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Brasil

Programa de combate à obesidade já atendeu 1,5 mil pessoas

26 Jul 2006 - 15h15
Em três anos, o programa da Obesidade Infantil mantido pelo governo do Estado já atendeu 1.500 famílias de Campo Grande e do interior que enfrentavam casos como de um bebê, que aos três meses já ultrapassava 10 quilos - peso que deveria atingir com um ano de idade - e de um adolescente de 17 anos com 180 quilos. A obesidade provoca doenças graves e deve ser encarada como um problema de saúde pública, avalia o pediatra e nutrólogo Sandro Trindade Benites, coordenador do programa.

A obesidade infantil vem aumentando de maneira espantosa nos últimos anos e pode causar a elevação dos triglicérides (gordura fabricada pelo corpo ou contida em alguns alimentos) e do colesterol, alterações ortopédicas, dermatológicas e respiratórias. As duas razões consideradas mais importantes para esse aumento são o maior consumo de alimentos ricos em carboidratos e gorduras, e o sedentarismo.

Para Sandro Benites, fatores como a modernização e a violência ajudam a elevar o número de crianças e adolescentes obesos. “As pessoas engordam não só porque comem demais, mas também porque são sedentárias. E por que são sedentárias? Temos acesso fácil à comida, não precisa se esforçar para pegá-la. Hoje, podemos pedir uma pizza por telefone, temos carro para ir a qualquer lugar, não andamos a pé."

A modernidade alterou os hábitos das pessoas, que confundem comodidade com passividade, e a falta de segurança contribui para essa rotina nociva, explica Benites: "Temos o lazer dentro de casa: computador, vídeo-game e a televisão, e as pessoas preferem esse tipo de lazer porque a cidade é violenta. A criança não pode andar de bicicleta na rua, pois o trânsito é perigoso.”

Reeducação – Pensando nos problemas que a obesidade infantil pode trazer é que foi criado o programa da Obesidade Infantil desenvolvido no Hospital Regional Rosa Pedrossian em Campo Grande e que objetiva reeducar os hábitos de vida e alimentares de crianças e adolescentes de até 17 anos com o peso acima do ideal. Os atendimentos são feitos através do SUS - Sistema Único de Saúde e acontecem aos sábados pela manhã, no ambulatório do Hospital. E durante a semana as famílias são atendidas individualmente.

Cada criança recebe uma tabela com os alimentos que pode ingerir e os horários em que devem ser feitas as refeições. Benites explica que aos finais de semana cerca de 60 famílias participam do programa.

“Nos fins de semana acontece um encontro conjunto, no qual são realizadas palestras de orientação alimentar, temos atendimentos médicos de todos as especialidades, pois neste dia toda a equipe está presente e são feitos exercícios físicos, não só com as crianças, mas com a família também. Por fim de semana são cerca de 60 famílias que participam.”

Com uma equipe multidisciplinar composta por profissionais das áreas de Pediatria, Psicologia, Nutrição, Educação Física e Fonoaudiologia, o programa além de promover a reeducação alimentar da família toda, pretende combater o sedentarismo, estimulando os pacientes a praticarem atividade física constante e oferece ainda tratamento psicológico para crianças que apresentam quadro de ansiedade e depressão, fatores que, segundo o coordenador do programa, estimulam o consumo exagerado de alimentos.

Ao iniciar o tratamento, as famílias são atendidas pelo menos uma vez na semana. Com o passar o tempo, se o quadro da criança ou o adolescente evolui e consegue perder peso, o número de encontros diminui. “No início o retorno é semanal, depois passa a ser mensal, em seguida trimestral e semestral, até a criança ter alta”, explica. O tratamento dura em média um ano, e segundo Benites, nesses três anos poucas pessoas desistiram. “Acredito que em torno de 10%.”

Este trabalho tem sido referência no tratamento da obesidade não só na capital como em todo o Estado, aumentando significativamente a procura pelo tratamento, vindo até pessoas de outro estado, como conta Benites. “Pessoas de todo o Estado procuram o atendimento, temos pacientes de Corumbá, Amambaí e famílias de outros estados, como é o caso de Rondonópolis”. Atualmente, existem 350 meninos e meninas aguardando por uma vaga.

Números – Pesquisa divulgada em junho deste ano pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que Mato Grosso do Sul tem a 4ª maior taxa de obesidade do País entre crianças e adolescentes do sexo masculino de 10 a 19 anos. No público feminino a taxa de obesidade é ainda maior, mas nesse caso a colocação do Estado no ranking cai para o 6º, o que revela maior prevalência do problema entre as mulheres em âmbito nacional.

A pesquisa foi realizada em 2002 e 2003, por amostragem, e revelou índice de 2,4% de obesidade entre meninos – menor apenas que os do Rio Grande do Sul (4,5%), Goiás (2,8%) e Distrito Federal (2,5%). A média nacional foi de 1,8% de crianças e adolescentes obesos.

Já no caso das meninas, o índice de obesidade em Mato Grosso do Sul foi de 3,2%, quando a média nacional era 2,9%. Com base nestes dados deduz-se que, na época, havia um obeso para cada dez meninos com e uma obesa para cada cinco meninas no Estado.

Doenças ligadas à obesidade matam cerca de 80 mil pessoas por ano no Brasil, número que supera em 20 vezes as mortes provocadas por Aids, por exemplo. Entre os óbitos registrados por doenças que podem ser prevenidas, a obesidade só perde para o cigarro, consolidando-se como um dos maiores problemas de saúde pública no País.
 
 
 
APn

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