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Ponto de Vista "A Lição do Mestre Tiririca", por Messias Furtado

20 Out 2010 - 12h01

Dentre as tantas ocorrência pitorescas de que se tem notícia na política brasileira, a eleição de 3 de outubro próxima passado registrou mais uma e,   quiçá a mais emblemática delas com a eleição do palhaço Tiririca (Francisco Everardo Oliveira Silva) para a Câmara Federal do país com a espetacular votação de 1.350.438 votos e a suspeita de se tratar de pessoa analfabeta.

 

 

O interessante disso tudo é que com o homérico feito o palhaço desbancou nada mais nada menos do que a façanha do lendário “Cacareco” o Rinoceronte que no ano de 1959 nas eleições para Câmara de vereadores também obteve expressiva votação a título de protesto popular.

 

 

Conta a história, abrindo um parêntese que reputo necessário,  que quando aquele imenso rinoceronte chegou a São Paulo, ninguém poderia imaginar que ele se tornaria uma das figuras mais importantes do folclore político brasileiro. "Cacareco" viera do Rio de Janeiro especialmente para a inauguração do zoológico paulistano, no dia 28 de setembro de 1958. A população logo se tomou de amores por ele e, em poucos dias, Cacareco virou uma celebridade de coluna social: os cariocas o reclamavam de volta mas os paulistas insistiam em ficar com ele.  No ano seguinte, em plena campanha eleitoral para a renovação da Câmara e do Senado, a polêmica sobre o domicílio de Cacareco dominava os jornais e  acabou acontecendo o inimaginável.  Cacareco foi eleito vereador de São Paulo, com cerca de 100.000 votos (o partido mais votado não chegara a 95.000).  No jornal Última Hora, Stanislaw Ponte Preta comentou que "diversos membros da cúpula do PSP andaram rondando a jaula de Cacareco, para o colocarem no lugar de Adhemar de Barros".  Já o presidente JK, prudentemente, declarava: "Não sou intérprete de acontecimentos sociais e políticos. Aguardo as interpretações do próprio povo". A idéia de lançar o animal como candidato teria sido do jornalista Itaboraí Martins, na época jornalista do Estado de S. Paulo e da Rádio Eldorado, em protesto contra o baixo nível dos outros 450 candidatos concorrentes. O fato se tornou notório e serviu de referência para várias análises de percentuais no Brasil de votos nulos e dos chamados votos de protesto (fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre).

 

 

Curiosamente a exemplo de Tiririca a  candidatura de “Cacareco” também padecia de um pecado original, pois segundo constava nos registros do zoológico do Rio de Janeiro de onde veio o animal, tratava-se de uma fêmea e não de um macho como os eleitores acreditavam ter votado.

 

 

Fechando o parêntese e voltando ao tema principal da questão, num país onde se apregoa a erradicação do analfabetismo, a busca da autonomia; da auto-suficiência e do progresso através da educação, permitir que uma pessoa analfabeto seja registrada como candidata pela Justiça Eleitoral por si só já seria um absurdo, atribuir a ele o status de candidato permitindo que lhe seja dado  mais de um milhão de votos beira as raias do absurdo.

 

 

Considerando que, segundo estimativa do Tribunal Superior Eleitoral as eleições de 2010 deve consumir 480 dos 549 milhões de reais, que é a dotação orçamentária autorizada para as eleições deste ano de 2010, dinheiro esse oriundo dos suados impostos pagos pelo contribuinte, um embrolho jurídico dessa magnitude poderia ter sido evitado se uma medida simples como a realização de uma prova de admissão de candidatos pudesse ser realizadas antes mesmo que os futuros candidatos a legisladores ou administradores pudessem pleitear os registros de suas candidaturas junto à justiça eleitoral.

 

 

Todos sabem que o analfabetismo no Brasil é um problema grave, mas que existem muitas ações governamentais no sentido de combatê-lo ao ponto de podermos afirmar que, ser analfabeto hoje em alguns estados da federação, dentre eles o Estado de São Paulo, é questão de mera opção.

 

 

Uma coisa é você não ter acesso à educação e outra completamente distinta e você ter o acesso e mesmo assim continuar analfabeto e o que é pior, tentar fazer da sua condição de analfabeto como um trampolim para conquistar um importante cargo político no parlamento brasileiro.

 

 

Daí a sabedoria do legislador da Carta Magna de 1988 em eivar de inelegibilidade os analfabetos por entender que são pessoas que não estão aptas a utilizar das ferramentas indispensáveis para o bom exercício da legislatura que são a leitura e a escrita.

 

 

Superadas as digreções de primeira hora, não se pode ouvidar que essa maciça manifestação popular traz em seu bojo um clamor popular que não se pode ignorar.

 

 

Num país em que reina a impunidade e os escândalos políticos e que um dispositivo de lei que tenta banir da vida públicas os políticos ficha suja fica enroscado na Corte Suprema aguardando a nomeação, por critérios políticos de um novo ministro para dirimir  questão de tão alta relevância, até que atribuir um milhão e trezentos mil votos a um palhaço não parece ser motivo de preocupação.

 

 

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