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RO: deputado diz que desconfiava, mas não tinha prova

11 Ago 2006 - 16h09
O único dos 24 deputados da Assembléia Legislativa de Rondônia que não foi acusado de envolvimento no desvio de R$ 70 milhões dos cofres do Estado, deputado Nerí Firigolo (PT-RO), disse que desconfiava que houvesse algum tipo de esquema irregular na Assembléia, mas que nunca denunciou por não ter "provas reais". Ele afirmou que nunca foi convidado a fazer parte do esquema.

"Como cabe o ônus da prova a quem denuncia, você nunca tem provas reais para denunciar alguma coisa que você suspeita. Não que tivessem me oferecido nem que tivessem tentado me jogar no esquema, mas a gente sentia que alguma coisa estranha estava acontecendo no nosso estado", disse.

Apesar de desconfiar da existência do esquema, o deputado disse que jamais pensou que a situação "estava tão grande a ponto de envolver instituições respeitadas como o Ministério Público, o Tribunal de Justiça, até mesmo a própria Assembléia".

"No momento em que você tem um poder Legislativo praticamente quase todo dentro dessa situação, quando você vê pessoas do Ministério Público (envolvidas), a gente vai recorrer a quem nesse estado no momento em que você vê uma situação dessa?", questiona Nerí Firigolo.

Na semana passada, a Operação Dominó, da Polícia Federal, prendeu 23 pessoas dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário do Estado acusadas de desvio de recursos públicos, vendas de sentenças judiciais, extorsão, lavagem de dinheiro e corrupção.

Entre os presos estão o ex-presidente do Tribunal de Justiça do estado, desembargador Sebastião Teixeira Chaves, e o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Carlão Oliveira.

A Assembléia Legislativa enviou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedido de custódia do deputado Carlão. Caso seja aceito, caberá ao órgão estadual cuidar do processo contra o deputado.

Nerí Firigolo se manifestou contra a prática. "A minha posição seria clara. Deixar que a Justiça tome conta e vá até o final das investigações. Se estivesse no plenário (da Assembléia do estado), o meu voto seria para deixar que a prisão fosse resolvida pela própria Polícia Federal, pelos próprios órgãos que têm competência para resolver essa situação", disse.

As investigações envolvem, ainda, Carlos Magno, ex-chefe da Casa Civil do estado e que também foi preso pela operação. A prisão dele pode envolver, também, o governador do estado, Ivo Cassol, no esquema de desvio de recursos.

"A Casa Civil é praticamente o cérebro do governo do estado. Se a polícia já prendeu e tem indícios para prender, eu acredito que polícia vai apurar. Estou aguardando porque, para dizer que o governador está envolvido, eu teria de ter o ônus da prova, mas acho que já tem um caminho, que já está nas mãos da Justiça. Eu espero que a Justiça investigue, se ele tiver culpa, que seja punido, se não tiver, que seja inocentado", disse Firigolo.

O deputado afirmou que vai esperar a conclusão das investigações pela Polícia Federal e pela Justiça antes de julgar alguém. "Não posso condenar ninguém, porque eu acho que a justiça está apurando e quem deve julgar é o povo nas eleições", disse.

O deputado não sabe qual é o futuro da Assembléia do estado, já que 23 dos 24 deputados foram acusados de envolvimento no esquema. "Não sei qual será o desfecho dessa situação, porque na verdade, do jeito que está, com um envolvimento muito grande, não tenho nem como dizer qual é o caminho. Sou apenas um dentro de uma maioria absoluta", desabafa.

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