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Brasil

Prioridade é o escoamento da safra

22 Jan 2010 - 09h34Por Dourados Agora

O secretário de Estado de Obras Públicas e de Transportes, Edson Giroto, explicou ontem, em entrevista à Rádio FM Cidade 97 e à TV MS Record, que o Estado não está ausente no que diz respeito aos problemas causados pelas intensas chuvas nas rodovias estaduais.
"Estamos fazendo o que é possível ser feito. O Estado tem a obrigação de manter as condições de trafegabilidade. A chuva é boa para o Estado, pois estima-se que a safra deverá ter um aumento de 20% na produção, ou seja, a chuva traz riqueza, mas também gera percalços", disse Giroto.
O secretário esclareceu aos ouvintes que ele e equipes da secretaria e da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) têm percorrido o interior de Mato Grosso do Sul para pontuar cada uma das intervenções causadas pelas chuvas, explicando que já esteve em reuniões na Grande Dourados, na região do Bolsão e em Novo Horizonte do Sul conversando com prefeitos e produtores. "Vamos ao local levantar informações, dimensionar os pontos críticos e auxiliar a população e as prefeituras", revelou, esclarecendo que nenhuma localidade fica isolada, pois as equipes da Agesul sempre criam uma rota alternativa.
Giroto enumerou os problemas que a secretaria tem encontrado para restabelecer os acessos nas regiões afetadas, citando que a concentração pluviométrica que tem ocorrido neste mês de janeiro é totalmente atípica: "Em Novo Horizonte do Sul, por exemplo, choveu 300 milímetros em apenas quatro horas", justificou, alegando que não há sistema de drenagem que absorva uma demanda dessas em poucos dias.
"Os projetos de estradas, sistemas de drenagem, etc, são fundamentados em normas federais que levam em conta estudos pluviométricos de um histórico de cem anos", relatou ele, complementando que os projetos futuros deverão ser revistos, fato que ele próprio já está fazendo. "A natureza está buscando equilíbrio de acordo com aquilo que está sendo retirado dela. É ação e reação", disse o secretário.
Outro fator prejudicial é que, especificamente na região Sul, o solo não contribui para a drenagem da água, por ser arenoso, de partículas finas, facilmente levadas pelas águas. Aliado a esse problema, Giroto pontuou que os produtores devem se ater à necessidade da implantação de curvas de nível em suas propriedades, prática da agricultura que diminui o impacto da enxurrada, aumentando a infiltração da água no solo, evitando erosões.
Por último, Giroto afirmou que já são cerca de 150 pontes de madeira destruídas em todo o território sul-mato-grossense, tanto pelas chuvas, quanto pelo aumento da capacidade de carga dos veículos motorizados para transporte de grãos, animais, insumos, equipamentos agrícolas e maquinários. "Antes os caminhões suportavam uma carga, mas atualmente o sistema exige uma maior produção, então a atual capacidade de carga dos caminhões aumentou demasiadamente, e as pontes de madeira não suportam o peso", disse ele, exemplificando a ponte da Estrada Parque do Pantanal (MS-184), sobre o rio Miranda, que foi destruída por uma carreta com sobrepeso.
Giroto chegou a responder um ouvinte da região de Miranda, que questionou o fato das estradas da região estarem intransitáveis: "A prioridade do governo é garantir o escoamento da safra. A soja não pode esperar dois dias, pois perde-se toda a produção. Peço um pouco de paciência, pois as estradas como um todo serão recuperadas em sua totalidade quando começar a estiagem".
O secretário esclareceu, porém, que nenhuma localidade está sem ser atendida: "Em novo Horizonte do Sul, chegamos no domingo (17) de madrugada – um dia depois dos estragos – e ao sairmos, à tarde, já havíamos criado um acesso alternativo. Nossas equipes estão trabalhando até nos fins de semana. A Agesul não para!".
Estima-se que o governo estadual deverá investir cerca de R$ 10 milhões em ações emergenciais de restabelecimento de tráfego nas rodovias estaduais: "São recursos próprios, disponíveis, para contratação de pessoal, aquisição de material, óleo diesel, entre outros", completou Giroto, mas serão necessários recursos federais para prestar assistência à infra-estrutura de alguns municípios.
O secretário disse ainda que o Governo do Estado, através da Agesul, da Defesa Civil e de todos os outros órgãos, está sempre atento e disposto a ajudar todas as prefeituras. "Estive conversando com a bancada federal, que é parceira do governo estadual e na semana que vem estaremos em Brasília pleiteando recursos ao Ministério da Integração, através de um plano de trabalho que será entregue ao ministro. O Estado não está ausente", garantiu ele.

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