicampeã --foi ouro em Atlanta com Jacqueline.
 
Folha Online

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