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Petrobras descarta necessidade de reajustes de combustíveis

12 Jul 2006 - 08h12

Apesar da alta nos preços do petróleo no mercado internacional, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, descartou a necessidade de reajustes nos preços dos combustíveis comercializados no Brasil neste momento.

"A Petrobras não considera que tenha que mexer nos preços nesse momento", disse Gabrielli, ao comentar que a estatal mantém a política adotada há cerca de quatro anos, de "amortecimento da flutuação de curto prazo" dos preços do mercado internacional para o brasileiro.

Embora a Petrobras demonstre tranqüilidade, a pressão das cotações do barril de petróleo acima de US$ 70 já preocupa o Banco Central. Mesmo prevendo "reajuste zero" para a gasolina e o gás de cozinha (GLP) neste ano, a ata da última reunião do Copom (Conselho de Política Monetária), realizada no fim de maio, já destacava que "a evolução recente reforça temores de que os preços internacionais do petróleo sustentem-se por mais tempo em um nível acima do que vinha sendo antecipado".

"Como em meses anteriores, as previsões sobre a trajetória futura dos preços do petróleo continuam marcadas por grande incerteza", diz o documento.

O último reajuste dos combustíveis nas refinarias da Petrobras ocorreu em setembro do ano passado, quando a cotação do barril do óleo ficou próximo ao patamar de US$ 70 no mercado internacional. Na época, a gasolina ficou 10% mais cara para as distribuidoras e o diesel subiu 12%. Desde então, as oscilações nos preços dos combustíveis para o consumidor foram provocadas principalmente pela variação no preço do álcool, que é misturado à gasolina.

Histórico – Os preços do petróleo têm registrado oscilações acentuadas desde 2004, quando começaram a disparar. Em julho daquele ano, o barril registrou o recorde para a época de US$ 43,02 na Bolsa Mercantil de Nova York, devido a pressões sobre o consumo, com o crescimento econômico da China.

Ainda em 2004, a redução nas reservas americanas de petróleo e de destilados já era um fator de preocupação, levando o preço a outro recorde, US$ 55,67 em outubro.

Outro fator que provocou crise no mercado petrolífero foi a destruição de instalações petrolíferas e de refinarias americanas na região do golfo do México após a passagem do furacão Katrina, em agosto de 2005, que levou o barril a US$ 70,85.

Além de tudo isso, o governo iraniano ameaça restringir exportações de petróleo se sofrer sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) devido a seu programa nuclear; a Nigéria ainda enfrenta ataques de grupos armados às instalações petrolíferas do país; e a Coréia do Norte realizou testes com mísseis neste mês, o que cria mais um foco de incerteza no plano geopolítico.

Neste mês, esses fatores geopolíticos, além do risco de escassez nos EUA, levaram o preço do petróleo a um novo recorde, US$ 75,78.

Bolívia – Questionado sobre o andamento das negociações que a Petrobras vem mantendo com a estatal boliviana YPFB sobre os contratos de fornecimento de gás natural para o Brasil, Gabrielli preferiu não polemizar diante das declarações do ministro boliviano, André Soliz Rada, de que o governo brasileiro tem sido duro nas negociações para não perder votos nas eleições de outubro. "Nós só fazemos negociação técnica", disse Gabrielli.

Preocupação do BC – O Banco Central informou em junho que os preços elevados do petróleo, mesmo sem provocar reajustes nos dos combustíveis, são motivo de preocupação.

"A evolução recente reforça temores de que os preços internacionais do petróleo sustentem-se por mais tempo em um nível acima do que vinha sendo antecipado. Como em meses anteriores, as previsões sobre a trajetória futura dos preços do petróleo continuam marcadas por grande incerteza", diz a ata da reunião de maio do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada no início do mês passado.

O Copom ressalta que, mesmo sem o aumento do preço da gasolina no acumulado do ano, os preços do petróleo têm influência na economia do país, já que é um produto utilizado em algumas cadeias produtivas, como a petroquímica, e também pela influência dessas elevações nas expectativas de inflação.

 

 

Folha Online

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