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Quase 500 mil de haitianos deixaram Porto Príncipe após terremoto

2 Fev 2010 - 10h20Por Folha Online

Um total de 482 mil pessoas abandonou a capital haitiana Porto Príncipe para as regiões rurais do Haiti desde o terromoto que devastou o país em 12 de janeiro, anunciou nesta terça-feira a agência de coordenação de assuntos humanitários das Nações Unidas (OCHA).

Autoridades haitianas colocaram ônibus à disposição para as pessoas que desejassem deixar a capital.

Segundo cifras da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), a população dos Departamentos do sul, de Grande Anse, de Nippes e da Colina Central, aumentou entre 15 e 20%. "Devido à afluência destas novas populações, os preços dos produtos de base, como o arroz e o açúcar, aumentaram", segundo a OCHA.

Ontem, autoridades da ONU anunciaram que o ex-presidente americano Bill Clinton (1993-2001), atualmente o enviado especial da organização para o Haiti, será nomeado o coordenador internacional dos esforços de ajuda ao país.

Falando sob anonimato, porque a decisão ainda não foi oficialmente anunciada, diplomatas e autoridades da ONU disseram que Clinton foi a escolha mais óbvia para coordenar a ajuda e a reconstrução no empobrecido país caribenho.

"O anúncio oficial deve acontecer nesta semana", afirmou à Reuters a autoridade da ONU. Outro funcionário da entidade disse que o secretário-geral, Ban Ki-moon, apontaria formalmente Clinton, quem "representaria a ONU no nível estratégico" e coordenaria a ajuda, a assistência financeira e reconstrução.

Vários diplomatas do Conselho de Segurança dizem que Clinton tem forte apoio dos países membros da ONU.

O ex-presidente, marido da secretária de Estado Hillary Clinton, tem estado ativamente envolvido nos esforços de ajuda ao Haiti desde que o país foi atingido por um forte terremoto e já visitou a nação para testemunhar a destruição.

Tragédia

O terremoto aconteceu às 16h53 do último dia 12 (19h53 no horário de Brasília) e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, que ficou virtualmente devastada. O Palácio Nacional e a maioria dos prédios oficiais desabaram. O mesmo aconteceu na sede da Minustah, missão de paz da ONU, liderada militarmente pelo Brasil.

Ainda não há um dado preciso do total de mortos. O balanço das Nações Unidas divulgado nesta segunda-feira indica um total de 112.250 mortos e outros 194 mil feridos. Já o governo haitiano confirmou neste domingo que o número de mortos no país já atingiu 150 mil somente na região metropolitana de Porto Príncipe.

Entre os brasileiros, 21 morreram, sendo 18 militares e três civis --a brasileira Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, o chefe-adjunto civil da missão da ONU no Haiti, Luiz Carlos da Costa, e uma brasileira com dupla-cidadania europeia que não teve a identidade divulgada a pedido da família.

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