O prefeito de Criciúma, Vaguinho Espíndola (PSD), em Santa Catarina, decidiu vivenciar de perto a realidade da população em situação de rua. No último dia 10, ele se caracterizou com barba e peruca postiças, maquiagem e roupas desgastadas, passando despercebido até mesmo por sua família. Durante quase 20 horas vivendo como um morador de rua, o prefeito experimentou sentimentos de abandono, recebeu gestos de solidariedade e observou de perto as dificuldades enfrentadas por quem vive nessa condição.
Logo nas primeiras horas da experiência, Espíndola pediu esmolas em um semáforo e arrecadou quase R$ 6 em apenas 15 minutos. Ele também recebeu alimentos e um café de um garoto de aproximadamente 10 anos, gesto que o emocionou. O momento mais marcante, segundo o prefeito, ocorreu quando sua esposa e os dois filhos passaram por ele na rua sem reconhecê-lo. “Naquele instante senti na pele a dolorosa sensação de ser invisível”, afirmou.
A experiência foi interrompida por volta de 0h30, quando agentes da assistência social do município o abordaram sob a marquise de uma igreja, no bairro Santa Bárbara. O prefeito foi reconhecido por um servidor e precisou encerrar a vivência antes do planejado. Um fotógrafo da prefeitura acompanhou discretamente todo o processo.
Além dos gestos de solidariedade, Vaguinho também presenciou situações de vulnerabilidade extrema, incluindo o contato com pessoas em uso de drogas na região do Pinheirinho, conhecida pela concentração de usuários e pontos de tráfico. Segundo ele, a dependência química é o maior obstáculo para a saída das ruas: “A droga pode não ser o motivo que leva alguém à rua, mas é o que impede a maioria de deixar essa condição”.
Atualmente, Criciúma mantém programas de acolhimento para moradores de rua, oferecendo alimentação, banho, abrigo temporário e encaminhamento ao mercado de trabalho. De acordo com a prefeitura, o número de pessoas nessa condição caiu de 280 para 170 desde o início do ano.
Com base na experiência, o prefeito anunciou que vai encaminhar à Câmara Municipal um projeto de lei para permitir a internação involuntária de dependentes químicos em situação de rua. O município já credenciou 50 vagas em clínicas especializadas para atender essa demanda. Além disso, foi criado um observatório municipal para monitorar a população de rua, já que muitos circulam entre cidades como Florianópolis e São Paulo.
Espíndola destacou ainda a ampliação das internações voluntárias, que passaram a contar com 150 vagas, e o reforço no quadro de assistentes sociais e psicólogos para reconstruir vínculos familiares. Segundo levantamento da prefeitura, seis em cada dez pessoas atendidas conseguiram retomar o contato com a família, três foram encaminhadas para casas de passagem com ocupação profissional e apenas uma retornou às ruas.
“Não se trata apenas de tirar as pessoas das ruas, mas de oferecer tratamento, trabalho e esperança”, concluiu o prefeito após a experiência, que, segundo ele, servirá de base para fortalecer as políticas públicas voltadas à população em situação de rua em Criciúma.
Junte-se a nós no WhatsApp!
Toque no botão abaixo e entre no nosso grupo exclusivo do WhatsApp para receber atualizações em primeira mão.
EntrarLeia Também
ELEIÇÕES 2026
Políticos terão de informar placa de carros abastecidos para carreatas
INTERNACIONAL
BID amplia para US$ 4 bilhões o fundo para segurança na América Latina
ECONOMIA
Brasil amplia acesso a mercados internacionais com novas aberturas na Malásia e em Cuba
JOGOS DE AZAR
SUS terá 100 mil teleatendimentos mensais para vício em bets
ISENÇÃO DE IMPOSTOS
STF amplia isenção de impostos para carros a pessoas com deficiência
Mais Lidas
NOVO RGGente com identidade: Posto de Vicentina emite documentos à três gerações de uma só vez
ACIDENTE FATALJovem morre após colidir na traseira de caminhão estacionado em Dourados (vídeo)
Circulando na Internet.Imagens de Cristiano Araújo morto seguem na web após decisão judicial
EXECUÇÃOHomem é morto a tiros em bar de cidade do MS; suspeito fugiu de moto
EDUCAÇÃO


Reprodução JP