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Petrobras diz que preço de combustíveis está defasado em 10%

15 Ago 2006 - 17h23

O diretor-financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, Almir Barbassa, admitiu nesta terça-feira que o conjunto de produtos refinados derivados de petróleo no mercado doméstico apresenta uma defasagem de preço de aproximadamente 10% em relação aos Estados Unidos, o que reforça a possibilidade de um reajuste nos preços dos combustíveis no Brasil.

Ele afirmou, porém, que a Petrobras tem "uma política de não repassar preços em momentos de pico" do petróleo no mercado internacional.

Segundo ele, a alta atual do petróleo se deve a motivos "temporais e sazonais", como a crise no Oriente Médio e o verão nos EUA, em um momento de baixos estoques.

"À medida que a crise se resolve e que o Verão [nos EUA] vai embora, esse preço deve se acomodar", disse Barbassa, após apresentar os resultados da Petrobras do segundo trimestre a investidores, em São Paulo.

O executivo afirmou ainda que a Petrobras não deve promover reajustes no mercado interno enquanto não ocorrer uma mudança " consistente" no cenário internacional.

Às 11h15 (em Brasília), o barril do petróleo cru para entrega em setembro, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York, estava cotado a US$ 73,55, com ligeira alta de 0,03%.

No dia 14 de julho, o barril do petróleo cravou o recorde de US$ 78,40 em Nova York, influenciada principalmente pelo conflito entre Israel e o grupo terrorista libanês Hizbollah, iniciado dois dias antes.

O temor era de que o Irã acabasse envolvido nos confrontos e o fornecimento mundial da commodity pudesse ser comprometido --o país é o segundo maior exportador da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Nos EUA, o consumo de gasolina atinge picos durante o verão (inverno no Brasil), quando também começam as férias escolares e mais pessoas viajam de carro pelo país.

Além disso, os estoques do combustível naquele país têm registrado quedas. Na semana passada, o Departamento de Energia dos EUA divulgou uma queda de 3,2 milhões de barris na reserva de gasolina do país (que totalizou 207,7 milhões de barris) e de 1,1 milhão de barris na reserva de petróleo (que ficou em 332,6 milhões de barris).

Além disso, o crescimento acentuado da demanda pelo produto em países em desenvolvimento como a China e a Índia preocupa, principalmente diante de quedas de produção --como a anunciada pela British Petroleum, que interromperá parte de sua produção em seu campo petrolífero na baía de Prudhoe, no Alasca, enquanto realiza os trabalhos de substituição de canais de transporte de petróleo que apresentaram corrosão e vazamentos.

Folha Online

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