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Brasil

Prefeito de Criciúma se disfarça de morador de rua e relata experiência de invisibilidade

Vaguinho Espíndola passou quase 20 horas nas ruas da cidade e anunciou novas medidas para enfrentar a vulnerabilidade social

25 Ago 2025 - 12h37Por Dhione Tito / Jornal Fátima News

O prefeito de Criciúma, Vaguinho Espíndola (PSD), em Santa Catarina, decidiu vivenciar de perto a realidade da população em situação de rua. No último dia 10, ele se caracterizou com barba e peruca postiças, maquiagem e roupas desgastadas, passando despercebido até mesmo por sua família. Durante quase 20 horas vivendo como um morador de rua, o prefeito experimentou sentimentos de abandono, recebeu gestos de solidariedade e observou de perto as dificuldades enfrentadas por quem vive nessa condição.

Logo nas primeiras horas da experiência, Espíndola pediu esmolas em um semáforo e arrecadou quase R$ 6 em apenas 15 minutos. Ele também recebeu alimentos e um café de um garoto de aproximadamente 10 anos, gesto que o emocionou. O momento mais marcante, segundo o prefeito, ocorreu quando sua esposa e os dois filhos passaram por ele na rua sem reconhecê-lo. “Naquele instante senti na pele a dolorosa sensação de ser invisível”, afirmou.

A experiência foi interrompida por volta de 0h30, quando agentes da assistência social do município o abordaram sob a marquise de uma igreja, no bairro Santa Bárbara. O prefeito foi reconhecido por um servidor e precisou encerrar a vivência antes do planejado. Um fotógrafo da prefeitura acompanhou discretamente todo o processo.

Além dos gestos de solidariedade, Vaguinho também presenciou situações de vulnerabilidade extrema, incluindo o contato com pessoas em uso de drogas na região do Pinheirinho, conhecida pela concentração de usuários e pontos de tráfico. Segundo ele, a dependência química é o maior obstáculo para a saída das ruas: “A droga pode não ser o motivo que leva alguém à rua, mas é o que impede a maioria de deixar essa condição”.

Atualmente, Criciúma mantém programas de acolhimento para moradores de rua, oferecendo alimentação, banho, abrigo temporário e encaminhamento ao mercado de trabalho. De acordo com a prefeitura, o número de pessoas nessa condição caiu de 280 para 170 desde o início do ano.

Com base na experiência, o prefeito anunciou que vai encaminhar à Câmara Municipal um projeto de lei para permitir a internação involuntária de dependentes químicos em situação de rua. O município já credenciou 50 vagas em clínicas especializadas para atender essa demanda. Além disso, foi criado um observatório municipal para monitorar a população de rua, já que muitos circulam entre cidades como Florianópolis e São Paulo.

Espíndola destacou ainda a ampliação das internações voluntárias, que passaram a contar com 150 vagas, e o reforço no quadro de assistentes sociais e psicólogos para reconstruir vínculos familiares. Segundo levantamento da prefeitura, seis em cada dez pessoas atendidas conseguiram retomar o contato com a família, três foram encaminhadas para casas de passagem com ocupação profissional e apenas uma retornou às ruas.

“Não se trata apenas de tirar as pessoas das ruas, mas de oferecer tratamento, trabalho e esperança”, concluiu o prefeito após a experiência, que, segundo ele, servirá de base para fortalecer as políticas públicas voltadas à população em situação de rua em Criciúma.

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